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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 103

“O desejo verdadeiro não se impõe. Ele se constrói até ser inevitável.”

O vento bateu mais forte quando Damian empurrou a porta de acesso ao heliponto.

O sol do meio-dia estava alto e não oferecia sombras generosas. A luz clara batia direto sobre o heliponto, desenhando linhas duras no concreto e arrancando reflexos frios da lataria do helicóptero. As hélices ainda estavam paradas, e o piloto permanecia ao lado da aeronave aguardando as instruções de Damian, ele tinha vindo de Toscana de carro, acreditando que o CEO não iria querer voltar pilotando.

Damian caminhava em direção a aeronave com a exatidão de sempre. O paletó permanecia perfeitamente ajustado ao corpo apesar do vento que insistia em puxar o tecido, e a postura seguia ereta, como se o mundo precisasse se alinhar à sua passagem. A mente de Damian operava em sequências claras e objetivas, organizando decisões, riscos e próximos passos com a mesma precisão dos seus movimentos, como se até o caos precisasse se alinhar e obedecer quando ele avançava.

Nada ali sugeria urgência.

Tudo indicava controle.

Aproximou-se do piloto, que o cumprimentou com um leve aceno e perguntou:

— Vai pilotar, senhor Cavallari?

Damian sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário, como se estivesse avaliando e decidindo.

— Pode pilotar, Augusto.

— Claro, senhor.

Entrou na aeronave sem pressa, acomodando-se no interior com um movimento preciso, quase automático. Só então levou a mão ao bolso do paletó e pegou o celular. Discou o número da irmã sem pensar duas vezes.

— Oi, Damian — Beatrice atendeu, com a voz baixa e gentil.

— Fez o que pedi?

— Já estou cuidando de tudo pessoalmente — respondeu sem rodeios. — O quarto da Sophia está ficando lindo. Um verdadeiro conto de fadas. Ela vai amar.

Damian inclinou levemente a cabeça, o olhar pousando no chão metálico do helicóptero. O canto da boca se moveu quase imperceptivelmente, indicando um sorriso discreto.

— Ótimo.

— Pensei nas cores que ela gosta, em tudo o que ela me contou, os seus personagens preferidos… — continuou Beatrice, com uma ternura que não precisava ser explicada. — Quero que ela acorde sentindo que aquele espaço é dela. Que foi feito exatamente para ela.

Ele assentiu, ainda que soubesse que a irmã não podia vê-lo.

— É exatamente isso.

--- Você foi ao hospital?

Damian permaneceu em silêncio por um instante. Um silêncio breve, mas carregado. Do outro lado da linha, Beatrice sorriu sem esforço.

— Fico feliz que tenha ido — disse, com suavidade. — A Elena não é como a Valentina.

O ar entrou mais fundo nos pulmões de Damian. O vento frio tocou seu rosto, trazendo junto uma memória amarga que ele não havia convidado, mas também não afastou.

— Você merece ser feliz, meu irmão.

E com o beijo.

Aquele beijo não foi estratégia. Foi inteiro, instintivo e honesto demais para ser arma.

Valentina usava o desejo como ferramenta. Elena… simplesmente sentia. E essa diferença era tudo.

Damian sempre soube reconhecer riscos e identificar armadilhas com precisão cirúrgica. Mas ali não havia sensação de emboscada. Havia vontade, entrega, desejo contido.

Ele a queria.

Não como posse. Nem como distração. Queria Elena como quem reconhece algo que não pode ser comprado nem controlado à força.

E, pela primeira vez, não queria apenas tomar. Queria ser desejado.

Por isso iria devagar. Não avançaria antes da hora. Permitiria que ela escolhesse.

Damian Cavallari podia mover impérios, dobrar mercados, silenciar inimigos. Mas com Elena, faria diferente.

Ele a queria. E faria tudo, absolutamente tudo, para que, quando ela viesse, fosse porque também o queria.

Damian manteve os olhos fixos no horizonte por alguns segundos depois que o helicóptero estabilizou o voo e pegou o celular novamente.

Não ligou para Elena. Mas, pela primeira vez, salvou o número dela com um nome que não constava em contrato algum.

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