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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 102

“Crianças reconhecem o amor antes que os adultos tenham coragem de nomeá-lo.”

— Estou?

— Sim. — confirmou, convicta. — Porque ele veio te ver e beijou você.

— E desde quando você entende essas coisas?

Sophia sorriu, orgulhosa.

— Desde sempre. Nos filmes as princesas quando ganham um beijo dos príncipes elas ficam tão felizes que sempre cantam depois.

Elena balançou a cabeça, vencida, e respirou fundo.

— Você gostou de ganhar um beijo que eu sei.

— Sophia… você não pode dizer essas coisas assim. — Elena olhou para a porta apenas para confirmar se ainda estava fechada.

Sophia encarou a irmã confusa, mas não perdeu o sorriso.

— Por que não? — perguntou, sincera. — É coisa boa.

Elena passou a mão pelo próprio cabelo, ainda tentando reorganizar o corpo que parecia não ter voltado completamente ao lugar.

— Não é… não é assim tão simples.

Sophia franziu a testa.

— É sim. — afirmou. — Ele olha pra você.

Elena sentiu o estômago se contrair.

— Olha pra… mim?

— Uhum.

A menina assentiu com convicção, abraçando o ursinho contra o peito.

— E como… — Elena hesitou, sentindo-se ridícula e vulnerável ao mesmo tempo. — Como ele olha pra mim?

Sophia pensou por um instante. Era um pensamento sério, concentrado, como se estivesse escolhendo as palavras mais importantes do mundo.

— Como os príncipes olham pras princesas nos meus filmes — disse, por fim. — Com os olhos brilhando. Como se estivessem vendo alguma coisa muito bonita… e especial.

Elena sentiu algo ceder dentro do peito. Um sorriso largo surgiu sem que ela percebesse. Não o tipo de sorriso que se controla, mas aquele que nasce inteiro, do fundo, e simplesmente acontece.

Ela desviou o olhar por um segundo, como se tivesse sido pega fazendo algo íntimo demais para ser testemunhado, e respirou fundo antes de conseguir falar.

— Senhorita… — ela se aproximou da cama, inclinando-se para ficar à altura da irmã. — Você anda vendo filmes demais.

Sophia fez uma careta exagerada, cruzando os braços.

— Eu amo ver filmes. — rebateu, ofendida. — E você também gosta, que eu sei. Não adianta fingir que não.

— Eu gosto de alguns — Elena tentou se defender.

— Uhum. — Sophia estreitou os olhos. — Principalmente quando tem princesa que começa triste e depois fica feliz.

Elena mordeu o lábio, tentando conter o sorriso que insistia em voltar.

Ao modo como Damian havia se aproximado.

À firmeza do gesto. À segurança do braço envolvendo o corpo dela como se aquela fosse a única resposta possível. O beijo que não pediu permissão, mas mesmo assim aconteceu, inevitável como algo que já estava escrito antes mesmo de ser pensado.

O corpo de Elena ainda guardava a memória com uma precisão quase cruel. Como se cada detalhe tivesse sido gravado na pele.

Quando terminaram, Sophia escolheu uma roupa confortável demais para uma princesa — calça macia, camiseta larga demais, meias desencontradas — mas Elena não contestou. Vestiu a irmã com cuidado, ajeitou a gola, conferiu se estava quente o suficiente, se nada apertava, se tudo parecia seguro.

— Pronto. — disse. — Perfeita.

— Igual você — Sophia respondeu, distraída, enquanto ajeitava o ursinho debaixo do braço.

Elena sentiu o rosto aquecer outra vez, como se aquela comparação tivesse um peso maior do que deveria.

O almoço chegou em bandejas simples, mas Sophia comeu com apetite, comentando cada detalhe como se fosse um banquete real: a sobremesa “chique”, o suco “de festa”, o arroz “melhor que o de casa”. Elena mal percebeu o gosto da própria comida. A mente insistia em voltar ao amanhã.

Amanhã venho buscar vocês duas.

A frase se repetia dentro dela como um aviso e uma promessa ao mesmo tempo.

Quando Sophia finalmente adormeceu, exausta, Elena sentou-se na poltrona ao lado da cama. Observou o rosto tranquilo da irmã, o ursinho preso sob o braço pequeno, a respiração regular.

E então, sem perceber, levou os dedos aos próprios lábios. Ainda estavam quentes.

Fechou os olhos por um instante e pela primeira vez não havia medo e sim uma expectativa nova, pulsante, viva. Pela primeira vez em muito tempo, Elena não se perguntava se algo iria acontecer, ela apenas se perguntava quando.

E, em silêncio, desejou de novo que o amanhã chegasse depressa, porque o que mais queria era estar novamente nos braços dele.

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