“Há homens que protegem os reinos.
E há homens que escolhem proteger risadas.
Os raros fazem os dois.”
Sophia observava tudo com uma atenção que ia muito além da simples empolgação infantil. Não era apenas curiosidade, havia ali um tipo de percepção silenciosa, quase intuitiva, aquela habilidade rara que algumas crianças possuem de enxergar sentimentos que os adultos fingem não perceber.
Naquela noite, enquanto o brilho suave da tela iluminava o rosto dos três e o cheiro doce de pipoca ainda pairava no ar, ela tinha plena consciência de que estava presenciando algo maior do que uma simples brincadeira com pijamas de panda.
Cruzou os braços devagar, assumindo uma expressão que misturava autoridade recém-descoberta com um senso de responsabilidade quase teatral, como se estivesse prestes a interromper uma reunião diplomática de altíssimo nível.
— Vocês estão esquecendo que o panda chefe tem responsabilidades.
A frase saiu com um peso cômico que não combinava com o tamanho dela, mas que, de alguma forma, se encaixou perfeitamente naquele pequeno universo íntimo que os três haviam criado naquela sala.
Damian se virou imediatamente, como se tivesse sido convocado para uma audiência oficial.
— Claro — respondeu, endireitando a postura com falsa solenidade. — Liderança exige presença ativa.
Ele chegou a dar um passo na direção do sofá-cama onde Sophia já aguardava com expectativa, mas parou antes de seguir.
Porque Elena ainda estava parada.
Sem pressa, Damian ergueu as mãos e segurou o rosto dela com delicadeza roçando os polegares devagar sobre as maçãs do rosto ainda rosadas. Era um gesto íntimo demais para o meio daquela cena cômica, mas ao mesmo tempo tão natural que parecia simplesmente… inevitável.
Ele inclinou um pouco a cabeça.
— Eu gosto quando a gente é equipe — murmurou, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse.
Não foi uma frase grandiosa, nem uma declaração dramática.
Foi simples. E justamente por isso atingiu Elena com mais força. Ela sentiu o coração acelerar dentro do peito e a sensação de pertencimento tomou conta de si. Porque o homem, que vestia um pijama de panda apenas para garantir que duas mulheres importantes para ele terminassem a noite sorrindo, não era o homem que o mundo conhecia. Nem o CEO que tomava decisões capazes de mover mercados inteiros com uma única assinatura.
Não era o estrategista frio que antecipava movimentos empresariais antes mesmo que seus adversários percebessem o erro que haviam cometido.
Não era o Cavallari temido, respeitado, calculado.
Era o dela.
E naquele instante silencioso e profundamente doméstico, Elena teve a certeza de que dividir o mundo com ele seria fácil. Ela poderia caminhar ao lado do empresário, do homem poderoso, do nome que carregava peso em qualquer sala.
Mas dividir aquele lado leve, generoso, desarmado, quase infantil…
Aquilo era privilégio.
Sophia, impaciente com aquela pausa emocional que não conseguia nomear, mas claramente sentia, puxou a mão de Damian.
— Vem, panda chefe! O filme vai começar!
Damian piscou para Elena num gesto rápido, cúmplice, antes de permitir que Sophia o arrastasse até o sofá-cama com entusiasmo renovado.
Elena ficou parada por um segundo a mais do que deveria observando os dois.
O short de panda balançava levemente a cada passo firme de Damian. A gargalhada de Sophia ecoando pela sala com uma liberdade que raramente existia fora daqueles muros. E a mão dela ainda repousava sobre o próprio peito, tentando conter a emoção quente que subia inesperadamente pela garganta.
Porque alguns homens constroem impérios. Mas poucos sabem descer do trono para sentar no sofá-cama da sala, vestindo um pijama de panda, apenas para fazer parte.
Sophia já estava instalada no sofá-cama quando Elena finalmente se aproximou. A menina abriu os braços como se estivesse conduzindo uma cerimônia oficial.
— FILMEEEEE!
Poucos minutos depois, os três estavam acomodados sob o mesmo cobertor largo, o tecido pesado cobrindo pernas e pés e criando um pequeno território aquecido dentro da sala escurecida.
Sophia ocupava o centro com naturalidade absoluta, como se aquele sempre tivesse sido o lugar que lhe pertencia.

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