O odor de sangue invadiu minhas narinas, a visão turva e uma tontura sufocante me fizeram depender das correntes que me erguiam em pé no meio da escuridão. A letargia dominou minha mente quando o vi.
O garotinho agora tinha seus cabelos loiros melados de sangue, as roupas alvas manchadas do mais puro carmesim, a cena tão irreal parecia tão real quanto sentir suas mãozinhas agarrando meus tornozelos. Os olhinhos verdes derramando lágrimas, o queixo tremendo era de partir o coração.
- Por que me matou, papa? - o choro ecoava na minha cabeça mais e mais alto - você prometeu que me protegeria com a mama. Por que deixou que eu morresse, papa? - sua doce voz se misturava com o choro e os gritos iniciavam - POR QUE ME MATOU, PAPA?!
***
Acordo num susto, me sentando rapidamente na cama e ligando o abaju na mesinha de canto. Suor cobria meu corpo todo, causando várias manchas na camisa e meu cabelo pingava, alertando que precisava de um banho gelado.
Tinha virado minha nova rotina após os pesadelos, mergulhar no trabalho acumulado ou ficar imerso em exercícios físicos. Malhar com certeza esvaziava os pensamentos e os gritos do garotinho na minha cabeça, mesmo que momentâneo era bom ficar focado em outra coisa.
Saio do chuveiro grato pelo frio, vestindo uma regata com calça moletom e os fones de sempre. Caminhando pelo corredor do hotel, paro na frente da porta do quarto ao lado, onde Matteo e Carol estavam instalados. Seria tortura demais me hospedar no mesmo hotel, do lado do quarto deles? Não, eu merecia essa tortura também.
Me pergunto o que aconteceria se eu batesse na porta e ela abrisse, a puxaria para os meus braços e a beijaria até seu coração bater novamente apenas para mim. Sem Matteo por perto, eu teria ótimas chances de tomá-la de volta.
Fiquei tentado a fazer isso desde que recebi uma mensagem do detetive, informando que Matteo viajaria para resolver contratempos na Itália relacionados a filial da revista. Era a oportunidade que a vida estava me dando, nessa história eu era o ex arrependido que não merecia uma chance da protagonista. Gostaria de perguntá-la como seria meu final, Carol quase sempre tem resposta para tudo em relação á histórias fictícias. Até nisso sentia sua falta.
Pensei que meu coração fosse parar quando a vi ontem no jardim e quando a vi entrando na sala de reunião hoje pela manhã. Estava tão linda que era injusto, como uma pessoa conseguia parecer tão única e radiante depois de tudo o que a fiz passar? Era injusto da minha parte querer voltar para sua vida e desejar ser contaminado pelo seu brilho.
Quase ultrapassei os limites para sentir suas mãos novamente em mim, para sentir seu corpo colado ao meu, em plena empresa. Sei o quanto ela deve estar lutando para ser uma boa profissional mas não consigo esconder o quanto preciso tocá-la e a ter perto de mim. E tendo a oportunidade de fazer isso enquanto trabalho, não irei desperdiçar.
Não sei quanto tempo fiquei na academia do hotel, apenas saí de lá quando sentir os músculos doloridos suficientes para me fazer desabar de cansado na cama e não ter forças para sequer ter pesadelos. Existia poucos funcionários trabalhando de madrugada e poucos hóspedes, facilitando o acesso ao elevador.
Não sabia o porquê, mas sentia um aperto no peito, uma agonia e meus pensamentos somente iam de encontro á Carolina sozinha naquele quarto de hotel. Um medo me tomou, saí apressado do elevador encontrando Carolina descabelada e assustada. A puxei imediatamente para meus braços, afagando sua cabeça enquanto chorava.
- Me ajuda, Luigi - tremia de medo, o que me fazia abraçá-la mais forte.
***
- Tem certeza? - mordiscava uma unha, ainda nervosa mesmo depois da enfermeira dizer que não precisava se preocupar e mesmo depois da pediatra examinar os gêmeos e avisar que não corriam risco algum.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida de um mafioso
Continuação...
Onde está a continuação?...
Estou entrando em colapso preciso dos outros capítulos, só esse site é de graça 🥺...
Continua por favor,desde ontem que não saio do site só esperando o capítulo 190...
Preciso da continuação...