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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 129

“O desejo não assusta quem sente. Assusta quem percebe que não quer mais fugir.”

Há escolhas que não nascem da urgência, mas da certeza silenciosa de que fugir já não é uma opção.

O problema de certos beijos não é o que eles despertam. É o que eles tornam impossível ignorar depois.

O carro deslizou pela avenida com a precisão de sempre, obediente à rotina que Damian havia construído com disciplina quase obsessiva ao longo dos anos. Cada semáforo, cada curva, cada parada fazia parte de um fluxo conhecido, controlado. Ainda assim, naquela manhã, algo estava fora do lugar.

Não na cidade, muito menos no trânsito, mas nele.

O sinal fechou. Damian parou o carro em um movimento automático, com os olhos fixos à frente. Mas por trás da postura impecável, a lembrança insistia. Não foi o beijo que ficou.

Foi Elena.

A entrega silenciosa do corpo quando se deixou conduzir até ele, como se não houvesse outra possibilidade. O encaixe perfeito, imediato, quase violento em sua naturalidade, como se o corpo de Damian tivesse sido desenhado para ocupar exatamente o espaço que era dele.

Damian ainda sentia o peso dela contra o próprio peito, o ritmo irregular da respiração quando o controle começou a falhar. Lembrava-se do som. Do jeito que ela gemeu seu nome, baixo no início, depois sem defesa alguma, no instante em que o prazer a atravessou por completo.

Lembrava-se do estremecer do corpo dela sob seu toque, da forma como cada reação o reivindicava sem palavras.

O beijo final, breve, contido que não pedia nada e ainda assim, levou tudo.

Porque depois de Elena se entregar daquele jeito, não havia despedida possível. Ele paralisou com uma lembrança que invadiu sua mente. Uma lembrança de Valentina, não do sentimento, mas da traição. Do modo como ela o fez se apaixonar apenas para arrancar informações, para expor a empresa do pai dele, para usar a intimidade como arma.

Não tinha sido amor. Tinha sido estratégia.

E o que ele perdeu não foi ela, mas a própria confiança. A certeza ingênua de que se entregar não tinha custo. Desde então, escolher o controle parecia mais seguro do que ficar, mais fácil do que sentir.

Valentina tinha o forçado que amar podia ser uma armadilha e Elena, perigosamente, fazia Damian acreditar que talvez não precisasse ser.

Damian apertou o volante por um segundo a mais do que o necessário antes de soltar.

Valentina tinha sido a prova de que fugir não o protegeu de nada. Apenas o deixou vazio.

Controle, sempre controle. Por muitos anos esse foi o seu mantra, até ela chegar.

Mas naquela manhã algo havia mudado. Uma calma estranha, perigosa, quase subversiva para alguém como ele. Não era ausência de medo, era a decisão consciente de não permitir que ele comandasse outra escolha.

Elena não despertava nele a vontade de recuar.

Despertava a vontade de ficar.

E, pela primeira vez em muito tempo, Damian não pretendia se salvar de nada. Pretendia se entregar.

O prédio da empresa surgiu à frente imponente, sólido e inquestionável. Damian estacionou, saiu do carro e vestiu novamente o homem que todos conheciam. O terno escuro ajustado, a gravata perfeitamente alinhada, os passos firmes.

O presidente havia chegado.

As portas de vidro se abriram, e o hall respondeu com o silêncio respeitoso de sempre.

— Bom dia, senhor Cavallari.

Clara levantou-se imediatamente. A secretária o conhecia o suficiente para notar a diferença. Não era um sorriso evidente, nem um gesto fora do padrão. Era algo mais sutil. Damian parecia… menos tenso. Não mais leve, mas menos fechado.

Ela sorriu.

— Bom dia, Clara — respondeu ele. — Os executivos já chegaram?

— Sim, senhor. Estão todos na sala de reuniões. O senhor Alessandro também.

— Obrigado.

Damian deu alguns passos em direção ao corredor, movido pelo impulso de sempre. Mas antes de entrar na sala, parou e ficou em silêncio por alguns segundos até finalmente se virar para a secretária.

— Clara.

— Sim?

— Entre em contato com a joalheria Bellucci. Peça para que alguém venha até o escritório na hora do almoço.

— Pelo seu sorriso — comentou, cruzando os braços —, deu tudo certo.

Damian encarou o cunhado por um segundo longo demais para ser casual. Não respondeu, apenas deu um sorriso discreto, algo raro vindo dele.

Antes que Alessandro insistisse, a batida firme na porta interrompeu o momento, e ela se abriu novamente.

Clara entrou acompanhada por uma mulher elegante, com uma postura impecável, segurando uma pasta de couro fino nas mãos. Damian se levantou de imediato e caminhou até a mulher.

— Senhor Cavallari — disse, estendendo a mão. — Laura Bellucci. É um prazer.

— Sente-se.

Alessandro arqueou levemente a sobrancelha, intrigado, mas permaneceu em silêncio.

— Trabalhamos com diamantes raros, safiras, esmeraldas. Qual parte do catálogo o senhor gostaria de verificar primeiro? — perguntou Laura.

Damian não se sentou. Manteve-se de pé, com as mãos apoiadas no encosto da cadeira, e o olhar firme, decidido.

— Quero um anel.

Alessandro sorriu compreendendo.

— Um anel de compromisso — completou Damian, sem hesitar. — Não quero um anel simples, quero algo especial.

Laura sorriu com profissionalismo experiente.

— Pegue esse anel e use como referência. — Damian entrega um anel nas mãos da vendedora.

Enquanto ela apresentava opções, Damian sentiu algo raro se acomodar no peito. Não era ansiedade, nem medo. Era a tranquilidade de quem já não estava mais fugindo.

O anel era apenas um símbolo.

A verdadeira escolha ele já tinha feito naquela manhã, quando decidiu não fugir outra vez.

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