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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 169

“O perigo raramente chega gritando. Ele se aproxima educado, observa em silêncio… e espera.”

Elena Rossi

Há encontros que não precisam de apresentação para deixarem marcas, porque o corpo reconhece a ameaça antes mesmo que a mente consiga nomeá-la.

Quando Beatrice retornou pelo corredor do restaurante, ajeitando a bolsa no ombro e sorrindo com aquela leveza despreocupada que sempre parecia iluminar o ambiente ao redor dela, eu já havia recuperado a postura e recomposto a expressão, mas não consegui impedir que seus olhos atentos percebessem o que eu tentava esconder.

Ela diminuiu o passo à medida que se aproximava da mesa, e o sorriso perdeu um pouco da espontaneidade ao encontrar meu rosto.

— Elena… — disse com cuidado, inclinando-se levemente. — Você está pálida. Aconteceu alguma coisa?

Eu respirei fundo antes de responder, sentindo o esforço consciente de manter a voz estável enquanto minhas mãos permaneciam apoiadas sobre a bolsa, como se precisassem de algo físico para não denunciarem o leve tremor que ainda me percorria por dentro.

— É só um mal-estar, acho que é o calor. — respondi, oferecendo um sorriso que se sustentava mais pela vontade do que pela convicção.

O restaurante estava perfeitamente climatizado, o que tornava minha desculpa frágil demais para ser convincente, mas Beatrice, embora me encarasse com atenção e uma preocupação evidente nos olhos, decidiu não pressionar.

Ela sustentou meu olhar por alguns segundos, como se estivesse avaliando até onde deveria insistir, e então suavizou a expressão.

— Então vamos embora. — disse, retomando o tom leve. — Maria comentou que vai preparar um jantar especial hoje à noite, e eu estou morrendo de saudade da minha princesinha Sophia.

Eu ri, desta vez com um pouco mais de naturalidade, ainda que por dentro o desconforto permanecesse como uma sombra silenciosa.

Levantei-me da cadeira com cuidado, ajustando o vestido e segurando a bolsa com firmeza, e antes de me afastar da mesa permiti que meu olhar, quase involuntariamente, deslizasse pelo restaurante em busca de qualquer sinal da mulher que havia se aproximado de mim.

Não a vi.

Nenhuma silhueta. Nenhum cabelo castanho refletindo a luz. Nenhum olhar cruzando o meu.

O ambiente parecia absolutamente normal, como se aquele encontro tivesse sido apenas um detalhe irrelevante dentro de um almoço comum.

Mas o arrepio que havia subido pela minha espinha não tinha sido imaginação.

Caminhei ao lado de Beatrice até o carro, mantendo a postura ereta, o sorriso educado, enquanto ouvia ela contar animada sobre o evento beneficente da próxima sexta-feira, sobre como iria homenagear a mãe e o quanto estava feliz.

Se fosse realmente Valentina, ela não teria se aproximado por engano. Ela teria se aproximado por escolha.

E a diferença entre acaso e intenção é o que define o início de uma guerra silenciosa.

Encostei a cabeça levemente no banco, respirando fundo, tentando racionalizar o que talvez fosse apenas um encontro trivial, mas algo dentro de mim se recusava a aceitar essa explicação confortável.

Porque o sorriso daquela mulher não era curioso, nem simpático.

Era avaliativo.

E enquanto o carro avançava pelas ruas iluminadas pela tarde, eu tive a nítida e inquietante percepção de que aquele encontro não havia sido o fim de nada.

Havia sido o primeiro movimento. E quando uma mulher olha para o seu anel como se estivesse calculando o tempo que ele permanecerá ali, você não está diante de uma coincidência.

Você está diante de alguém que já decidiu agir.

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