Entrar Via

Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 130

“Alguns caminhos parecem pequenos, mas mudam silenciosamente a forma como somos vistos.”

Elena Rossi

A tarde começou leve.

Talvez por isso eu tenha me deixado levar com tanta facilidade.

Beatrice caminhava ao meu lado, como se tivesse um roteiro mental muito claro para aquela tarde. Sophia seguia entre nós duas, segurando firme a minha mão, com os dedos pequenos quentes e confiantes, apontando para tudo o que despertava seu interesse como se o mundo inteiro estivesse ali apenas para ser descoberto por ela.

— Lena, olha isso! — ela puxou meu braço com força suficiente para me fazer rir, apontando para uma vitrine repleta de pelúcias gigantes, coloridas e exageradas.

Beatrice sequer diminuiu o passo.

— Vai trair o Mel e a Melissa? — avisou por cima do ombro, já sorrindo antes mesmo de Sophia responder.

Sophia fez um bico tão ensaiado que parecia digno de palco.

— Só um pouquinho… — tentou negociar.

— Um pouquinho hoje vira uma rebelião amanhã — Beatrice respondeu, categórica.

O drama durou exatos cinco segundos. Bastou Sophia avistar uma loja de brinquedos logo adiante para esquecer completamente o urso e sair quase pulando, nos arrastando junto.

Entramos. E foi ali que a tarde ganhou um ritmo próprio.

Beatrice parecia determinada a compensar cada sorriso da minha irmã como se estivesse em uma missão pessoal. Um jogo educativo “indispensável”, depois um vestido com pequenos bordados delicados, em seguida uma tiara que Sophia insistiu em colocar imediatamente, girando diante do espelho como se estivesse desfilando.

— Eu sou uma princesa, né, Lena? — perguntou, inflando o peito.

— A mais linda — respondi sem hesitar.

Beatrice me observava de canto, com os braços cruzados e aquele olhar atento demais para ser casual.

— Vamos escolher alguns adornos novos para hoje a noite.

— Bia, mas eu não…

— Confia em mim, ok?

Sophia, completamente alheia à nossa conversa, avistou uma loja de doces e praticamente nos puxou até lá, saindo minutos depois com as mãos levemente grudadas de açúcar, o sorriso aberto e aquela felicidade simples que só as crianças sabem ter.

Quando finalmente nos sentamos em um banco para descansar, Beatrice respirou fundo, avaliando o “estrago”: sacolas e Sophia tagarelando sem parar.

— Agora princesinha, o que acha de ir brincar um pouco no parque?

Sophia vibrou quando ouviu a palavra “parque”.

O espaço ficava logo ao lado, fechado, colorido, seguro. Assim que deixamos Sophia sob o olhar atento do monitor, Beatrice segurou meu braço com firmeza, impedindo que eu desse um passo sequer para longe.

— Agora — ela disse, encarando-me de frente — é a nossa vez.

— Nossa vez de quê? — perguntei, já desconfiada.

O sorriso que ela abriu foi lento e malicioso.

— De comprar algo para você.

A imagem dele veio inteira, sem aviso. O jeito como Damian me olhava sem pressa, como se estivesse avaliando cada reação antes de me tocar. A voz baixa, firme, sussurrando coisas que não pediam resposta, apenas entrega. As palavras ditas junto à minha pele, carregadas de intenção, marcando território como se não houvesse dúvida sobre onde eu pertencia naquele instante. Lembrei de como ele me conduziu com segurança, sem hesitação, como quem sabe exatamente o que quer e de como meu corpo respondeu antes que a razão tivesse tempo de interferir.

— Você está corando — Beatrice provocou.

— Não estou.

— Está sim. Aposto que estava lembrando de ontem à noite. — corei ainda mais. — Olha só, cunhada… o que acha de comprar essa peça e preparar uma surpresa para o meu irmão?

Suspirei, derrotada.

— Só você mesmo.

— Vai por mim, ele vai amar. — ela sorriu, satisfeita e eu acabei comprando.

A sacola parecia leve na minha mão, inofensiva, mas o peso real estava na imagem que ela carregava. No que aquela renda significaria quando não estivesse mais ali, dobrada com cuidado, mas sobre a minha pele. No instante exato em que Damian a veria.

Imaginei o olhar dele. Primeiro atento, avaliando. Depois lento, escurecendo aos poucos, como se o mundo ao redor deixasse de importar. A pausa calculada antes do sorriso surgir no canto da boca. O silêncio carregado que ele sempre fazia questão de manter antes de se aproximar, como se estivesse saboreando cada segundo da minha expectativa.

Pensei em como ele me olharia sabendo que eu tinha escolhido aquilo. Para ele, por ele.

Meu corpo respondeu antes que eu pudesse organizar o pensamento, um calor familiar se espalhou sob a pele, perigoso para uma simples lembrança. Apertei a sacola com mais força, como se pudesse conter ali dentro tudo o que ainda estava por vir.

E, sem perceber, sorri.

Porque naquele momento eu já sabia que aquela peça não era apenas lingerie.

Era um convite silencioso.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário