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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 140

“O amor se torna verdadeiro quando passa a proteger mais gente do que apenas dois corações.”

Foi minha irmã quem percebeu primeiro que eu estava apaixonada.

— E do tio Damian — completou baixinho, finalmente.

Meu peito apertou ainda mais forte, como se o coração tivesse sido pego de surpresa dentro do próprio abrigo. O ar demorou um segundo para voltar.

Eu segurei o rosto dela entre as mãos, observando aqueles olhos grandes, atentos, que ainda carregavam sombras que nenhuma criança deveria conhecer. Havia marcas ali que o tempo ainda não tinha conseguido apagar completamente. Mesmo assim, ali estava ela, viva, doce, insistindo em acreditar que o mundo podia, sim, aprender a ser gentil outra vez.

— Ele gosta muito de você — murmurei, com a voz baixa, quase reverente.

Sophia encostou a testa na minha, num gesto simples, íntimo, seguro.

— Eu sei.

O jeito tranquilo, absoluto, como ela disse aquilo quase me desmontou por dentro. Não havia dúvida, não havia medo. Apenas certeza.

Ela sabia.

Crianças sempre sabem.

Elas reconhecem a verdade mesmo quando os adultos ainda estão tentando fugir dela.

— Lena… — sussurrou, e os dedos pequenos apertaram levemente o tecido da minha roupa. — A gente vai ficar aqui pra sempre?

A pergunta veio tão pura que doeu em um lugar antigo.

Porque “pra sempre” sempre foi a palavra que eu mais temi oferecer ao mundo. Promessas grandes carregavam o risco de altas quedas.

Eu abracei minha irmã com força, fechando os olhos por um instante, sentindo o cheirinho de sabonete infantil nos cabelos dela, o calor delicado do corpo pequeno se encaixando no meu como se ali fosse o único território realmente seguro do universo. Como se eu tivesse sido feita para caber exatamente ali.

— Vamos ficar onde a gente for feliz — respondi, escolhendo cada palavra com cuidado. — E agora… a gente tá feliz.

Ela ficou quieta. Séria. Como se estivesse guardando a frase dentro de uma caixinha invisível para analisar depois.

— Então eu quero ficar aqui pra sempre — decidiu, com uma firmeza que não combinava com o tamanho dela.

Meu sorriso nasceu contra o topo da cabeça dela, quente, emocionado.

— Eu também.

Ficamos assim por alguns segundos. Talvez minutos. O tempo tinha um jeito diferente de existir quando Sophia estava nos meus braços. Ele desacelerava, respeitava, quase pedia licença.

Até que ela levantou o rosto de repente.

— Ele te faz sorrir.

Meu coração tropeçou dentro do peito, perdido, exposto.

— Quem? — perguntei, mesmo sabendo exatamente a resposta.

Sophia me olhou com aquela expressão paciente, inteligente, que dizia claramente: não tente me enganar.

— O tio Damian.

Um riso pequeno escapou da minha boca, meio nervoso, meio rendido.

— Faz?

— Faz. — Ela levantou o dedinho e tocou minha bochecha com uma delicadeza solene. — Você sorri com os olhos quando fala dele.

Aquilo me atravessou porque era verdade.

Eu não lembrava a última vez que tinha sorrido com os olhos. Não lembrava a última vez que meus ombros tinham deixado de carregar o peso do mundo na presença de alguém. Nunca imaginei que poderia dormir nos braços de um homem sem que meu corpo permanecesse em alerta.

E naquela manhã… eu acordei em paz.

Não por medo.

Mas por escolha.

Eu viveria esse amor com toda intensidade que existisse. Sem barreiras, sem fugas, sem ensaiar despedidas antes da hora. Baixei o rosto e beijei o topo da cabeça de Sophia.

— Vamos tomar café?

Ela levantou o rosto, e o sorriso que apareceu ali era sol puro.

— Panquecas com bacon?

— Com bacon.

— A Maria faz bacon melhor que você.

Levei a mão ao peito, fingindo indignação.

— Isso é traição.

Sophia riu.

O som mais bonito que eu já tinha ouvido na vida. O tipo de riso que reconstrói coisas invisíveis por dentro.

E quando levantei da cama com ela no colo, atravessando o quarto em direção ao corredor, senti algo raro, algo que por muito tempo eu achei que não voltaria:

Paz.

Não era a paz de quem descansava. Era a de quem finalmente encontra um motivo para ficar.

E, pela primeira vez em muito tempo… eu não tive medo de construir um futuro em volta disso.

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