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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 132

Valentina Orsini

Eu a vi antes de ter certeza de que estava procurando por ela.

Beatrice Cavallari caminhava pelo shopping com a mesma postura confiante de sempre: os ombros retos, passos firmes, e o olhar atento a tudo ao redor. Nada nela denunciava distração. Beatrice nunca se distraía. Observava o mundo como quem mede riscos, como quem calcula consequências.

O detalhe que não se encaixava vinha logo ao lado.

Uma mulher ruiva.

Não uma presença decorativa, nem uma acompanhante ocasional. Havia intimidade ali. Um tipo específico de proximidade que não se constrói em encontros breves. A mulher inclinava a cabeça para ouvir algo que Beatrice dizia, sorria com naturalidade, tocava o braço dela sem pedir licença. Não havia formalidade, havia convivência, intimidade e confiança.

E havia a criança.

Uma menina de mãos pequenas, olhar curioso, andando entre as duas como se aquele espaço fosse seguro. Como se pertencesse àquele trio.

Segui observando à distância, disfarçada entre vitrines, fingindo interesse por objetos que não me diziam nada. O corpo delas se moviam em sincronia, agiam como grandes amigas que desfrutavam de uma tarde no shopping, mas tinha algo naquela cena que me deixava intrigada.

Beatrice Cavallari não era o tipo de mulher que passeava no shopping com amigas.

Ela não tinha tempo para isso. Não colecionava vínculos por acaso, nem se deixava levar por tardes vazias. Beatrice só se aproximava de quem realmente era importante para ela. Por isso, a mulher ao lado dela me incomodou no instante em que a vi.

Quem era aquela mulher?

Amiga de Beatrice?

Funcionária do museu?

Meu estômago se contraiu quando uma possibilidade atravessou minha mente com força demais para ser ignorada.

E se aquela garota tivesse alguma relação com Damian?

A ideia me deixou tensa de um jeito imediato, quase físico. Observei com mais cuidado, procurando sinais, conexões, qualquer coisa que confirmasse ou negasse aquela hipótese incômoda.

Ela era… normal, sem graça nem atrativo nenhum.

Damian sempre surgia nas colunas sociais ao lado de mulheres atraentes, vazias, diversões de uma única noite. Mas aquela garota era diferente, não combinava com Beatrice, muito menos com Damian.

Havia algo quase ofensivo na ideia de vê-la ao lado dele.

Observei quando Beatrice disse algo e a garota respondeu com um sorriso largo e confiante demais para quem, claramente, não tinha dimensão do território que pisava. Beatrice tocou de leve o braço dela, um gesto rápido, íntimo e senti o maxilar travar.

Aquilo não era nada. Mas também não era pouco. Beatrice Cavallari nunca permitiu esse tipo de cena comigo. Nunca houve espaço para naturalidade, para conversas soltas, para risos compartilhados.

Transações que sustentavam acordos antigos com a máfia.

Ele fez exatamente o que não deveria ter feito.

Consertou. Limpou o nome Cavallari. Transformou a empresa do pai em algo respeitável outra vez.

Aquilo não era justiça. Ele estava apagando tudo de ruim que o pai havia feito. E eu precisava que todos soubessem quem de fato era Enzo Cavallari e como o seu império foi construído.

Por isso me aproximei, fiz ele se apaixonar. Cada gesto foi calculado. Cada confiança arrancada aos poucos. Cada documento copiado, cada e-mail arquivado, cada assinatura que provava o passado sujo da corporação.

Eu expus tudo.

Mesmo depois de Damian ter resolvido cada pendência legalmente. Mesmo depois de saber que aquilo não destruiria mais a empresa como antes.

Eu expus porque queria ferir.

E porque, em algum lugar muito pequeno e vergonhoso dentro de mim, eu esperava que ele entendesse. Que me perdoasse. Que olhasse para mim e dissesse que eu tinha razão.

Mas o perdão nunca veio.

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