“Amar alguém é importante. Mas amar direito é o que nos torna família.”
Na família Cavallari, ninguém entra por amor.
Entra por merecimento.
Damian inclinou a cabeça, curioso.
— Acho que já está na hora de eu e sua irmã juntarmos as escovas.
O ar pareceu mudar. Não por tensão real, mas por aquela eletricidade deliciosa de uma decisão que finalmente é dita em voz alta.
Damian ficou um segundo imóvel, avaliando Alessandro como se estivesse diante de uma testemunha no tribunal. A sobrancelha subiu com lentidão, um gesto carregado de mil significados.
— Finalmente. — ele murmurou, e o tom foi tão seco que Alessandro chegou a rir.
— “Finalmente”? — Alessandro repetiu. — Eu pensei que você fosse querer me matar, ou me convidar para um duelo.
— Eu estava cogitando essa possibilidade. — Damian respondeu, sério, e isso só tornou tudo mais engraçado. — Eu apenas… demoro a aceitar que você realmente vai fazer o óbvio.
Alessandro apontou o dedo para ele, teatral.
— O óbvio para você é tudo muito fácil, né? Você pede uma mulher em namoro no meio de um teatro. Eu falo em escova de dente e você age como se fosse uma aquisição hostil.
Damian deu um gole no whisky e, sem perder o humor, soltou:
— Eu pensei que iria precisar te chamar para um duelo para defender a honra da minha irmã.
Alessandro arregalou os olhos, fingindo choque.
— Duelo? — repetiu, a mão no peito. — Você ia me desafiar com quê? Pistolas ao amanhecer? Espadas no jardim?
— A honra dela merece o melhor. — Damian respondeu, impassível.
Alessandro riu, caminhando até a janela de vidro que dava para a cidade. Lá embaixo, carros pareciam brinquedos, pessoas, pontos apressados. A vida seguia. E, ao mesmo tempo, ali dentro, decisões íntimas eram maiores do que qualquer prédio.
— Eu amo sua irmã. — Alessandro disse, sem olhar para trás. A frase veio baixa, quase casual, como se ele tivesse medo de torná-la frágil ao falar alto. — E eu sei que ela… — ele respirou. — Ela merece estabilidade. Um lar de verdade. Não essa coisa de “minha casa” e “sua casa” como se a gente estivesse sempre com um pé na porta.
Damian observou Alessandro por trás, e a expressão dele suavizou. Porque Damian sabia: Alessandro podia ser provocador, debochado, cheio de humor… mas quando amava, amava com lealdade. E lealdade, para homens como eles, era mais rara do que ouro.
— Ela também te ama. — Damian disse, direto. — E você sabe disso.
Alessandro assentiu devagar.
— Eu sei. — ele respondeu. E então sorriu, de canto, voltando ao Alessandro de sempre. — Mas eu também sei que você vai querer impor algumas regras.
— Vou. — Damian respondeu, sem hesitar.
Alessandro virou-se, rindo.
— Claro que vai.
Damian se aproximou, e agora os dois estavam frente a frente como dois predadores que se respeitam. O cunhado mediu Alessandro de cima a baixo.
— Primeira regra: você não faz minha irmã chorar.
Alessandro levantou as duas mãos, como se estivesse sendo preso.
— Eu não faço.
— Segunda: você não some quando as coisas ficarem difíceis.

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