“Alguns homens constroem impérios. Outros constroem lares. Os raros conseguem fazer os dois.”
Algumas noites não mudam o mundo.
Mas mudam tudo dentro de um homem.
O filme ainda iluminava a sala com cores vibrantes quando Damian percebeu que Elena tinha adormecido completamente em seu ombro. A respiração dela havia se tornado lenta, regular, e a cabeça repousava em seu ombro com aquela confiança absoluta de quem finalmente permite ao corpo descansar sem medo.
Ele abaixou o olhar.
Os fios ruivos escapavam do capuz de panda, espalhados sobre o tecido do próprio pijama dele, e por um instante Damian simplesmente ficou ali, observando.
Como se estivesse memorizando.
Sophia, que fingia atenção total ao filme, também percebeu. Aqueles olhos verdes atentos demais para a idade se voltaram para o tio, e um pequeno sorriso nasceu em seus lábios quando ele inclinou levemente o rosto na direção de Elena.
O gesto que veio depois foi quase automático.
Damian se afastou o suficiente para deslizar um braço sob as costas dela e o outro sob suas pernas, erguendo-a do sofá-cama com a naturalidade de quem carrega algo precioso demais para ser deixado ali.
Elena murmurou algo inaudível e acomodou o rosto contra o peito dele, ainda vestindo o pijama de panda que tornava toda aquela cena absurdamente adorável. Sophia se sentou no sofá, observando cada passo enquanto Damian caminhava em direção ao corredor.
Ele entrou no quarto iluminado apenas pela luz suave do abajur e depositou Elena na cama com delicadeza, ajeitando o travesseiro sob sua cabeça antes de afastar os fios ruivos que haviam caído sobre seu rosto.
Por alguns segundos ele apenas ficou ali observando a paz estampada nos traços dela, o peito subindo e descendo devagar, como se finalmente estivesse segura.
Ele se inclinou e beijou a testa dela e quando se virou, encontrou Sophia parada na porta, com braços cruzados e um bico absolutamente teatral no rosto.
Damian ergueu uma sobrancelha.
— O que foi, senhorita panda ninja?
O bico aumentou.
— Você pegou a Lena … e me deixou lá.
Ele se agachou diante dela.
— Você parecia muito concentrada no filme.
Sophia suspirou dramaticamente.
— Eu estava fingindo.
Damian riu baixo e estendeu a mão.
— Vem dormir com a gente hoje.
Sophia congelou por meio segundo inteiro. Depois abriu um sorriso tão largo que quase iluminou o corredor.
— Sério?
— Absolutamente sério.
Ela correu até a cama e subiu com a agilidade de quem já conhece aquele espaço como território seguro, deslizando para o lado de Elena com cuidado para não acordá-la.
Elena se mexeu levemente abrindo os olhos apenas um pouco.
— Sophia…?
— Posso?
Mesmo sonolenta, Elena sorriu e abriu o braço imediatamente.
— Sempre.
Sophia se aninhou ali como se aquele fosse exatamente o lugar ao qual pertencia.
Damian deu a volta na cama e se deitou atrás de Elena, envolvendo-a pela cintura enquanto o braço alcançava também as costas de Sophia, fechando o círculo. Um abraço que incluía as duas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário