“O desejo verdadeiro não se impõe. Ele se constrói até ser inevitável.”
O vento bateu mais forte quando Damian empurrou a porta de acesso ao heliponto.
O sol do meio-dia estava alto e não oferecia sombras generosas. A luz clara batia direto sobre o heliponto, desenhando linhas duras no concreto e arrancando reflexos frios da lataria do helicóptero. As hélices ainda estavam paradas, e o piloto permanecia ao lado da aeronave aguardando as instruções de Damian, ele tinha vindo de Toscana de carro, acreditando que o CEO não iria querer voltar pilotando.
Damian caminhava em direção a aeronave com a exatidão de sempre. O paletó permanecia perfeitamente ajustado ao corpo apesar do vento que insistia em puxar o tecido, e a postura seguia ereta, como se o mundo precisasse se alinhar à sua passagem. A mente de Damian operava em sequências claras e objetivas, organizando decisões, riscos e próximos passos com a mesma precisão dos seus movimentos, como se até o caos precisasse se alinhar e obedecer quando ele avançava.
Nada ali sugeria urgência.
Tudo indicava controle.
Aproximou-se do piloto, que o cumprimentou com um leve aceno e perguntou:
— Vai pilotar, senhor Cavallari?
Damian sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário, como se estivesse avaliando e decidindo.
— Pode pilotar, Augusto.
— Claro, senhor.
Entrou na aeronave sem pressa, acomodando-se no interior com um movimento preciso, quase automático. Só então levou a mão ao bolso do paletó e pegou o celular. Discou o número da irmã sem pensar duas vezes.
— Oi, Damian — Beatrice atendeu, com a voz baixa e gentil.
— Fez o que pedi?
— Já estou cuidando de tudo pessoalmente — respondeu sem rodeios. — O quarto da Sophia está ficando lindo. Um verdadeiro conto de fadas. Ela vai amar.
Damian inclinou levemente a cabeça, o olhar pousando no chão metálico do helicóptero. O canto da boca se moveu quase imperceptivelmente, indicando um sorriso discreto.
— Ótimo.
— Pensei nas cores que ela gosta, em tudo o que ela me contou, os seus personagens preferidos… — continuou Beatrice, com uma ternura que não precisava ser explicada. — Quero que ela acorde sentindo que aquele espaço é dela. Que foi feito exatamente para ela.
Ele assentiu, ainda que soubesse que a irmã não podia vê-lo.
— É exatamente isso.
--- Você foi ao hospital?
Damian permaneceu em silêncio por um instante. Um silêncio breve, mas carregado. Do outro lado da linha, Beatrice sorriu sem esforço.
— Fico feliz que tenha ido — disse, com suavidade. — A Elena não é como a Valentina.
O ar entrou mais fundo nos pulmões de Damian. O vento frio tocou seu rosto, trazendo junto uma memória amarga que ele não havia convidado, mas também não afastou.
— Você merece ser feliz, meu irmão.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário