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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 16

Elena Rossi

Eu mal conseguia respirar quando a porta da cabine se fechou atrás de mim, abafando o cheiro de café e o peso do olhar dele. Minhas mãos tremiam, meu estômago ainda estava embrulhado e a voz dele ainda ecoava dentro da minha cabeça.

“Você tenta ser forte… mas está longe disso esta manhã.”

Eu forcei passos pelo corredor, mas foi Lara quem percebeu antes que eu mesma admitisse.

— Elena? — sua voz soou baixa, gentil, quase quebrando a casca dura que eu estava tentando sustentar. — Você está pálida… o que aconteceu lá dentro?

Lara percebeu antes mesmo que eu entendesse. A maneira como meus ombros tremiam, como minha respiração ficava presa no meio do peito, como eu tentava manter a postura… e falhava.

Ela se aproximou devagar, passo a passo, como quem se aproxima de um animal ferido que ainda tenta mostrar os dentes.

— Ei… — ela murmurou, tocando meu braço com a ponta dos dedos, suave como um pedido de permissão. — Vem comigo.

Antes que eu pudesse protestar, ela entrelaçou seus dedos nos meus e me puxou para um corredor lateral, passando rapidamente por trás de uma divisória de vidro fosco. Um espaço estreito, silencioso, protegido do mundo, como se tivesse sido criado exatamente para momentos como aquele. A luz azulada que vazava de uma luminária no teto deixava tudo mais frio, mais íntimo, mais real.

Assim que ficamos ali, sozinhas, o resto do meu autocontrole simplesmente… quebrou.

Lara deu um passo à frente e eu dei um passo para trás, mas meu corpo não se sustentou.

— Elena… — ela chamou, firme e suave ao mesmo tempo e isso foi suficiente.

Minha força, aquela que eu insistia em carregar como se fosse uma armadura, simplesmente cedeu.

Minhas mãos caíram ao lado do corpo, meu queixo tremeu, e então… eu desmoronei.

Meu corpo foi para a frente sem que eu conseguisse impedir, como se buscasse abrigo instintivamente, e Lara me envolveu com os braços antes que eu realmente caísse. Ela me segurou com firmeza, como se fosse capaz de costurar todas as rachaduras que eu guardava só para mim.

— Deixa vir… — ela sussurrou contra meu cabelo. — Põe pra fora, você vai se sentir melhor.

E eu chorei.

Chorei como quem finalmente solta um peso que carregava há dias, meses, talvez anos. Chorei escondendo o rosto no ombro dela enquanto a luz azulada tremulava, dando ao momento um tom quase triste demais para existir.

Mas existia e era meu.

— Ele… ele me olha como se eu fosse algo que ele pode quebrar quando quiser — minha voz saiu trêmula, rasgada. — Eu tento… eu tento ser forte, mas ele sempre… sempre enxerga tudo. Tudo.

Lara suspirou fundo, segurando meus ombros com firmeza, os olhos atentos aos meus, como se quisesse me ancorar de volta ao mundo.

— Elena… — ela começou com uma calma que não combinava com o tremor que eu ainda sentia no peito. — ninguém seria forte naquela mesa. Ninguém. O senhor Cavalari é… intenso. Ele pressiona, testa, provoca. É o jeito dele.

Eu fechei os olhos, sentindo outra lágrima quente escorrer pela minha pele.

— Eu não deveria ter medo dele — murmurei. — Mas eu tenho.

Lara se inclinou um pouco, trazendo meu rosto entre as mãos, obrigando-me a encará-la.

— Ter medo não te faz fraca. A forma como você continua de pé… isso é força, Elena. Não esqueça o verdadeiro motivo de estar aqui.

Eu respirei fundo, mas o ar saiu tremido.

— Ele… ele é cruel, Lara. Ele tem prazer em me ver quebrada. Em me reduzir. Em me lembrar que minha vida não me pertence mais. Ele faz questão de deixar claro que eu sou apenas… uma mercadoria barata.

Lara apertou meus ombros, como quem segura alguém prestes a despencar.

— Damian Cavalari… — ela disse em um suspiro, como quem fala de um enigma — é um homem machucado. Um homem que se esconde atrás das próprias sombras porque aprendeu que o mundo não perdoa a vulnerabilidade. Mas, Elena… por mais que ele tente esconder… no fundo, ele se importa.

Eu soltei uma risada curta, debochada, amarga.

— Ele não se importa, Lara. — ergui o queixo, limpando uma lágrima com a mão trêmula. — Duvido até que tenha coração. Homens como ele usam o poder para humilhar, para destruir. Damian é um monstro.

Lara sorriu, mas foi um sorriso pequeno, quase triste.

— Talvez seja. — ela admitiu. — Mas até mesmo monstros se apaixonam, Elena.

Capítulo 16 - Onde a Dama Desaba e o Rei Assiste 1

Capítulo 16 - Onde a Dama Desaba e o Rei Assiste 2

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