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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 133

Valentina Orsini

Eu sempre soube que não o perderia para outra mulher, mas para a ideia perigosa de que ele podia ser feliz.

Se aquela mulher estiver com ele.

A frase se repetiu na minha mente como um erro que não aceitava correção. Se Damian tivesse realmente se permitido cruzar aquela linha outra vez então tudo o que eu havia feito perderia sentido.

Eu não o odiava. Eu odiava a ideia de vê-lo feliz nos braços de outra mulher.

Não depois de tudo o que construí entre nós. Nem depois de cada dúvida que me mantinha presente, de cada marca que garantia que, de algum modo, ele ainda lembrasse de mim. Aquilo não podia simplesmente desaparecer como se nunca tivesse existido. Não podia ser substituído por um sorriso novo, por uma voz diferente, por alguém que achasse que saberia amá-lo.

Damian não nasceu para amar. E eu faria questão de lembrá-lo disso.

Se ele tivesse permitido que alguém ocupasse aquele espaço, eu daria um fim nisso tudo.

Sem pressa, ruído ou piedade.

Voltei ao presente quando vi Beatrice parada diante de uma loja de brinquedos. O gesto foi automático, quase imperceptível, mas revelador. A menina vibrou imediatamente, apontando para tudo ao mesmo tempo, incapaz de escolher, tomada por uma alegria que não conhece reservas. Beatrice se inclinou levemente para ouvi-la, paciente.

A mulher ruiva apenas sorriu.

E aquele sorriso verdadeiro me causou náuseas.

Não era exagerado, nem pedia atenção. Era simples, verdadeiro. O tipo de sorriso que nasce naturalmente. Meu maxilar se contraiu por um segundo antes que eu percebesse. Senti a garganta fechar, e o desconforto se espalhar pelo peito como um aviso tardio.

Meu olhar desceu instintivamente para a mão da ruiva.

Dedos finos, relaxados, nenhum anel.

O detalhe ficou preso em mim mais tempo do que deveria. Talvez não fosse tarde demais, então. Talvez aquilo ainda não estivesse oficializado, ou Damian ainda não tivesse atravessado completamente o limite que jurou nunca mais cruzar.

O gosto amargo subiu pela garganta com força, queimando tudo.

Se aquela mulher estava com Damian…

Se ele havia permitido que ela entrasse naquele círculo restrito…

Se ele tinha deixado alguém chegar tão perto…

Então ele estava fazendo exatamente o que prometeu que nunca mais faria.

Confiando.

A palavra ecoou pesada dentro de mim.

Aproximei-me mais da praça de alimentação, ajustando o passo para não chamar atenção. Escolhi uma mesa estratégica, de onde podia vê-las sem ser notada. Sentei-me de costas para o movimento principal, com visão limpa do trio refletido nos vidros à frente. Dali, eu tinha controle. Sempre preferi observar assim.

Beatrice falava em tom baixo, com gestos contidos. A menina comia distraída, sujando os dedos de ketchup, alheia a qualquer tensão adulta. A ruiva tentava manter a naturalidade, mas havia algo nela que não passava despercebido.

De vê-lo inteiro, relaxado, em paz. Confiando em alguém depois de tudo. Depois de mim. Depois do que eu fiz questão de deixar marcado. A simples possibilidade de ele seguir adiante como se eu fosse apenas um erro superado fazia algo se contrair dentro do meu peito.

Terminei minha bebida com calma, sentindo o gelo bater levemente nos dentes. Levantei-me sem pressa, ajustando a bolsa no ombro, e lancei um último olhar na direção delas.

A ruiva virou o rosto rapidamente e por um segundo, nossos olhares quase se cruzaram.

Quase.

Afastei o olhar primeiro, não por recuo, mas porque já tinha entendido exatamente onde o golpe deveria atingir.

Damian sempre foi cuidadoso com os inimigos declarados. Com contratos, com ameaças visíveis. Ele sabia lutar contra o que podia ver.

O erro dele era outro.

Ele nunca soube proteger o que escolhia amar.

Observei a ruiva mais uma vez: o jeito atento com a criança, o cuidado quase instintivo, a confiança exposta demais para quem ainda não entendeu que isso pode ser usado contra ela.

Sorri sozinha, certa de que Damian jamais perceberia o movimento até ser tarde demais.

Porque destruir um homem como ele não exige força. Exige alguém que ele jamais suspeitaria.

E eu já tinha escolhido quem seria.

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