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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 121

Elena Rossi

Liberdade nunca foi o que doeu. O que doeu foi a ideia de perdê-lo.

— Você é uma mulher livre.

As palavras ainda ecoavam no apartamento quando virei o rosto, incapaz de sustentar o olhar dele por mais um segundo. O som da própria voz de Damian parecia ter ficado suspenso no ar, pesado demais para desaparecer rápido. O nó no peito apertou de um jeito quase físico, como se respirar tivesse se tornado uma tarefa consciente, calculada, difícil para algo que deveria ser automático.

Senti meus olhos arderem. Não era só tristeza. Era a sensação desconcertante de estar perdendo algo no exato momento em que tudo parecia possível.

Damian permaneceu imóvel por um instante, como se tentasse entender o silêncio que se formava entre nós. Ele não avançou, não tocou, não tentou consertar nada às pressas. Apenas observou, atento para não perceber que algo tinha saído do lugar.

— Você não está feliz? — perguntou, confuso, com a voz baixa, cuidadosa, como se temesse quebrar algo frágil.

Dei alguns passos para longe. Não porque estivesse com raiva. Mas porque precisava de espaço para não desmoronar ali mesmo, cercada por um futuro inteiro que não incluía o único homem que eu queria dentro dele. Cada passo parecia pesado, como se o corpo resistisse a se afastar, mesmo quando a mente insistia.

Ouvi quando ele se moveu atrás de mim. O som foi mínimo, mas suficiente para me lembrar de que ele ainda estava ali.

— Elena… — chamou, mais próximo agora. — O que houve?

Demorei a responder.

Minha garganta apertou de um jeito quase doloroso, e precisei respirar fundo mais de uma vez, tentando conter o tremor que ameaçava escapar pela voz. Eu não queria chorar. Não ali. Não daquele jeito.

— Eu… — parei. As palavras não se organizavam. Engoli o choro com dificuldade. — Eu não vou mais vê-lo?

A pergunta saiu embargada, frágil para alguém que tinha acabado de receber tudo o que precisava para recomeçar uma vida inteira. No instante em que ela deixou meus lábios, percebi o quanto aquela dúvida era mais profunda do que qualquer documento espalhado pelo chão.

O silêncio que veio depois foi intenso. Senti quando ele suspirou fundo, como se organizasse algo dentro de si antes de se aproximar de novo. Damian parou a poucos passos de mim, respeitando a distância que eu ainda precisava manter.

— É isso que você quer? — perguntou.

Fechei os olhos por um segundo, mas não me virei. Eu não queria que ele me visse chorando, não queria que aquela vulnerabilidade mudasse o sentido da escolha que ainda nem tinha sido dita.

— Me diga, Elena — ele insistiu, com a voz agora firme, mas não dura. — O que você deseja?

Meu coração disparou de imediato, acelerando num ritmo que não combinava com a quietude do apartamento. A pergunta parecia simples, quase óbvia, mas eu não tinha coragem de dizer exatamente o que eu desejava.

Continuei de costas, sentindo a presença dele como algo quase tangível, como se o ar tivesse mudado de densidade ao redor de nós. Cada segundo de silêncio parecia um teste que eu não tinha pedido para fazer e, ainda assim, precisava enfrentar.

— O que você quer? — ele sussurrou.

Foi naquele instante que eu decidi que ele precisava saber o que de fato eu queria. Não havia mais espaço para meios-termos. Passei a mão no rosto, tentando parecer forte, tentando recompor algo dentro de mim, e me virei.

Nossos olhares se encontraram, e eu vi nos olhos azuis dele algo que não tinha visto antes com tanta clareza: medo.

Capítulo 121 -  Onde o Amor Escolhe Ficar 1

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