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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 145

“Alguns homens dizem eu te amo. Os mais raros dizem: eu fico.”

Elena Rossi

Eu pensei que o pedido seria o instante mais inesquecível da minha vida. O tipo de momento que a gente guarda em uma caixa invisível dentro do peito e revisita sempre que precisa lembrar que milagres existem.

Eu ainda não sabia que o amor tinha planos maiores para nós. Planos silenciosos, pacientes, esperando a hora exata de se revelarem.

O teatro estava em silêncio.

Não o silêncio vazio de um lugar abandonado, mas o silêncio que servia como testemunha, como se cada poltrona, cada cortina, cada fileira de luzes tivesse parado para assistir ao que viria depois do espetáculo.

Eu ainda segurava a mão dele quando o aplauso indicando que a peça tinha terminado, ecoou pelo salão, preenchendo o espaço com um reconhecimento artificial que contrastava com a verdade brutal que acontecia entre nós. A história no palco se encerrava, obediente ao roteiro.

A nossa começava sem ensaio.

Damian se levantou devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar o encanto, mas não soltou meus dedos. Pelo contrário, segurou com mais firmeza, como se precisasse ter certeza de que eu continuava ali.

O anel brilhava na minha mão. Não era apenas bonito, era definitivo.

A safira verde parecia pulsar junto com meu coração, viva, quente, quase consciente da responsabilidade que carregava.

— Você planejou isso… tudo isso… — sussurrei, porque falar alto pareceria desrespeitar a grandiosidade do gesto.

Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo num ritmo que denunciava a coragem que aquela noite exigia. Pela primeira vez, o homem que comandava empresas, decisões e destinos parecia vulnerável.

— Eu não sabia como pedir — admitiu. — Nunca fiz isso antes. Nunca quis isso antes. Mas com você… — o olhar dele subiu para o meu, aberto, sem defesa — eu não queria errar.

Meu peito apertou de um jeito doce e devastador.

— Você não errou.

Ele tocou meu rosto com um cuidado quase reverente. O polegar limpou uma lágrima que eu nem tinha percebido que caía, traindo a enxurrada que acontecia dentro de mim.

— Eu queria que você visse — disse baixo — que a nossa história… até as partes caóticas… valeram a pena. Porque me trouxeram até aqui, até nós dois.

Alguma coisa dentro de mim cedeu de vez.

Não era dúvida.

Não era medo.

Era a última muralha, a mais antiga, a mais teimosa, aquela que fingia que eu podia continuar existindo sem ele.

Mas eu não podia.

Eu sorri, acariciando o rosto dele com a delicadeza de quem guarda algo sagrado.

— Eu já tinha escolhido você desde o dia em que você me viu naquele palco.

O sorriso que nasceu nele foi humano, aberto, quase jovem.

E então ele me beijou outra vez.

Mais lento. Mais profundo. Um beijo de quem não precisava mais correr.

Os aplausos tinham acabado. As luzes diminuíam. O teatro voltava a ser apenas um prédio. Mas nada brilhava mais do que o homem que tinha aprendido a amar me segurando como se eu fosse o único caminho que ele desejava seguir.

E talvez eu fosse.

Quando nos afastamos, eu estava tremendo e inteira demais para caber em mim.

— Vamos para casa — ele sussurrou.

Eu não sabia que atravessar aquelas portas ao lado dele significava mais do que voltar para casa.

Significava nunca mais partir.

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