“Existem guerras que se vencem com estratégia.
E existem noites em que o homem mais poderoso do mundo
só quer voltar para casa…
e deitar ao lado da única mulher que o desarma.”
Damian Cavallari
A guerra pode esperar algumas horas. Ela sempre pode. Porque guerras exigem mente fria, cálculo, paciência e eu tenho tudo isso.
Mas existem momentos em que o peso da gravata incomoda mais do que qualquer adversário. Em que a assinatura de contratos não satisfaz. Em que o silêncio de um escritório luxuoso é apenas… vazio.
Porque antes de ser estrategista, antes de ser presidente, antes de ser o homem que move impérios e faz mercados oscilarem com uma decisão, eu sou o homem que volta para casa.
E naquela noite, eu precisava voltar.
Quando estacionei na garagem, a casa estava silenciosa demais, não aquele silêncio sereno de uma noite tranquila, mas o tipo de quietude tensa que faz você ficar alerta antes mesmo de saber o motivo. Meu olhar percorreu automaticamente os cantos escuros, avaliando sombras, instintivamente atento.
Abri a porta com cuidado, as luzes da sala estavam completamente apagadas, e a casa estava mergulhada naquela penumbra suave, cortada apenas pela luz distante da rua que atravessava as janelas. Depositei as chaves sobre a mesa de entrada, o som metálico ecoou baixo no ambiente vazio, mais alto do que deveria.
Esperei ouvir passos.
Nada.
Não vi Maria ou qualquer outra empregada. Subi as escadas devagar, sentindo o cansaço do dia pesar nos ombros como um casaco invisível. Passei a mão pelo cabelo, soltando um suspiro que só existe quando ninguém está olhando.
A porta do quarto estava apenas encostada, eu a empurrei com cuidado e sorri ao encontrar Elena adormecida na nossa cama. Ela estava abraçada ao meu travesseiro como se, na minha ausência, ele ocupasse o meu lugar, como se aquele pedaço de algodão tivesse recebido a missão temporária de substituí-me.
Meu peito apertou com uma ternura quase dolorosa.
Seus cabelos ruivos se espalhavam pelo lençol branco como uma chama suave, destacando-se sob a luz pálida da noite que atravessava a cortina. Seu rosto estava sereno, os lábios levemente entreabertos, e o peito subia e descia em um ritmo calmo e constante. Havia uma linha de confiança ali, na forma como ela dormia, confiança em mim, na casa, na segurança que construí ao redor dela.
E isso… isso é maior do que qualquer império.
Entrei no quarto em silêncio, fechando a porta atrás de mim com delicadeza. Tirei o paletó, o jogando sobre a poltrona, afrouxei a gravata, desfiz o nó devagar como se estivesse me despindo também do dia inteiro, das decisões, dos nomes, das ameaças. Os sapatos ficaram alinhados ao lado da cama, organizados como tudo na minha vida.
Me aproximei devagar, sentando na beirada do colchão com cuidado, observando-a por alguns segundos como se estivesse confirmando que era real, que estava ali, que aquele era o seu lugar.
Ela não abriu os olhos, mas um leve sorriso surgiu no canto da boca quando me inclinei e depositei um beijo demorado no seu pescoço, sentindo a pele quente sob meus lábios e o seu perfume que tanto me enlouquecia. Eu fechei os olhos por um segundo, permitindo que aquele cheiro apagasse qualquer resquício do mundo lá fora.
Os braços dela se ergueram lentamente, ainda de olhos fechados, envolvendo meu pescoço com uma naturalidade íntima, puxando-me para perto. Os lábios buscaram os meus com aquela certeza doce de quem já reconhece o toque antes mesmo de acordar completamente.
— Você demorou… — ela murmurou contra minha boca, com a voz rouca de sono.


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