“A vingança raramente chega gritando.Na maioria das vezes… ela chega sorrindo.”
Quem passasse pelo corredor da redação naquela tarde talvez pensasse que o escritório do editor-chefe estava vazio, mas os sons abafados que escapavam pela porta contavam uma história bem diferente.
A porta do escritório do editor-chefe estava fechada, mas não completamente silenciosa, e quem passasse pelo corredor da redação poderia ouvir, ainda que de forma abafada, pequenos fragmentos de som escapando pelas frestas da madeira, um riso baixo demais para ser casual, o arrastar impaciente de uma cadeira pesada contra o piso, o sussurro quase indecifrável de tecido sendo ajustado às pressas.
Dentro da sala, o ar parecia mais quente do que deveria.
Valentina apoiava as duas mãos sobre a superfície larga da mesa de madeira escura, os dedos longos abertos sobre o móvel enquanto o corpo se inclinava levemente para frente, e o cabelo caía sobre um dos ombros e o corpo se movia com cada respiração que ela tentava controlar.
Atrás dela, o editor-chefe ainda a segurava pela cintura com força, com os dedos cravados no tecido da saia como se precisasse daquele ponto de apoio para recuperar o próprio equilíbrio.
O movimento entre os dois desacelerou gradualmente. Primeiro intenso, quase impaciente, depois irregular até parar.
O homem soltou um gemido alto, rouco demais para ser disfarçado, e deixou a cabeça cair para trás por um instante, fechando os olhos enquanto o ar escapava de seus pulmões em uma respiração pesada que ecoou no silêncio do escritório.
— Own… — murmurou, ainda tentando recuperar o fôlego.
Valentina não se moveu imediatamente. Permaneceu apoiada na mesa por alguns segundos, com o peito subindo e descendo em um ritmo muito mais controlado do que o dele, como se estivesse esperando exatamente aquele momento.
Quando finalmente se endireitou, o gesto foi lento e elegante.
Ela deslizou as mãos pela própria saia, alisando o tecido como quem desfaz um pequeno vinco, enquanto o editor atrás dela ainda tentava reorganizar a gravata que havia sido puxada para o lado.
Valentina virou levemente o rosto, lançando um olhar por cima do ombro. Nos lábios dela surgiu um sorriso discreto. Não era um sorriso apaixonado, era calculado. Porque para Valentina aquilo não tinha sido um momento, tinha sido uma negociação.
E ela sabia que tinha acabado de conseguir o que queria.
Ela caminhou até a cadeira onde havia deixado a bolsa e a pegou com movimentos tranquilos, abrindo o fecho e retirando um pequeno espelho de bolso. Enquanto o editor finalmente se sentava atrás da mesa, tentando recuperar algum tipo de dignidade profissional.
Valentina inclinou o rosto em direção ao reflexo, observando sua imagem. O batom havia borrado apenas um pouco. Ela passou a ponta do dedo pelo canto da boca, corrigindo o detalhe com um gesto preciso e só então falou.
— Então… — disse, com uma naturalidade quase irritante — acho que podemos conversar sobre aquela pauta.
O editor piscou duas vezes.
A palavra “pauta” parecia deslocada demais naquele ambiente que ainda cheirava a perfume e tensão.
— Pauta…? — repetiu, confuso.
Valentina fechou o espelho e o guardou novamente na bolsa. Então se virou completamente na direção dele.
— O evento Cavallari.
Ela pronunciou o nome devagar,quase saboreando.
O editor passou a mão pelo rosto, tentando reorganizar as ideias.
— Ah… sim… o evento.
Ele abriu uma pasta sobre a mesa, embora fosse evidente que a mente ainda estava alguns passos atrás da conversa.
— A homenagem empresarial — murmurou, folheando papéis que ele mesmo havia preparado horas antes. — Grandes investidores, representantes políticos, empresários… imprensa internacional também deve aparecer.
Valentina caminhou até a mesa novamente, mas dessa vez não se apoiou. Ela apenas pousou a mão sobre a superfície, deslizando os dedos lentamente pelo verniz como se estivesse traçando um mapa invisível.
— Exatamente o tipo de evento que precisa de uma cobertura forte — disse, inclinando levemente a cabeça.
O editor respirou fundo.
— Já temos alguns nomes para isso.
Valentina ergueu os olhos.
— Sim. — disse, com suavidade. — O meu.

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