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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 127

“Alguns homens não perdem o controle. Eles apenas escolhem por quem vale a pena cedê-lo.”

Elena Rossi

Os passos dele ecoaram na escada antes mesmo que eu o visse.

Não foi o som que me fez erguer o olhar. Foi o reconhecimento imediato do corpo, como se ele sempre soubesse quando Damian estava por perto.

Damian descia os degraus vestindo um terno impecável, escuro, ajustado ao corpo com a precisão de quem domina o próprio espaço. A gravata ainda solta, o paletó aberto. Os cabelos estavam levemente assanhados, como se o pente tivesse passado ali apenas por obrigação, não por convicção. Um detalhe pequeno, humano e perigosamente íntimo.

Damian não parecia o homem frio que costumava carregar o peso do mundo nos ombros. Estava mais leve, mais vivo. Não tinha a postura de quem saía para enfrentar reuniões, contratos e decisões irreversíveis, mas a de alguém que ainda trazia consigo o quarto, a manhã e tudo o que havia ficado para trás.

Quando seus olhos encontraram os meus, algo mudou. Foi quase imperceptível, um ajuste no maxilar, um foco diferente no olhar, mas Beatrice percebeu e eu também. Ele deixou de ser o executivo por um segundo e tornou-se apenas Damian, o meu Damian.

Atravessou o hall sem desacelerar, como se o caminho até mim fosse inevitável. Parou à minha frente, se abaixou segurando minhas mãos, puxando o meu corpo e envolvendo os braços fortes na minha cintura e beijou meus lábios ignorando a presença da irmã.

Foi um beijo curto, intenso, seguro.

— Ei — Beatrice reclamou, rindo. — Eu estou aqui, sabia?

Damian não se afastou imediatamente. Apenas encostou a testa na minha por um segundo a mais do que o necessário, como se aquele gesto fosse um acordo silencioso entre nós. Só então virou o rosto para a irmã, e um canto da sua boca se ergueu ensaiando um sorriso.

— Detalhes — respondeu, com a naturalidade de quem não se importava em ser visto.

Eu sorri antes mesmo de perceber.

Minhas mãos subiram quase por reflexo até o cabelo dele, deslizando entre os fios ainda desalinhados. Um gesto simples e íntimo que fez Damian fechar os olhos por um segundo ,enquanto apreciava o carinho.

Ajeitei a gravata dele com cuidado, aproximando-me o suficiente para sentir o perfume discreto, agora familiar demais para ser ignorado. Antes que eu terminasse o nó, Damian deslizou os braços ao redor da minha cintura, puxando-me para mais perto com naturalidade. Seus lábios encontraram meu pescoço num beijo lento, quase distraído, enquanto eu sentia o calor do corpo dele me envolver por inteiro. Os dedos permaneceram firmes nas minhas costas, como se aquele abraço dissesse, em silêncio, que ele ainda não estava pronto para se afastar.

— Você vai bagunçar de novo — murmurei, sem acusação alguma.

— Vale a pena — respondeu, baixo, só para mim.

Beatrice pigarreou de propósito.

Quando Damian se virou para ela, o corpo mudou de forma quase imperceptível. A suavidade permaneceu, mas havia ali um tom prático, familiar, que eu começava a reconhecer.

O beijo começou profundo, mas não contido. A boca dele se abriu sobre a minha com intenção clara, e a língua avançou sem pedir permissão, lenta no primeiro toque, depois mais firme, explorando, tomando. Um gemido baixo escapou de mim antes que eu pudesse conter, abafado entre nossas bocas, resposta involuntária à forma como ele me dominava sem pressa.

Não era um beijo apressado, nem delicado. Era quente, cheio, carregado de certeza. Um beijo que não precisava provar nada, apenas marcar, confirmar, deixar claro que eu estava exatamente onde ele queria.

Minhas mãos encontraram os ombros dele, depois o peito, sentindo o coração bater forte sob o tecido do terno. O mundo ao redor pareceu desacelerar, como se aquela cena tivesse sido isolada do resto da casa.

Quando ele se afastou, foi apenas o suficiente para recuperar o ar. Permaneci de olhos fechados por um segundo a mais, como se abrir os olhos fosse admitir que aquele momento tinha fim. Meus lábios ainda formigavam, sensíveis, e eu sabia que estava corada pelo calor que ele tinha deixado em mim.

Damian se inclinou outra vez, não para me beijar, mas para aproximar a boca do meu ouvido. A respiração dele tocou minha pele antes das palavras, lenta, consciente do efeito que causava.

— Você fica linda quando perde o controle — sussurrou, com a voz baixa, indecente na promessa que carregava. — E eu adoro ser o motivo.

Ele se afastou em seguida, muito calmo para quem tinha acabado de me desarmar por completo, deixando para trás o eco daquelas palavras e a certeza de que não tinha sido apenas um beijo.

Fiquei parada ali por segundos a mais do que deveria, o corpo ainda reagindo, o coração fora de ritmo. Porque, naquele instante, entendi que Damian não tinha apenas cedido o controle.

Ele tinha decidido usá-lo contra mim e contra tudo o que vinha depois.

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