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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 18

Elena Rossi

A cada passo pelo corredor até a sala de jantar, meu coração subia pela garganta como se tentasse escapar antes de mim. O relógio marcava 19h59, pontualmente como ele exigiu.

O vestido que eu escolhi para o jantar, era um verde esmeralda, tão intenso quanto a cor dos meus olhos. A seda abraçava minha cintura, caía com elegância até os pés e se abria numa fenda discreta, provocante o bastante para ser notada, sutil o bastante para ser arma. Meus cabelos ruivos estavam presos num coque baixo, deixando meu pescoço exposto.

Frágil, tentador, ridiculamente vulnerável. Mas eu queria que ele visse isso. Não iria demonstrar como me sentia por dentro, iria dar a ele exatamente o que ele desejava. Uma mercadoria.

Quando a porta deslizou, ele estava lá.

De pé, imóvel, à minha espera. Como se soubesse exatamente o tipo de jogo que eu tinha decidido jogar e como se estivesse pronto para vencê-lo antes mesmo de começar. Mas nada no mundo me preparou para a visão dele naquele momento.

Damian Cavalari não era apenas bonito, nem elegante ou perigoso. Ele era o tipo de homem que rouba o fôlego de qualquer mulher que tenha sangue correndo nas veias.

A camisa preta moldava cada linha do peito e dos ombros como se tivesse sido costurada diretamente na pele dele. A gola entreaberta revelava a clavícula, uma linha forte, masculina, absurdamente atraente.

Os cabelos estavam arrumados com precisão cruel, e aquele leve desalinho proposital deixava tudo pior. Mais intenso, mais proibido.

Mas os olhos… Meu Deus, os olhos. Os olhos de Damian Cavalari eram outra coisa. Outra categoria, outro nível de perigo.

Azuis, intensos, afiados como lâminas e quentes como um incêndio. Quando se encontraram com os meus, eu simplesmente esqueci de respirar por um segundo inteiro, esqueci como pisar, esqueci meu nome, meu propósito, minha força.

Eu só via ele.

Um homem que não apenas dominava a sala. Dominava o ar, o espaço entre nós e a mim.

Seu olhar percorreu meu corpo lentamente, como uma mão invisível descendo da minha garganta até meus tornozelos, subiu e se prendeu na fenda do meu vestido, subiu mais e parou no meu pescoço exposto e depois na minha boca.

— Chegou. — ele disse, com a voz baixa o suficiente para obrigar meus pulmões a obedecerem.

— Como pediu. — respondi, mas minha voz tremeu antes que eu pudesse controlar.

A mesa estava posta como uma obra de arte, mas não importava. Só existiam dois lugares, dois pratos, dois jogadores.

Ele caminhou até a minha cadeira e a puxou para mim. Um gesto cortês, sutil e ao mesmo tempo, aterrorizante.

Quando me sentei, ele ficou atrás. Tão perto que o calor dele tocou minha nuca exposta antes mesmo de o ar se mover. O perfume exalado por ele, uma mistura de madeira e whisky, envolveu meu corpo inteiro.

Eu quis me afastar e me aproximar ao mesmo tempo. Depois de uns segundos, que mais pareceram horas, começamos a comer em silêncio. Mas ele não comia, ele me observava. O olhar dele deslizava pela curva do meu ombro, a linha do pescoço, os fios soltos do meu cabelo, meus lábios quando eu levava o garfo até eles… Eu estava nua para aqueles olhos.

— Está tensa. — disse, sem suavidade.

— Eu… eu não estou. — menti.

Damian entrelaçou os dedos e inclinou a cabeça, estudando cada microexpressão minha.

— Você respira como quem tenta parecer firme diante de algo que já a derrubou, Elena.

Meu sangue gelou.

— O senhor está tentando me assustar? — perguntei, mais rápido do que deveria.

Ele sorriu de maneira lenta e cruel.

— Não. Eu não tento assustá-la. Eu simplesmente… sou assim.

Ele tomou vinho sem desviar os olhos.

— Irrito? — sussurrei com dificuldade.

— Sim. Porque tenho dificuldade de aceitar seres indecifráveis e você é exatamente assim.

Ele moveu a mão devagar, eu não vi, apenas senti quando seus dedos tocaram meu braço exposto. Foi um toque leve, lento, quente demais. Meu corpo arqueou involuntariamente em busca de mais e um arrepio subiu pela minha espinha explodindo na base da minha nuca. E antes que conseguisse controlar, um som escapou da minha boca, um suspiro curto, quase um gemido.

E Damian sorriu atrás de mim, pude sentir o sorriso dele contra a minha pele.

— Sensível ao toque… — ele murmurou. — Interessante.

Minha respiração ficou irregular. Ele deslizou a mão até o cotovelo, desenhando minha pele com a ponta dos dedos.

Eu virei o rosto para ele devagar, trêmula e nossos lábios ficaram perto demais. A respiração dele misturou com a minha, o nariz tocou o meu. Ele aproximou mais e então parou e sussurrou:

— Ainda não. — disse, com voz baixa e feroz. — Eu decido a próxima jogada.

Eu abri os olhos e o encarei com a respiração ofegante, desejando algo que eu nem devia querer.

Ele passou a língua pelo próprio lábio, como quem se pune.

— Vá descansar, Elena. Amanhã voltaremos, tenho uma reunião importante. — e se afastou.

Me levantei trêmula, mas antes de sair, olhei por cima do ombro.

Ele ainda estava lá me devorando com os olhos. Como se eu fosse a dama que coloca o rei em xeque- mate e ele não sabia se ele deveria fugir ou me capturar.

E pela primeira vez desde que entrei naquele iate eu entendi que não estava apenas diante de um homem poderoso que tinha me comprado. Estava diante da queda inevitável. Porque por mais que eu lutasse, algo nele me atraia de uma maneira assustadora. E eu sabia, que no momento exato em que eu me entregasse a ele, estaria lhe dando muito mais do que meu corpo e esse seria meu maior erro.

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