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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 158

“Permanecer também é uma forma de amor.”

Elena Rossi

Existem dias em que a gente para de sobreviver.

E começa, finalmente, a viver.

O sol da tarde ainda era generoso quando nós desistimos de fingir que conseguiríamos continuar dentro de casa.

O calor pedia água, sombra e algum tipo de honestidade que talvez só existisse quando ninguém estava tentando impressionar ninguém.

A piscina refletia o céu como um espelho vivo. A superfície azul tremia devagar, convidativa, e Beatrice foi a primeira a entrar, prendendo o cabelo no alto da cabeça antes de mergulhar os pés e suspirar como se tivesse encontrado a solução de todos os problemas do mundo.

Eu entrei logo depois.

A água subiu pelo meu corpo em um abraço fresco, tirando de mim um cansaço que eu nem tinha percebido que carregava. Por um momento, fechei os olhos e deixei que o silêncio existisse.

No jardim, Sophia corria atrás de Spok.

O filhote ainda tropeçava nas próprias patas, valente demais para o tamanho que tinha, enquanto ela ria, chamando por ele como se o nome fosse um feitiço capaz de mantê-lo sempre por perto.

De vez em quando, ela olhava para nós como quem precisa confirmar que a felicidade continuava ali.

Beatrice apoiou os braços na borda da piscina e me observou com atenção suspeita demais para ser casual.

— Então — ela disse, desenhando a palavra com prazer. — você vai me contar ou prefere que eu adivinhe?

Eu sabia exatamente do que ela estava falando, mas tentei fingir que não.

— Contar o quê?

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Elena Rossi, eu ouse abusar da minha inteligência. O meu irmão organiza um pedido de namoro cinematográfico e você quer me poupar dos detalhes? E outra coisa, você está com uma cara de que fez algo inusitado durante a madrugada e não venha com coisas óbvias e comuns.

Eu ri, sentindo o rosto aquecer apesar da água fria.

— Não aconteceu nada.

Beatrice gargalhou.

— Ótimo. Então esse brilho nos seus olhos é febre. Vamos chamar um médico.

Balancei a cabeça, mas o sorriso me traiu.

Era impossível não lembrar de tudo o que tinha acontecido desde ontem a noite. O teatro, a peça, o pedido de namoro, a maneira que nos amamos, como nos entregamos sem ressalvas e medos…

Beatrice se aproximou um pouco mais.

— Ele pediu direito? — perguntou, agora com curiosidade genuína.

Respirei fundo respondendo com um sorriso largo.

— Pediu.

— E?

Eu mordi o lábio, sentindo a memória me percorrer como um arrepio.

— Eu disse sim.

Ela bateu as mãos na água, comemorando.

— Finalmente! Ai meu Deus agora é oficial, você é minha cunhada!

— Ele te ama de verdade, Elena. Te ama como nunca amou ninguém antes.

Senti o coração estremecer com aquela constatação.

— Eu também o amo — respondi, mais para mim do que para ela.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, observando Sophia e o cachorro inventando um mundo particular no jardim.

Beatrice então inclinou a cabeça.

— Você está feliz?

A pergunta era simples. Mas a resposta carregava tudo. Olhei para a casa. Para o lugar que tinha deixado de ser passagem e virado permanência.

— Estou — falei.

E pela primeira vez não tive medo depois da palavra.

Beatrice sorriu, satisfeita, como quem presenciou uma vitória pessoal.

— Então aproveita — disse. — Porque homens como meu irmão, quando escolhem, escolhem para sempre.

Eu observei Sophia correr na direção da gente, Spok atrás, desajeitado, determinado a nunca ficar distante demais.

E pensei que talvez Beatrice estivesse certa. Talvez eu tivesse, finalmente, parado de esperar a queda.

Talvez agora eu pudesse apenas viver.

Mas, enquanto saía da piscina para receber o abraço apertado da minha irmã e o latido eufórico do cachorro, uma certeza doce se acomodou dentro de mim.

Se amar era ficar… então eu já estava em casa.

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