“Alguns caminhos parecem pequenos, mas mudam silenciosamente a forma como somos vistos.”
Elena Rossi
A tarde começou leve.
Talvez por isso eu tenha me deixado levar com tanta facilidade.
Beatrice caminhava ao meu lado, como se tivesse um roteiro mental muito claro para aquela tarde. Sophia seguia entre nós duas, segurando firme a minha mão, com os dedos pequenos quentes e confiantes, apontando para tudo o que despertava seu interesse como se o mundo inteiro estivesse ali apenas para ser descoberto por ela.
— Lena, olha isso! — ela puxou meu braço com força suficiente para me fazer rir, apontando para uma vitrine repleta de pelúcias gigantes, coloridas e exageradas.
Beatrice sequer diminuiu o passo.
— Vai trair o Mel e a Melissa? — avisou por cima do ombro, já sorrindo antes mesmo de Sophia responder.
Sophia fez um bico tão ensaiado que parecia digno de palco.
— Só um pouquinho… — tentou negociar.
— Um pouquinho hoje vira uma rebelião amanhã — Beatrice respondeu, categórica.
O drama durou exatos cinco segundos. Bastou Sophia avistar uma loja de brinquedos logo adiante para esquecer completamente o urso e sair quase pulando, nos arrastando junto.
Entramos. E foi ali que a tarde ganhou um ritmo próprio.
Beatrice parecia determinada a compensar cada sorriso da minha irmã como se estivesse em uma missão pessoal. Um jogo educativo “indispensável”, depois um vestido com pequenos bordados delicados, em seguida uma tiara que Sophia insistiu em colocar imediatamente, girando diante do espelho como se estivesse desfilando.
— Eu sou uma princesa, né, Lena? — perguntou, inflando o peito.
— A mais linda — respondi sem hesitar.
Beatrice me observava de canto, com os braços cruzados e aquele olhar atento demais para ser casual.
— Vamos escolher alguns adornos novos para hoje a noite.
— Bia, mas eu não…
— Confia em mim, ok?
Sophia, completamente alheia à nossa conversa, avistou uma loja de doces e praticamente nos puxou até lá, saindo minutos depois com as mãos levemente grudadas de açúcar, o sorriso aberto e aquela felicidade simples que só as crianças sabem ter.
Quando finalmente nos sentamos em um banco para descansar, Beatrice respirou fundo, avaliando o “estrago”: sacolas e Sophia tagarelando sem parar.
— Agora princesinha, o que acha de ir brincar um pouco no parque?
Sophia vibrou quando ouviu a palavra “parque”.
O espaço ficava logo ao lado, fechado, colorido, seguro. Assim que deixamos Sophia sob o olhar atento do monitor, Beatrice segurou meu braço com firmeza, impedindo que eu desse um passo sequer para longe.
— Agora — ela disse, encarando-me de frente — é a nossa vez.
— Nossa vez de quê? — perguntei, já desconfiada.
O sorriso que ela abriu foi lento e malicioso.
— De comprar algo para você.

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