“Existem guerras que não precisam de gritos. Basta uma única verdade dita com calma… para derrubar um império inteiro.”
A chuva fina caía sobre a cidade quando o carro preto parou diante do prédio de vidro e Beatrice Cavallari sabia que, quando aquela conversa terminasse, uma coisa ficaria clara: Nunca toque em alguém que os Cavallari ama.
Quando finalmente abriu a porta do carro e saiu, fez isso com a naturalidade de alguém acostumada a ocupar qualquer espaço com elegância.
Beatrice estava impecável. Vestia um conjunto creme de corte impecável, os cabelos castanhos estavam soltos e a postura serena deixava claro que nada ao seu redor parecia capaz de abalar seu controle.
Ela não parecia nervosa, nem irritada. Mas havia uma determinação silenciosa no seu olhar, quase aristocrática, que tornava claro que aquela visita não havia sido motivada por impulso.
O porteiro abriu a porta imediatamente.
— Boa tarde, senhorita.
Beatrice respondeu com um sorriso educado que misturava cordialidade e distância.
— Boa tarde.
Minutos depois, o elevador se abriu no último andar com um leve som metálico, e Beatrice atravessou o corredor com passos tranquilos, observando discretamente o ambiente elegante ao redor até parar diante da porta do apartamento.
Ela tocou a campainha com a serenidade de quem não tinha absolutamente nenhuma pressa.
Do outro lado da porta, ouviram-se passos, o som da fechadura abrindo e assim que a porta foi aberta, Valentina apareceu.
Por um breve segundo, os olhos dela demonstraram surpresa ao reconhecer quem estava ali. Mas a reação durou apenas um instante. Porque ela voltou a assumir a expressão elegante e controlada que sempre usava como uma espécie de armadura social.
— Beatrice Cavallari, que surpresa.
Beatrice inclinou levemente a cabeça, como se estivesse reconhecendo a cortesia sem necessariamente aceitá-la.
— Posso entrar?
Valentina hesitou apenas por um momento, curto demais para ser interpretado como recusa, mas longo o suficiente para revelar que aquela visita não estava nos planos dela. Ainda assim, abriu espaço.
— Claro.
Beatrice caminhou alguns passos para dentro enquanto observava discretamente o ambiente. Nada ali parecia fora do lugar, nem mesmo a dona da casa.
Valentina fechou a porta atrás delas.
— Imagino que você não tenha vindo para tomar um café.
Beatrice virou-se lentamente para encará-la.
— Não.
A voz dela era calma, quase gentil.
— Vim conversar.
Valentina cruzou os braços, apoiando o peso do corpo em um dos pés.
— Sobre o quê?
Beatrice a observou por alguns segundos antes de responder, como se estivesse escolhendo com cuidado cada palavra.
— Sobre o pequeno espetáculo que você decidiu protagonizar ontem à noite… durante a homenagem ao meu irmão.
Valentina arqueou levemente uma sobrancelha.
— Ora, eu apenas quis homenageá-lo.
Beatrice caminhou lentamente até a janela, observando a cidade por alguns segundos antes de continuar, como se aquela conversa fosse apenas um detalhe em meio à paisagem.
Valentina manteve a postura impecável.
— E apenas disse a verdade.
Beatrice se virou novamente. E pela primeira vez o olhar dela pousou diretamente sobre Valentina com uma intensidade muito mais clara.
— Não. Você tentou envenenar Elena.
Valentina sustentou o olhar.
— Eu apenas quis ajudá-la.
Beatrice deu um pequeno passo à frente sem perder a elegância, mas havia algo novo na maneira como ela falava.
— Elena não precisa de absolutamente nada vindo de você.
A frase foi dita com tanta calma que, por um segundo, poderia ter sido confundida com uma simples observação. Mas o peso dela fez o ar da sala ficar mais denso.
Valentina respirou fundo.
— Seu irmão sempre destrói tudo , é apenas uma questão de tempo para ele destruir essa garota.
Beatrice assentiu lentamente, como se estivesse reconhecendo uma parte daquela afirmação.
— Sim, ele costuma destruir principalmente quando alguém ameaça quem ele ama.
O silêncio caiu entre as duas e Valentina ergueu o queixo.
— Então foi ele quem mandou você vir aqui? Para tentar me intimidar?
Beatrice sorriu. Um sorriso quase divertido.
— Não. Meu irmão geralmente não manda mensagens, ele as executa.
Valentina permaneceu em silêncio e Beatrice aproximou-se um pouco mais.
— Eu vim por conta própria. Porque achei que você merecia ouvir algumas coisas… de mulher para mulher.
Valentina cruzou os braços novamente.
— Estou ouvindo.
Beatrice a observou com atenção. Depois disse, com a mesma voz serena que havia mantido desde que chegou:
— Você conhece Damian há anos. Então sabe perfeitamente o que significa quando ele escolhe proteger alguém.
Beatrice fez uma breve pausa, observando Valentina com atenção, como se estivesse analisando uma verdade que a outra mulher vinha tentando negar para si mesma há muito tempo.
— E também sabe — continuou com a mesma calma elegante — que ele nunca protegeu você dessa maneira.
Valentina não respondeu. Mas algo no modo como os dedos dela se fechavam lentamente ao redor do próprio braço denunciava que aquelas palavras haviam encontrado um lugar sensível demais.
Beatrice inclinou levemente a cabeça, como se estivesse reconhecendo silenciosamente aquilo.
— Eu sei exatamente por que você fez aquilo ontem à noite — acrescentou.
Valentina estreitou levemente os olhos.
— Sabe?

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