“Há noites em que o amor não chega gritando. Ele chega rindo.”
Damian Cavallari
Carregar Elena nos braços era perigoso.
Era perigoso porque, a cada passo, meu corpo aprendia a memória daquela sensação. O encaixe, o calor, o direito.
E, principalmente, a facilidade assustadora com que eu poderia me acostumar a tê-la ali.
Sem dar tempo para ela responder, saí da banheira com ela nos braços, erguendo seu corpo leve e molhado com facilidade, deixando a água escorrer pelos nossos corpos nus enquanto eu a carregava para o quarto.
Caminhei até a cama, ignorando o rastro de gotas no chão, e a deitei com cuidado sobre os lençóis macios, me juntando a ela em seguida.
— Damian… — ela começou, mas a frase se perdeu quando dei o primeiro passo.
— Segura — murmurei, mais por hábito do que por necessidade.
E então corri até o quarto como um adolescente inconsequente, ignorando completamente a lógica.
Como um homem que tinha acabado de descobrir que a felicidade podia ter braços, riso e cheiro.
O chão frio, a casa, o mundo não existia. Só o som da gargalhada dela, solta, aberta, viva, vibrando contra o meu peito.
Por um segundo, Elena apertou os braços ao redor do meu pescoço, e o gesto simples fez algo apertar dentro de mim.
— Você vai me derrubar! — disse entre risos, dividida entre o susto e a diversão.
— Nunca — respondi, sem diminuir o passo.
Entrei no quarto e a coloquei sobre a cama com cuidado suficiente para contradizer completamente a pressa anterior. O colchão afundou sob o peso dela, os lençóis se amassaram, e Elena ficou ali, com os cabelos ainda úmidos espalhados pelo travesseiro, o rosto corado, e os olhos brilhando.
— Você é maluco. — acusou, mas não havia reprovação nenhuma ali.
Inclinei-me sobre ela, devagar agora. O mundo tinha desacelerado de propósito.
Levei a mão ao rosto dela, o polegar deslizando com cuidado pela curva da sua bochecha enquanto ela fechava os olhos apreciando o meu carinho.
— Não acha melhor se mudar de uma vez para o meu quarto? — perguntei, como quem sugere algo prático.
Ela abriu os olhos e um sorriso lindo surgiu em seus lábios.
— Isso é um convite, senhor Cavallari?
O uso deliberado do meu sobrenome era uma provocação clara. Levantei uma sobrancelha, divertido me inclinando sobre ela ainda mais, até que nossos rostos ficassem próximos o suficiente para que ela sentisse minha respiração.
— Uma intimação — corrigi, com a voz baixa demais para ser levada como brincadeira.
Elena prendeu a respiração e o brilho de seus olhos fizeram eu me apaixonar mais uma vez. Mas o som alto vindo do meu estômago conseguiu quebrar o clima entre nós dois.
Elena piscou.
Por um segundo ela tentou sustentar a seriedade, tentou manter o efeito da minha proximidade, da minha voz, da ameaça silenciosa que eu tinha acabado de fazer.
Mas falhou.
O riso escapou primeiro pelos olhos, depois pela boca.
— A intimação está com fome? — perguntou, divertida.
Soltei o ar pelo nariz, vencido, encostando a testa na dela.
— Cinco minutos — avisei.
— Para quê?
— Para eu me convencer de que sair dessa cama é mesmo uma boa ideia.
Ela riu, aquele som aberto que sempre fazia alguma coisa ceder dentro de mim.
— Bobo.
— Agora acho melhor você ir se trocar — continuei, me levantando da cama e caminhando em direção ao closet. — Porque, se demorar muito…
Parei na porta e olhei por cima do ombro.
— A única coisa que eu vou querer comer vai ser você.
O rosto dela pegou fogo.
— Damian! — protestou, puxando o lençol até o queixo num gesto automático de defesa.
Gargalhei.
Ela escondeu o rosto, corada, tentando fingir indignação.
E eu ri, entrando no closet como se ainda tivesse algum controle sobre aquela situação.
Mas a verdade?
Se Elena demorasse mais do que cinco minutos… eu nunca chegaria até a cozinha.

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