Quando viu Renato sair dali com uma expressão tranquila, como se nada do que havia ouvido o tivesse incomodado, Alessandro fechou os punhos com força. Em seguida, lançou um olhar irritado para o barman e pediu mais um copo de bebida.
Virou tudo de uma vez e ficou ali, encarando o nada, pensando no que faria a seguir.
Desde que conheceu Renato, nunca gostou do jeito dele. Ainda assim, a conveniência o fez se aproximar, a ponto de se tornar seu melhor amigo. No fundo, porém, sempre cogitou uma forma de acabar com a reputação dele. Para ele, ver o amigo bem-sucedido, sempre bem tratado e colocado como o centro das atenções, nunca desceu. Nunca gostou de ser o segundo em nada, muito menos de viver à sombra de alguém, principalmente quando sentia que podia ser tão bem-sucedido — ou até mais — do que ele.
Então, quando percebeu que a noiva de Renato dava abertura, não pensou duas vezes. Não houve culpa, nem hesitação. Apenas aproveitou a oportunidade e começou a sair com Raquel, certo de que, daquela vez, teria finalmente atingido onde mais importava.
Mas ver Renato sair daquele bar inteiro, aparentemente intacto, reacendia algo perigoso dentro dele: a certeza de que ainda não havia terminado o que começou.
Pagou a conta do bar e saiu dali em direção ao quarto. Precisava descansar um pouco; mais tarde haveria o baile, e ele queria usar aquele evento para desfilar ao lado de Raquel. Tinha certeza de que, ao vê-los juntos, Renato se sentiria mal, talvez a ponto de abandonar o ambiente.
Quando chegou ao quarto, teve a primeira surpresa.
Raquel estava em frente ao espelho, tentando disfarçar um hematoma na cabeça com maquiagem. Preocupado, ele se aproximou e perguntou:
— O que houve?
Os olhos dela se arregalaram e, no mesmo instante, tentou disfarçar.
— Não foi nada, amor. Não precisa se preocupar.
Na verdade, Alessandro não queria mesmo se preocupar com nada que viesse dela. Ainda assim, percebeu que Raquel parecia esconder algo. Aproximou-se mais e analisou o hematoma com atenção, notando um pequeno corte próximo à testa.
— Isso não parece “nada” — comentou, estreitando o olhar.
Raquel desviou o rosto, claramente desconfortável.
— Já disse que está tudo bem — insistiu, sem encará-lo.
Mas Alessandro sabia que não estava, e por isso decidiu insistir.
— Achei que não houvesse segredos entre nós, gatinha.
— E não há — rebateu ela.
— Então me diz como conseguiu esse corte.
Ela engoliu em seco. Queria inventar uma mentira, qualquer uma, mas sabia que Alessandro a conhecia bem demais para cair nisso. Não adiantava.
— Eu estava tirando satisfação com a minha irmã — confessou. — Foi quando o Renato apareceu e interferiu.
Alessandro franziu o cenho.
— Interferiu como?
Ela desviou o olhar por um instante antes de continuar.
Raquel franziu a testa, ofendida.
— Não preciso me convencer de nada, eu gosto de você, apenas você.
— Tudo bem — respondeu ele, tentando convencê-la de que aquilo estava resolvido.
Percebendo que Alessandro parecia convencido, Raquel se aproximou e o beijou. Em seguida, o abraçou com força, como se quisesse afastar qualquer dúvida.
— Tudo o que quero é ficar ao seu lado. Só isso — disse, com a voz mais suave. — Não me importo com o Renato, nem com quem ele esteja.
Alessandro a envolveu nos braços por alguns segundos, mas seu olhar permaneceu distante. Ele aceitou o gesto. Por fora, parecia calmo, mas no fundo não era aquilo que queria. Se não pudesse usar Raquel como uma arma, não havia motivo algum para continuar ao lado dela. Ainda assim, antes de descartá-la de vez, precisava ter certeza.
Certeza de que Renato realmente não se importava mais com ela.
— Vamos apenas descansar um pouco. Daqui a pouco temos uma festa para ir, e quero que você esteja linda — disse ele.
— Tem certeza de que precisamos mesmo ir? — Ela perguntou, lançando-lhe um olhar sugestivo. — Podemos ficar nesse quarto… fazendo amor — sussurrou em seu ouvido.
— Teremos muito tempo para isso — respondeu, afastando-se e indo em direção à cama. — Como já te disse, preciso manter algumas relações. E esse baile vai estar cheio de pessoas importantes com quem devo me relacionar.
Raquel o observou em silêncio, percebendo que, mais uma vez, vinha em segundo plano.

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