“Há pessoas que entram devagar, mas mudam o lugar para sempre.”
Elena foi pega de surpresa, mas reagiu no instinto, segurando a irmã com cuidado, como se aquele abraço fosse algo que pudesse se quebrar se respirasse errado.
— Ei… — murmurou, acariciando a cabeça protegida pela touca de unicórnio que ela usava. — O que foi isso, Sophi?
Sophia fez biquinho. Um biquinho sério, determinado, daqueles que não pedem permissão para existir.
A médica piscou duas vezes, confusa.
— Não… não quer ir para casa? — repetiu, procurando apoio no rosto dos adultos. — Mas normalmente as crianças ficam felizes com isso…
Damian permaneceu onde estava.
Não interveio, apenas observou.
Havia algo naquele gesto, o abraço apertado, a recusa espontânea, que despertava nele mais curiosidade do que qualquer relatório clínico.
Elena se afastou um pouco, apenas para poder olhar nos olhos verdes da irmã e com delicadeza, tocou o rosto dela e perguntou:
— Não quer ir para casa comigo, Sophi… por quê?
Sophia levantou o rosto devagar.
Olhou para Elena primeiro. Depois, quase sem perceber, deixou o olhar escorregar até Damian, como se ele fosse parte da resposta, mesmo sem saber.
— Eu… — começou, com a voz falhando por um segundo. — É que lá em casa não tem o quarto de princesa, Lena.
Elena sentiu o peito apertar.
— Nem o castelo — Sophia continuou, fazendo um pequeno gesto com a mão, como quem desenha o espaço no ar. — Nem as luzinhas… — a voz baixou. — Eu gosto das luzinhas.
O silêncio se instalou no quarto como algo respeitoso.
A médica ficou completamente perdida, alternando o olhar entre Elena e Damian, tentando entender se aquilo era apenas apego infantil ou algo mais profundo que não constava em nenhum prontuário.
Foi Damian quem se aproximou devagar e abaixou-se diante de Sophia, reduzindo a própria altura, tornando-se menos homem de negócios e mais alguém disposto a ser ouvido.
— Sabe, Sophia… — disse, com a voz calma, quase didática. — Lá na empresa, às vezes, quando a gente perde um contrato, é só porque vai ganhar algo melhor depois.
Sophia franziu a testa com força pensando.
— O Mel não entendeu nada — respondeu, olhando para o ursinho. — E eu também não.
Elena mordeu o lábio para não rir, emocionada demais para disfarçar.
Sophia então ergueu o rosto de novo, agora mais prática:
— Mas eu posso levar os brinquedos comigo?
Elena sorriu. Um sorriso cheio, inteiro, carregado de ternura.
— Claro que pode, meu amor.
A mão dela subiu para tocar o rosto da irmã, o polegar desenhando um carinho lento na bochecha.
— Todos eles.
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