“Às vezes, o perigo não chega interrompendo a paz.Às vezes, ele espera a paz florescer… só para tentar destruí-la.”
Naquela manhã, Elena Rossi não fazia ideia de que, em algum ponto da cidade, Damian Cavallari estava diante de uma parede de vidro, observando o horizonte com os olhos frios de um homem que já havia escolhido exatamente onde pisaria para esmagar uma ameaça.
Ela não sabia que o nome de Valentina havia sido pronunciado dentro do escritório dele. Não sabia que Alessandro havia oferecido uma solução rápida. E muito menos sabia que Damian, com a calma mais perigosa que existia, havia decidido que não impediria o inimigo de entrar, porque homens como ele não fechavam portas por medo.
Eles deixavam a porta aberta para poderem assistir, de perto, o momento exato em que alguém cometia o erro de atravessá-la.
Mas longe de qualquer sombra de guerra, a manhã de Elena tinha outro ritmo.
Tinha cheiro de perfume suave, vitrines elegantes, café recém-passado e a companhia inconfundivelmente elétrica de Beatrice Cavallari.
— Não, sinceramente, eu me recuso a aceitar que você ainda esteja em dúvida sobre esse vestido.
Elena soltou uma risada baixa enquanto saía do provador e ajustava a alça de uma peça azul-clara que Beatrice insistia para que ela experimentasse.
— Eu não estou em dúvida.
Beatrice ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com uma expressão divertida.
— Lena, eu te conheço melhor do que você gostaria. Essa sua cara é a mesma de toda mulher que está claramente apaixonada, quer ficar bonita para o namorado e ao mesmo tempo finge que está comprando a roupa por motivos normais.
Elena prendeu o riso, mas sentiu o rosto esquentar assim mesmo.
— Eu não finjo nada.
— Ah, finge sim.
Beatrice se aproximou, puxando levemente o tecido do vestido na altura da cintura de Elena para avaliar o caimento.
— Você sempre usa essa voz calma quando está tentando parecer menos afetada do que realmente está.
Elena arqueou uma sobrancelha.
— Isso foi uma análise ou um ataque?
— Um diagnóstico.
Beatrice inclinou a cabeça, observando-a de cima a baixo com a segurança de quem havia nascido cercada de luxo e cresceu acreditando, com toda razão, que opinião bem dada podia salvar qualquer visual.
— E o meu diagnóstico é que meu irmão vai perder a capacidade de formular frases completas quando te vê usando isso.
Elena soltou um suspiro risonho, levando a mão ao cabelo.
— Você é impossível.
— Não. Eu sou útil. É diferente.
As duas acabaram rindo, e Elena se permitiu aproveitar aquele momento com uma leveza que aquecia seu coração. Quando voltou para o provador para trocar de roupa, a bolsa de Beatrice vibrou sobre o banco estofado. Ao sair novamente, já vestida com a própria roupa, encontrou Beatrice diante do espelho, analisando um par de brincos.
— A propósito — disse Elena, aproximando-se — Sophia hoje não vai direto para casa depois da escola.
Beatrice olhou para ela pelo reflexo do espelho.
— Não?
Elena balançou a cabeça, o sorriso se abrindo devagar, daquele jeito involuntário que sempre surgia quando falava de Sophia.
— A Aurora convidou ela para dormir lá. As duas vão fazer uma noite de cinema.
Beatrice virou o corpo inteiro para ela, interessada.
— Ah, é?
— A mãe da Aurora, a Isabela, me ligou ontem à noite. Disse que as meninas estavam pedindo isso já fazia algum tempo e perguntou se eu deixaria.
Ela soltou uma pequena risada.
— Sophia ficou tão feliz que eu não tive coragem de recusar.


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