“Depois de ser escolhida, eu descobri: o verdadeiro perigo é quando ele decide ficar.”
O teatro tinha testemunhado o pedido.
Mas a noite ainda guardava o que aconteceria quando ficássemos sozinhos.
Damian manteve a minha mão na dele enquanto caminhávamos para fora do teatro. As portas se abriram, como se até o mundo entendesse que algo sagrado tinha acontecido ali dentro.
O ar da noite nos envolveu, mas nada parecia mais concreto do que o peso do anel no meu dedo e o calor da palma dele na minha.
Entramos no carro sem pressa.
Eu encostei a cabeça no ombro dele, observando a cidade correr pela janela em riscos de luz, e a cada reflexo eu tinha a mesma certeza repetindo dentro de mim:
Ele me escolheu.
O braço dele me puxou para mais perto, e senti os seus lábios tocando meus cabelos.
— Você está calada — ele murmurou.
Sorri contra o tecido do paletó.
— Estou tentando memorizar tudo.
Ele beijou minha testa.
— Não precisa. Vou fazer questão de todos os dias te lembrar do quanto você é especial para mim.
Meu coração tropeçou.
Durante tanto tempo eu tinha vivido como quem atravessa dias emprestados, pisando devagar para não acordar o medo. Desde a morte dos meus pais, cada escolha tinha sido sobrevivência, cada passo calculado para proteger Sophia, para manter o pouco que ainda restava do nosso mundo de pé. E quando a doença dela chegou, tudo desmoronou de vez. Eu vendi a única coisa que acreditava possuir por amor… sem imaginar que, no meio da queda, encontraria o homem da minha vida. Mas ali, encostada nele, com a cidade passando em luzes pela janela, o futuro deixava de ser ameaça.
Virava convite.
Apertei o tecido do paletó entre os dedos, precisando ter certeza de que ele era real, de que não era mais um daqueles sonhos que desaparecem quando a gente tenta tocar.
— Todos os dias? — perguntei, quase em um sopro.
Ele inclinou a cabeça, roçando a boca nos meus cabelos de novo, demorando um segundo a mais, como se gostasse da ideia de repetir gestos simples.
— Todos — respondeu. — Até você cansar de ouvir.
Soltei uma risada leve.
Como se fosse possível ficar cansada de ser amada por ele.
O carro avançava pelas avenidas iluminadas e eu acompanhava os reflexos no vidro, vendo o brilho da safira piscar como um segredo recém-descoberto. Passei o polegar sobre a pedra, maravilhada, e senti o braço dele me apertar um pouco mais.
— Passei a noite inteira esperando fazer isso.
Meus braços se fecharam em volta do pescoço dele automaticamente, e o mundo virou movimento enquanto ele subia a escadaria comigo nos braços, firme, decidido, como se carregar o meu peso fosse o destino mais natural do mundo.
Meu coração batia descompassado e eu podia sentir o dele também.
As portas se abriram e o silêncio da casa nos recebeu, profundo, respeitoso, quase cúmplice. Damian não diminuiu o passo. Havia algo decidido na maneira como ele caminhava, como se cada degrau já soubesse exatamente para onde nos levar. Cada respiração carregava uma promessa, cada batida do meu coração respondia a ela.
Quando chegamos à porta do quarto, a mão dele subiu até a maçaneta e a girou devagar, como quem compreende o peso daquele instante.
Antes de entrarmos, os olhos dele encontraram os meus.
Escuros, quentes e carregados de tudo o que viria depois.
Ele me colocou de pé por um breve segundo, apenas o tempo necessário para empurrar a porta e fechá-la atrás de nós. O clique suave da fechadura soou definitivo, separando o que era mundo do que agora era apenas nosso.
E ali, envolvida pelo olhar dele, eu entendi.
O pedido tinha sido o começo.
Mas era ali, entre aquelas paredes, que Damian Cavallari pretendia cumprir cada promessa.

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