“Algumas mulheres superam o passado. Outras preferem voltar… apenas para provar que ele nunca foi embora.”
Alguns lugares são feitos para encontros românticos. Outros são feitos para conspirações.
O local onde Valentina encontrou a amiga servia perfeitamente para os dois.
O bar onde Valentina encontrou a amiga tinha uma elegância discreta, quase conspiratória. As luzes baixas escondiam detalhes indesejados, a música ambiente abafava conversas comprometedoras, e as mesas afastadas criavam o tipo de privacidade perfeita para segredos que não deveriam atravessar o ar.
Valentina entrou sem pressa, com a confiança silenciosa de quem não pede espaço, apenas o ocupa, os saltos marcavam o piso com elegância enquanto a postura impecável e os cabelos perfeitamente soltos revelavam uma mulher acostumada a ser notada sem precisar anunciar sua chegada.
Ela escolheu uma mesa no canto, de onde podia ver a porta sem chamar atenção, colocou a bolsa ao lado e passou os dedos pelo pescoço em um gesto aparentemente casual, tentando esconder a tensão que não queria que ninguém percebesse.
A amiga já estava à espera dela.
Também era uma mulher elegante, mas de uma forma diferente. Sua elegância não parecia calculada nem teatral como a de Valentina, era mais natural e discreta.
— Você está atrasada — comentou, olhando o relógio por mera formalidade, já que o olhar que lançou em seguida sugeria outra coisa: curiosidade.
Valentina inclinou a cabeça com um sorriso leve, como quem acha graça no conceito de “atraso” quando a própria vida é um jogo de prioridades.
— Eu estava trabalhando — respondeu, e a palavra “trabalhando” saiu com uma suavidade provocadora, como se ela soubesse exatamente que a amiga já tinha ouvido rumores.
A amiga ergueu uma sobrancelha e pousou os olhos nos lábios de Valentina, como se procurasse marcas, pistas, qualquer sinal mínimo de que havia verdade por trás do teatro.
— Trabalhando… — repetiu, devagar.
Valentina fez um gesto para o garçom com a naturalidade de quem pertence àquele lugar, pediu um vinho sem sequer olhar o cardápio, e só então cruzou as pernas lentamente, deixando o silêncio se esticar por alguns segundos, como se quisesse que a amiga fosse obrigada a fazer a pergunta.
A amiga não decepcionou.
— Então é verdade? — ela perguntou, inclinando-se um pouco sobre a mesa. — Você transou com o editor-chefe.
Valentina não reagiu com choque, nem com culpa, nem com pressa de negar. Em vez disso, ela apenas pegou o guardanapo e o desdobrou com movimentos precisos, quase meticulosos, como se estivesse preparando a mesa para uma refeição, e não para uma confissão.
— Transar é uma palavra… um pouco dramática — respondeu, finalmente, com um sorriso pequeno. — Eu prefiro dizer que eu usei os recursos disponíveis.
A amiga soltou um riso curto, sem humor.
— Você fala como se estivesse descrevendo uma estratégia de marketing.
Valentina olhou para ela com aquela calma perigosa, a mesma calma que ela usava quando sabia que tinha vantagem.
— É porque é exatamente isso — disse, e sua voz não mudou de tom, não tremeu, não hesitou. — Eu tenho objetivos. Eu não me apaixono por obstáculos.

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