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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 146

“Depois de ser escolhida, eu descobri: o verdadeiro perigo é quando ele decide ficar.”

O teatro tinha testemunhado o pedido.

Mas a noite ainda guardava o que aconteceria quando ficássemos sozinhos.

Damian manteve a minha mão na dele enquanto caminhávamos para fora do teatro. As portas se abriram, como se até o mundo entendesse que algo sagrado tinha acontecido ali dentro.

O ar da noite nos envolveu, mas nada parecia mais concreto do que o peso do anel no meu dedo e o calor da palma dele na minha.

Entramos no carro sem pressa.

Eu encostei a cabeça no ombro dele, observando a cidade correr pela janela em riscos de luz, e a cada reflexo eu tinha a mesma certeza repetindo dentro de mim:

Ele me escolheu.

O braço dele me puxou para mais perto, e senti os seus lábios tocando meus cabelos.

— Você está calada — ele murmurou.

Sorri contra o tecido do paletó.

— Estou tentando memorizar tudo.

Ele beijou minha testa.

— Não precisa. Vou fazer questão de todos os dias te lembrar do quanto você é especial para mim.

Meu coração tropeçou.

Durante tanto tempo eu tinha vivido como quem atravessa dias emprestados, pisando devagar para não acordar o medo. Desde a morte dos meus pais, cada escolha tinha sido sobrevivência, cada passo calculado para proteger Sophia, para manter o pouco que ainda restava do nosso mundo de pé. E quando a doença dela chegou, tudo desmoronou de vez. Eu vendi a única coisa que acreditava possuir por amor… sem imaginar que, no meio da queda, encontraria o homem da minha vida. Mas ali, encostada nele, com a cidade passando em luzes pela janela, o futuro deixava de ser ameaça.

Virava convite.

Apertei o tecido do paletó entre os dedos, precisando ter certeza de que ele era real, de que não era mais um daqueles sonhos que desaparecem quando a gente tenta tocar.

— Todos os dias? — perguntei, quase em um sopro.

Ele inclinou a cabeça, roçando a boca nos meus cabelos de novo, demorando um segundo a mais, como se gostasse da ideia de repetir gestos simples.

— Todos — respondeu. — Até você cansar de ouvir.

Soltei uma risada leve.

Como se fosse possível ficar cansada de ser amada por ele.

O carro avançava pelas avenidas iluminadas e eu acompanhava os reflexos no vidro, vendo o brilho da safira piscar como um segredo recém-descoberto. Passei o polegar sobre a pedra, maravilhada, e senti o braço dele me apertar um pouco mais.

— Passei a noite inteira esperando fazer isso.

Meus braços se fecharam em volta do pescoço dele automaticamente, e o mundo virou movimento enquanto ele subia a escadaria comigo nos braços, firme, decidido, como se carregar o meu peso fosse o destino mais natural do mundo.

Meu coração batia descompassado e eu podia sentir o dele também.

As portas se abriram e o silêncio da casa nos recebeu, profundo, respeitoso, quase cúmplice. Damian não diminuiu o passo. Havia algo decidido na maneira como ele caminhava, como se cada degrau já soubesse exatamente para onde nos levar. Cada respiração carregava uma promessa, cada batida do meu coração respondia a ela.

Quando chegamos à porta do quarto, a mão dele subiu até a maçaneta e a girou devagar, como quem compreende o peso daquele instante.

Antes de entrarmos, os olhos dele encontraram os meus.

Escuros, quentes e carregados de tudo o que viria depois.

Ele me colocou de pé por um breve segundo, apenas o tempo necessário para empurrar a porta e fechá-la atrás de nós. O clique suave da fechadura soou definitivo, separando o que era mundo do que agora era apenas nosso.

E ali, envolvida pelo olhar dele, eu entendi.

O pedido tinha sido o começo.

Mas era ali, entre aquelas paredes, que Damian Cavallari pretendia cumprir cada promessa.

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