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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 201

“Às vezes, o perigo não chega interrompendo a paz.Às vezes, ele espera a paz florescer… só para tentar destruí-la.”

Naquela manhã, Elena Rossi não fazia ideia de que, em algum ponto da cidade, Damian Cavallari estava diante de uma parede de vidro, observando o horizonte com os olhos frios de um homem que já havia escolhido exatamente onde pisaria para esmagar uma ameaça.

Ela não sabia que o nome de Valentina havia sido pronunciado dentro do escritório dele. Não sabia que Alessandro havia oferecido uma solução rápida. E muito menos sabia que Damian, com a calma mais perigosa que existia, havia decidido que não impediria o inimigo de entrar, porque homens como ele não fechavam portas por medo.

Eles deixavam a porta aberta para poderem assistir, de perto, o momento exato em que alguém cometia o erro de atravessá-la.

Mas longe de qualquer sombra de guerra, a manhã de Elena tinha outro ritmo.

Tinha cheiro de perfume suave, vitrines elegantes, café recém-passado e a companhia inconfundivelmente elétrica de Beatrice Cavallari.

— Não, sinceramente, eu me recuso a aceitar que você ainda esteja em dúvida sobre esse vestido.

Elena soltou uma risada baixa enquanto saía do provador e ajustava a alça de uma peça azul-clara que Beatrice insistia para que ela experimentasse.

— Eu não estou em dúvida.

Beatrice ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com uma expressão divertida.

— Lena, eu te conheço melhor do que você gostaria. Essa sua cara é a mesma de toda mulher que está claramente apaixonada, quer ficar bonita para o namorado e ao mesmo tempo finge que está comprando a roupa por motivos normais.

Elena prendeu o riso, mas sentiu o rosto esquentar assim mesmo.

— Eu não finjo nada.

— Ah, finge sim.

Beatrice se aproximou, puxando levemente o tecido do vestido na altura da cintura de Elena para avaliar o caimento.

— Você sempre usa essa voz calma quando está tentando parecer menos afetada do que realmente está.

Elena arqueou uma sobrancelha.

— Isso foi uma análise ou um ataque?

— Um diagnóstico.

Beatrice inclinou a cabeça, observando-a de cima a baixo com a segurança de quem havia nascido cercada de luxo e cresceu acreditando, com toda razão, que opinião bem dada podia salvar qualquer visual.

— E o meu diagnóstico é que meu irmão vai perder a capacidade de formular frases completas quando te vê usando isso.

Elena soltou um suspiro risonho, levando a mão ao cabelo.

— Você é impossível.

— Não. Eu sou útil. É diferente.

As duas acabaram rindo, e Elena se permitiu aproveitar aquele momento com uma leveza que aquecia seu coração. Quando voltou para o provador para trocar de roupa, a bolsa de Beatrice vibrou sobre o banco estofado. Ao sair novamente, já vestida com a própria roupa, encontrou Beatrice diante do espelho, analisando um par de brincos.

— A propósito — disse Elena, aproximando-se — Sophia hoje não vai direto para casa depois da escola.

Beatrice olhou para ela pelo reflexo do espelho.

— Não?

Elena balançou a cabeça, o sorriso se abrindo devagar, daquele jeito involuntário que sempre surgia quando falava de Sophia.

— A Aurora convidou ela para dormir lá. As duas vão fazer uma noite de cinema.

Beatrice virou o corpo inteiro para ela, interessada.

— Ah, é?

— A mãe da Aurora, a Isabela, me ligou ontem à noite. Disse que as meninas estavam pedindo isso já fazia algum tempo e perguntou se eu deixaria.

Ela soltou uma pequena risada.

— Sophia ficou tão feliz que eu não tive coragem de recusar.

— E você é completamente apaixonada.

Beatrice pegou uma das sacolas e a colocou no braço, como se tivesse acabado de vencer mais uma batalha perfeitamente comum.

— Besteira, Elena. Aproveita.

Ela se inclinou um pouco, abaixando o tom de voz, embora o brilho nos olhos permanecesse escandalosamente divertido.

— Usa aquela cinta-liga e aquele corpete vermelho que você comprou.

Elena prendeu a respiração.

— Beatrice…

— O quê? Eu só estou sendo uma boa cunhada.

— Uma boa cunhada não diz esse tipo de coisa em público.

— Depende da cunhada.

Ela sorriu ainda mais, claramente satisfeita com o próprio caos.

— Se o Damian te ver com “aquilo”, você vai ficar uma semana sem andar…

Elena baixou os olhos por um segundo, como se isso pudesse, de alguma maneira, apagar a imagem que se formou instantaneamente na sua cabeça. O calor subiu pelo pescoço, espalhando-se até as orelhas, e ela odiou um pouco o fato de Beatrice ter razão.

Damian enlouqueceria mesmo e no fundo, ela estava louca para ver isso acontecer.

— Eu não acredito que estou ouvindo isso no meio de uma loja — murmurou, quase para si mesma.

— Acredite — respondeu Beatrice, já caminhando para o caixa. — E agradeça. Porque os meus conselhos são excelentes.

Elena riu, completamente alheia ao fato de que, naquele mesmo dia, alguém já havia decidido transformar a felicidade dela em alvo.

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