“Existem homens que possuem dinheiro. Outros possuem influência.
E existem aqueles raros… que possuem o silêncio do mundo inteiro.”
A manhã havia nascido coberta por um cinza pesado quando Damian Cavallari atravessou as portas do último andar da torre corporativa, caminhando pelo corredor silencioso com a mesma segurança imperturbável de um homem que estava acostumado a tomar decisões capazes de mover mercados inteiros sem jamais levantar a voz.
A cidade ainda despertava lentamente lá embaixo, envolta por uma névoa fina que se misturava à luz pálida do amanhecer refletida nas paredes de vidro do prédio, mas dentro daquele andar o silêncio era absoluto, quase reverente, como se até mesmo o espaço entendesse que existiam momentos em que certas decisões eram tomadas com uma gravidade que alterava o destino de outras pessoas.
Quando Damian empurrou a porta do próprio escritório, encontrou Alessandro exatamente onde imaginava que estaria.
Sentado na poltrona diante da grande mesa de madeira escura, com os braços apoiados nos apoios e o olhar atento fixo na porta desde muito antes de Damian chegar, como alguém que havia decidido assistir pessoalmente ao momento em que uma tempestade começaria a se formar.
Os olhos de Alessandro acompanharam cada movimento do cunhado enquanto ele atravessava a sala sem pressa.
— Eu imaginei que você não dormiria esta noite.
A voz dele saiu tranquila, quase casual, mas havia curiosidade ali e algo mais profundo.
Damian não respondeu imediatamente.
Ele retirou o relógio do pulso com um gesto lento e controlado, o colocando sobre a mesa com precisão absoluta e então apenas respondeu, com a serenidade de quem não precisava esconder absolutamente nada.
— Não dormi.
Alessandro inclinou levemente a cabeça, observando o cunhado com um olhar que misturava análise e um certo respeito silencioso que apenas homens acostumados ao poder reconheciam uns nos outros.
— Imagino que isso tenha alguma relação com o espetáculo que Valentina decidiu fazer ontem.
Damian abriu o laptop com um movimento calmo.
— Tem.
Alessandro cruzou os braços sobre o peito largo, soltando um suspiro longo enquanto recostava o corpo na poltrona.
— Ela passou dos limites, Damian.
Damian ergueu os olhos do computador. O olhar escuro dele estava completamente frio.
— Eu sei.
Por alguns segundos, o silêncio pairou entre os dois homens. Então Alessandro perguntou, com a curiosidade de quem sabia exatamente que tipo de homem estava diante dele.
— E o que você pretende fazer?
Damian apoiou os dedos sobre o teclado e respondeu com uma calma tão absoluta que chegava a ser quase perturbadora.
— Lembrar ao mundo quem manda.
Alessandro soltou um pequeno sopro de ar entre os dentes.
Não parecia surpreso, parecia… satisfeito.
— Isso vai ser feio.
Damian digitou algumas teclas e o som do teclado ecoou pela sala silenciosa.
— Não.
Ele respondeu com uma serenidade que não carregava emoção alguma.
Então levantou os olhos e concluiu:
— Vai ser definitivo.
Alessandro observou o cunhado por alguns segundos em silêncio, e um sorriso quase imperceptível surgiu no canto da boca dele.
Não havia julgamento naquele olhar.
Havia orgulho.
Porque Alessandro Venturi conhecia muito bem aquele tipo de homem. O tipo de homem que não levantava a voz, não ameaçava, não discutia.
Apenas… movia o mundo. E depois assistia as consequências acontecerem.
Damian fez umas ligações e, permaneceu alguns segundos olhando para a tela escura do telefone depois de desligar a chamada.
O silêncio que tomou conta do escritório não era um silêncio comum. Era aquele tipo que surgia quando decisões irreversíveis eram tomadas.
Do outro lado da mesa, Alessandro observava o cunhado sem dizer nada, com o olhar atento de quem havia escutado cada palavra da conversa e agora analisava as consequências que certamente começariam a se espalhar pelo mundo nas próximas horas.
Por fim, ele soltou um pequeno sopro de ar pelo nariz, inclinando-se para trás na poltrona.
— Sabe o que é curioso nisso tudo?
Damian colocou o telefone sobre a mesa com calma.
— O quê?
Alessandro cruzou os braços.
— Você poderia simplesmente ter destruído ela.
O olhar dele percorreu o escritório silencioso antes de voltar para o cunhado.

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