Elena Rossi
Lara caminhava ao meu lado em silêncio.
O som do meu salto firme contra o piso estreito do corredor parecia mais alto do que deveria, como se cada batida denunciasse o que eu estava prestes a fazer.
A mão dela no meu braço era leve, mas havia uma urgência contida ali, quase um pedido de desculpas silencioso, quase um gesto de alguém que queria me impedir de continuar, mesmo sabendo que não podia.
Ela respirou fundo, tomada por uma hesitação que não combinava com a postura impecável de secretária pessoal de Damian Cavalari.
— Senhorita Rossi, eu… — começou ela, e pela primeira vez notei a dor escondida na voz dela.
Virei o rosto antes que ela continuasse.
— Não se preocupe, senhora Moretti — cortei, firme, sustentando a compostura que meu peito já não tinha. — Eu estou aqui. E sei exatamente o que vim fazer.
Lara piscou devagar, como se a frase tivesse entrado nela como uma pontada. Sua respiração falhou por um instante, e o aperto que ela deu no meu braço foi quase… humano, quase cúmplice.
— Só… pense que tudo o que está fazendo aqui é pela sua irmã — murmurou, num sussurro tão baixo que talvez tivesse medo de ser ouvida por paredes que pertenciam a Damian, não a ela.
Aquilo me atravessou.
Por um segundo, o corredor se tornou ainda mais estreito, mais sufocante.
Ela soltou meu braço devagar, com um cuidado que ninguém ali oferecia a mim. Quando me encarou, não era obediência profissional o que havia nos olhos dela, era uma pena verdadeira. É como se ela carregasse um pedaço da minha dor nas próprias mãos, mas estivesse proibida de dizer o quanto aquilo a feriu também.
O corredor parecia interminável. Cada passo era um lembrete cruel do que eu tinha feito com a minha vida. E as palavras de Damian martelavam dentro de minha cabeça:
Vá para o quarto e se prepare para mim.
Aquelas palavras apenas confirmaram mais uma vez o que eu tentava negar. Você foi comprada para ser entretenimento. E esta noite, vai entregar o que vendeu.
Quando chegamos ao quarto reservado, Lara abriu a porta para mim. Percebi o seu olhar vacilante e por trás da sua postura rígida, eu vi uma compaixão silenciosa, porém verdadeira. Quase como se ela quisesse me pedir perdão por trabalhar para o homem que estava brincando com a minha vida.
— Se precisar de mim… — ela começou, mas a voz falhou.
Entrei sem olhar para trás e fechei a porta com um clique suave, tão suave que doeu.
O quarto permanecia arrumado com perfeição. Tudo parecia igual a não ser por mim que estava destruída. Tenho consciência de que quando aceitei participar daquele leilão para salvar a minha irmã, eu sabia que não seria fácil. Mas no fundo, eu acreditei que poderia ser diferente. Mas homens poderosos como Damian Cavalari compram pessoas para destruí-las. Não era apenas para satisfazer o prazer, era muito mais do que isso, consegui enxergar através de seus olhos azuis que ele tinha planos para mim, só não consigo compreender quais.
Senti o peito apertar.
Caminhei até o espelho e encarei minha própria imagem.
O vestido ainda brilhava sob a luz amarela, mas na minha pele… parecia uma fantasia que já não fazia sentido.
Meus olhos estavam vermelhos, minha boca tremia. Eu parecia alguém que tinha sido quebrada silenciosamente.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário