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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 200

“Homens perigosos não reagem ao ataque. Eles observam, esperam e escolhem exatamente onde o inimigo deve cair.”

Damian Cavallari estava acostumado a antecipar movimentos antes mesmo que eles acontecessem.

Era assim que se construíam impérios. Era assim que se sobrevivia em salas onde decisões podiam custar milhões. Mas havia um tipo específico de movimento que nunca era ignorado.

O passado voltando.

E, naquela manhã, quando Alessandro entrou em seu escritório sem bater, algo que raramente fazia, Damian soube imediatamente que aquilo não era uma conversa casual.

O silêncio que entrou junto com o cunhado parecia mais pesado do que qualquer relatório sobre a mesa. Damian ergueu os olhos lentamente do tablet que analisava. Seus olhos azuis encontraram os do cunhado.

— Algum problema com o evento? — perguntou, com a voz tranquila, mas com aquela atenção silenciosa que homens como ele aprendiam a carregar.

Alessandro fechou a porta atrás de si antes de responder. O gesto, por si só, já dizia muito. Ele caminhou até a mesa, passando a mão pelo queixo com um movimento pensativo antes de apoiar as duas mãos sobre o encosto de uma das cadeiras.

— Não exatamente — disse. — Mas envolve o evento.

Damian inclinou a cabeça ligeiramente.

— Estou ouvindo.

Alessandro soltou um suspiro curto.

— Valentina.

O nome pairou no ar como algo que não pertencia mais àquele espaço. Damian não reagiu imediatamente. Os dedos dele pararam de se mover sobre a tela do tablet, e ele colocou o objeto sobre a mesa sem desviar os olhos do cunhado.

O silêncio que se seguiu foi longo o suficiente para que Alessandro percebesse a mudança sutil na postura de Damian.

— Continue — disse.

Alessandro cruzou os braços.

— Ela conseguiu a cobertura do evento Cavallari.

Um músculo discreto se moveu na mandíbula de Damian.

— Jornal?

— O principal da cidade.

Outro segundo de silêncio.

Damian apoiou os cotovelos sobre a mesa e entrelaçou os dedos diante da boca, encarando um ponto fixo na mesa, enquanto a informação se acomodava dentro da mente dele. Então ele soltou um pequeno sopro de ar pelo nariz.

— Claro que conseguiu.

Alessandro arqueou uma sobrancelha.

— Você não parece surpreso.

Damian levantou os olhos e o canto da boca dele se moveu num sorriso que não tinha humor algum.

— Valentina sempre foi previsível, é claro que não iria perder a oportunidade.

O silêncio voltou a se instalar entre os dois homens.

Alessandro o observava com atenção.

Damian então soltou um pequeno sopro de ar pelo nariz e inclinou ligeiramente a cabeça, os olhos azuis voltando para o cunhado.

— Você realmente acha — começou, com a voz baixa, mas firme — que ela perderia a oportunidade de ficar cara a cara comigo em um evento que vai homenagear não apenas a mim, mas o legado do meu pai?

Alessandro franziu levemente o cenho.

— Considerando a história entre vocês… — respondeu devagar — eu diria que não.

Damian soltou um pequeno sorriso sem humor.

— Exatamente.

— Você acha que ela vai tentar expor seu pai no evento?

Damian ergueu os olhos lentamente. O olhar azul dele ficou fixo no cunhado por um instante respondendo em seguida:

— Não.

Alessandro franziu o cenho.

— Não?

Damian descruzou os braços da cadeira e se inclinou levemente para frente, apoiando os antebraços sobre a mesa. Quando falou, a voz saiu mais baixa, mais fria.

— Ela não quer atingir um homem morto.

Os olhos dele endureceram.

— Ela quer me atingir.

Alessandro ficou em silêncio.

E então Damian completou, com uma calma perigosa:

— E a forma mais fácil de fazer isso é chegando em Elena.

O silêncio que se instalou na sala depois disso não era apenas tenso. Era o tipo de silêncio que faz dois homens entenderem, sem precisar dizer em voz alta, que alguém acabou de atravessar uma linha muito perigosa.

Então Alessandro perguntou diretamente:

— Quer que eu resolva isso?

Damian ergueu uma sobrancelha.

— Resolver como?

— Posso ligar para a organização da imprensa — respondeu Alessandro com naturalidade. — Um nome a menos na lista de credenciais não vai levantar suspeita.

Ele fez uma pausa antes de completar:

— Ela simplesmente não entra.

Por alguns segundos, Damian permaneceu completamente imóvel. O olhar escuro pousou sobre o cunhado, avaliando cada palavra. Então ele balançou a cabeça lentamente.

— Não.

A resposta saiu calma demais.

Alessandro encarou o cunhado confuso.

— Não?

Damian descruzou os braços e se inclinou ligeiramente para frente, apoiando os antebraços na mesa.

— Se você tirar Valentina do evento — disse ele — vai dar exatamente o que ela quer.

— Atenção? — Alessandro perguntou.

Era algo mais perigoso.

Caminhou até a janela panorâmica e apoiou as mãos no vidro, observando a cidade que se espalhava abaixo como um organismo vivo.

— Se Valentina quer vir ao meu evento… — disse com tranquilidade — eu vou recebê-la.

Alessandro permaneceu em silêncio. Damian inclinou levemente a cabeça antes de continuar.

— Mas desta vez ela vai descobrir uma coisa que nunca entendeu sobre mim.

Ele virou o rosto na direção do cunhado e o sorriso que surgiu não tinha gentileza.

— Eu não perco. Principalmente quando alguém tenta tocar na mulher que eu amo.

Alessandro cruzou os braços.

— Você acha que ela vai tentar atingir Elena?

O olhar de Damian escureceu. Ele ficou em silêncio por um instante, como se estivesse pesando cada palavra antes de permitir que ela saísse. Então respondeu, com uma calma que era muito mais ameaçadora do que qualquer explosão de raiva:

— Eu tenho certeza.

Ele voltou a observar a cidade por um instante. Quando falou novamente, a voz saiu baixa e absolutamente segura.

— E se Valentina tiver a estupidez de se aproximar da Elena novamente… eu vou garantir que a carreira dela acabe antes mesmo de tentar começar outra matéria.

Alessandro arqueou uma sobrancelha e Damian continuou:

— Jornalistas vivem de acesso, Alessandro. De fontes. De portas que se abrem quando eles chegam.

Ainda de costas continuou:

— Eu posso fechar todas. Nenhum empresário vai falar com ela. Nenhum assessor vai atender uma ligação. Nenhuma sala importante vai permitir que ela entre com um gravador.

A expressão dele permaneceu calma.

— E sem acesso… não existe jornalista.

Alessandro cruzou os braços e sorriu para o cunhado.

— Ela pode me odiar o quanto quiser. Pode tentar destruir meu nome, minha empresa ou o legado do meu pai.

Ele virou o rosto lentamente na direção de Alessandro. Os olhos azuis estavam frios.

— Mas se ela encostar um dedo na Elena…

A pausa que veio depois foi curta, mas suficiente para tornar o ar pesado.

— Eu apago Valentina do mapa.

O silêncio caiu no escritório. Alessandro o observou por alguns segundos antes de falar:

— Então isso é guerra.

Damian voltou a olhar para a cidade através da janela.

— Não — respondeu calmamente. — Guerra é quando dois lados acreditam que podem vencer.

O sorriso dele voltou, lento.

— Valentina ainda não percebeu que já perdeu.

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