“Família não é apenas quem segura sua mão nos dias difíceis, mas quem veste um pijama de panda apenas para garantir que você vá dormir sorrindo.”
O mundo conhece o homem que comanda conselhos.
Mas naquela noite, ele vestiu um pijama de panda.
A sala de cinema particular da mansão estava preparada com um cuidado quase cerimonial, como se aquela noite não fosse apenas mais uma sessão de filme em casa, mas um pequeno ritual íntimo criado exclusivamente para guardar lembranças que, no futuro, seriam revisitadas com ternura.
As luzes estavam baixas o suficiente para deixar o ambiente acolhedor, pequenos pontos dourados espalhados pelas laterais da parede criavam uma atmosfera mágica, e o sofá-cama havia sido aberto e coberto com mantas felpudas e almofadas macias demais para serem ignoradas, enquanto sobre a mesinha central repousava uma tigela generosa de pipoca recém-feita e potes de sorvete que prometiam não sobreviver à primeira metade do filme.
Sophia apareceu primeiro no corredor, correndo com aquela energia impossível de conter, os passos apressados ecoando levemente pelo piso antes que ela surgisse na entrada da sala.
— Lena! Olhaaa!
Elena veio logo atrás, rindo antes mesmo de atravessar completamente o batente, porque a própria empolgação da irmã era contagiante demais para permitir qualquer postura séria.
Sophia usava um macacão felpudo de panda que parecia ter sido feito sob medida para a energia contagiante que ela carregava. O tecido macio envolvia todo o corpo, e o capuz, adornado por pequenas orelhinhas redondas, balançava cada vez que ela se movia. Na parte de trás, uma caudinha fofa completava o conjunto, transformando-a numa versão particularmente animada do animal.
Elena, por sua vez, vestia uma versão um pouco diferente do mesmo tema. O pijama dela era composto por um short curto preto, salpicado por pequenas patinhas brancas, e uma camisa de mangas compridas igualmente felpuda, com o rosto redondo de um panda estampado no centro. O capuz da camisa também tinha orelhinhas macias que se erguiam levemente sobre os cabelos ruivos espalhados pelos ombros, criando um contraste delicado entre o tom vibrante dos fios e o branco e preto do tecido.
Apesar das diferenças, as duas claramente pertenciam ao mesmo universo estético.
Sophia rodopiava no meio da sala com um entusiasmo quase teatral, fazendo o macacão girar junto com ela enquanto erguia os braços como se estivesse em plena passarela.
— A gente combina perfeitamente! — anunciou com orgulho absoluto, abrindo os braços como quem apresenta ao mundo a maior conquista estética da história da humanidade.
Elena colocou as mãos na cintura, tentando parecer séria apesar do sorriso que insistia em curvar seus lábios.
— Somos oficialmente o clã dos Pandas.
— Pandas ninja! — Sophia corrigiu imediatamente, subindo no sofá com um pulo exagerado.
Foi exatamente nesse instante que a porta da sala se abriu de maneira lenta e deliberadamente dramática, como se alguém tivesse ensaiado aquela entrada com a intenção clara de causar impacto.
Passos firmes ecoaram pelo corredor.
Não eram passos apressados, nem leves. Eram seguros e calculados. Um suspense perfeitamente construído, como se alguém soubesse exatamente o impacto que estava prestes a causar.
Sophia interrompeu o que estava dizendo no meio da frase. Elena ergueu o olhar lentamente na direção da porta, já desconfiada daquele tipo específico de silêncio dramático que sempre precedia uma entrada triunfal.
Damian atravessou o vão com uma postura absolutamente incompatível com o que estava vestindo.
Um pijama de panda.
Short preto com pequenas patinhas estampadas e uma camisa branca com o rosto redondo do animal estampado no centro.
Por um segundo inteiro, o tempo simplesmente parou. Sophia piscou duas vezes e Elena levou a mão à boca.
— TIOOOOOOOO DAMIAN! — Sophia gritou, como se tivesse acabado de presenciar o evento mais extraordinário da história da humanidade.
Ela correu na direção dele e se lançou sem qualquer aviso, e Damian a segurou no ar com facilidade, girando-a enquanto o riso dele preenchia a sala.
— Eu não poderia permitir que vocês fossem a única espécie dominante nesta casa esta noite — declarou com falsa solenidade. — Precisamos manter o equilíbrio ecológico.
Sophia estava gargalhando, agarrada ao pescoço dele.
— Você é o panda chefe!
Elena ainda não tinha conseguido falar. Os olhos dela estavam marejados. Não por causa do pijama, mas porque ela reconheceu o gesto. Ele tinha escolhido estar ali. Escolhido entrar naquele pequeno universo feminino sem hesitar.
E aquilo a atingiu com uma força inesperada.
Elena deu um passo na direção deles, ainda em silêncio, absorvendo a cena como quem guarda um tesouro que sabe ser raro. A forma como ele segurava Sophia com facilidade, a gargalhada solta, a teatralidade exagerada, tudo aquilo era tão genuíno que chegava a doer.
— Você é o panda chefe! — Sophia repetiu, ainda agarrada ao pescoço dele.
Damian inclinou a cabeça com falsa seriedade.
— Responsabilidade pesada, mas eu assumo.
Elena finalmente respirou fundo.
— Eu não acredito nisso… — murmurou, com a voz levemente embargada apesar do sorriso.
Damian percebeu.
Os olhos dele encontraram os dela por cima do ombro de Sophia, e a expressão brincalhona suavizou apenas um pouco, o suficiente para que ela entendesse que aquele gesto não era apenas piada.
Era uma escolha.
Ele colocou Sophia no chão com cuidado e caminhou até Elena, com um sorriso no rosto.
— O que foi? — perguntou em tom leve, mas com os olhos atentos.
Ela balançou a cabeça, rindo baixinho.

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