Elena Rossi
Ele ergueu lentamente o olhar para mim.
Não foi um movimento brusco, nem uma ameaça direta. Foi um levantamento calmo, como se eu fosse apenas mais um detalhe dentro de um reino que ele governava sem esforço. Mas aquele gesto simples teve peso suficiente para me fazer esquecer por um segundo como respirar.
— O quê? — ele perguntou.
A palavra foi curta e afiada como uma lâmina.
O ar faltou nos meus pulmões por um instante. O silêncio antes da resposta pareceu esticar o tempo entre nós dois até o limite.
— Quero ver a Sofia. — repeti, sentindo cada sílaba rasgar minha garganta por dentro. — Quero falar com ela. Quero ouvir a voz dela. Quero ter notícias diretas. Não por médicos pagos, nem por relatórios frios, mas por mim.
A tensão ficou evidente entre nós dois.
Os olhos dele brilharam por um segundo. Mas ele não pareceu surpreso, era como se, por um instante, ele estivesse medindo exatamente o tamanho da minha ousadia e decidindo se aquilo o divertia ou o irritava.
— Verá. — ele respondeu. Fez uma pausa mínima,antes de continuar. — Comigo.
Aquela última palavra atravessou o espaço entre nós como uma corrente invisível. Ao mesmo tempo em que me feriu, também me ancorou.
Comigo.
Não era companhia. Era posse e soava como sentença e como promessa.
Ele se aproximou apenas o suficiente para que eu sentisse o perfume dele me envolver junto com o cheiro forte de uísque. Era um cheiro que dominava o ambiente e obrigava a presença alheia a se lembrar de quem comandava ali.
— Outra coisa que você deve saber, Elena… — a voz dele desceu um tom, ficando perigosamente íntima. — Nunca minta para mim.
A frase não veio como aviso, ela parecia como regra de sobrevivência.
Assenti respondendo.
— Não vou mentir.
Ficamos em silêncio por um instante. Meus olhos caíram involuntariamente sobre as minhas mãos. Eu ainda as mantinha unidas à frente do corpo, com os dedos entrelaçados era como se aquele pequeno gesto pudesse me impedir de tremer.
Quando voltei a erguer o olhar, ele continuava ali.
Sereno, imóvel. A luz da lareira desenhava sombras lentas sobre o rosto dele, cortando a linha firme do maxilar, destacando os olhos que permaneciam sem cor definida na penumbra. Por um instante, tive a sensação estranha de estar diante de algo que o mundo inteiro deveria temer e, ainda assim, muitos se curvariam diante dele.
— Elena… — ele disse.
Meu nome, daquela vez, veio diferente. Era como se ele estivesse querendo me alertar.
Virei o rosto por um segundo, como se precisasse daquele mínimo movimento para não me perder completamente dentro do brilho escuro daquele olhar. Quando tornei a encará-lo, os olhos dele estavam na sombra, frios sim, mas vivos, atentos e curiosos.
— Compreenda que há coisas que o fogo castiga… — continuou — e outras que purifica. Descubra de qual lado você está antes de queimar.
Senti aquela frase descer pelo meu corpo como uma advertência ancestral. Um aviso antigo, daqueles que não pertencem apenas ao presente.
Minha voz saiu antes que eu pudesse pensar melhor:


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