“Às vezes, o perigo não entra gritando. Ele se aproxima sorrindo.”
Elena Rossi
Existem dias que começam leves demais para que você desconfie do que está prestes a acontecer, e talvez seja exatamente essa leveza que torna o impacto ainda mais cruel quando o destino resolve interromper a tranquilidade com um sorriso educado demais para ser inocente.
Havia algo deliciosamente animador em caminhar ao lado de Beatrice quando ela estava envolvida com o museu, porque naquele espaço ela deixava de ser apenas uma Cavallari e se tornava uma mulher apaixonada por arte, por impacto social, por fazer algo que realmente deixasse marcas no mundo além das cifras.
Sophia, naquela manhã, havia decidido permanecer em casa com Spok, alegando com absoluta seriedade que tio Damian havia confiado a ela uma missão especial de altíssima importância e que, sob nenhuma circunstância, ela poderia falhar, o que me fez sorrir com ternura ao perceber que, mesmo sem perceber, Damian já ocupava no coração dela o lugar de herói silencioso.
— Ela levou isso mais a sério do que qualquer conselho administrativo — comentei enquanto atravessávamos o hall principal do museu, observando funcionários organizando peças, ajustando iluminação e conferindo listas com atenção quase cerimonial.
Beatrice riu com aquele entusiasmo espontâneo que sempre me desarmava.
— Quando Damian dá uma missão, até eu obedeço — respondeu, piscando para mim como se compartilhássemos um segredo que o mundo ainda não compreendia.
Caminhamos pelas galerias enquanto ela cumprimentava funcionários, explicava detalhes de uma nova exposição e, com uma naturalidade quase orgulhosa, me apresentava repetidas vezes com a mesma palavra que ainda fazia meu coração acelerar de maneira levemente embaraçosa.
— Essa é minha cunhada.
A palavra ecoava com peso e doçura ao mesmo tempo, e eu sorria, tentando parecer composta enquanto por dentro algo florescia com intensidade inesperada.
Percebi, contudo, que nem todos os olhares eram neutros.
Alguns eram curiosos, outros eram avaliativos. E alguns, discretamente decepcionados.
Beatrice notou antes de mim, inclinando-se levemente enquanto caminhávamos pela ala contemporânea.
— Está vendo aquelas duas perto da escultura de vidro?
Segui seu olhar com discrição calculada.
Duas mulheres elegantes, bem vestidas demais para serem apenas visitantes ocasionais, conversavam baixo enquanto lançavam olhares quase involuntários na nossa direção.
— Estou.
Beatrice segurou o riso com dificuldade.
— Elas tinham esperança de que, em algum momento, Damian resolvesse notar uma delas.
Senti algo apertar dentro do peito com rapidez quase instintiva.
— Tinham?
— Museus são ambientes perigosos quando há homens ricos e solteiros circulando — ela respondeu com leveza divertida.
Sem conseguir evitar, fiz uma expressão que misturava indignação e posse.
— Ele já tem dona.
Beatrice gargalhou alto, sem qualquer intenção de disfarçar.


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