“Alguns homens dizem eu te amo. Os mais raros dizem: eu fico.”
Elena Rossi
Eu pensei que o pedido seria o instante mais inesquecível da minha vida. O tipo de momento que a gente guarda em uma caixa invisível dentro do peito e revisita sempre que precisa lembrar que milagres existem.
Eu ainda não sabia que o amor tinha planos maiores para nós. Planos silenciosos, pacientes, esperando a hora exata de se revelarem.
O teatro estava em silêncio.
Não o silêncio vazio de um lugar abandonado, mas o silêncio que servia como testemunha, como se cada poltrona, cada cortina, cada fileira de luzes tivesse parado para assistir ao que viria depois do espetáculo.
Eu ainda segurava a mão dele quando o aplauso indicando que a peça tinha terminado, ecoou pelo salão, preenchendo o espaço com um reconhecimento artificial que contrastava com a verdade brutal que acontecia entre nós. A história no palco se encerrava, obediente ao roteiro.
A nossa começava sem ensaio.
Damian se levantou devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar o encanto, mas não soltou meus dedos. Pelo contrário, segurou com mais firmeza, como se precisasse ter certeza de que eu continuava ali.
O anel brilhava na minha mão. Não era apenas bonito, era definitivo.
A safira verde parecia pulsar junto com meu coração, viva, quente, quase consciente da responsabilidade que carregava.
— Você planejou isso… tudo isso… — sussurrei, porque falar alto pareceria desrespeitar a grandiosidade do gesto.
Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo num ritmo que denunciava a coragem que aquela noite exigia. Pela primeira vez, o homem que comandava empresas, decisões e destinos parecia vulnerável.
— Eu não sabia como pedir — admitiu. — Nunca fiz isso antes. Nunca quis isso antes. Mas com você… — o olhar dele subiu para o meu, aberto, sem defesa — eu não queria errar.
Meu peito apertou de um jeito doce e devastador.
— Você não errou.
Ele tocou meu rosto com um cuidado quase reverente. O polegar limpou uma lágrima que eu nem tinha percebido que caía, traindo a enxurrada que acontecia dentro de mim.
— Eu queria que você visse — disse baixo — que a nossa história… até as partes caóticas… valeram a pena. Porque me trouxeram até aqui, até nós dois.
Alguma coisa dentro de mim cedeu de vez.
Não era dúvida.
Não era medo.
Era a última muralha, a mais antiga, a mais teimosa, aquela que fingia que eu podia continuar existindo sem ele.
Mas eu não podia.



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