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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 38

Elena Rossi

A volta até o carro pareceu mais rápida do que a ida. Não sei se o tempo realmente correu mais depressa ou se foi a minha mente que decidiu pular trechos, cansada demais para registrar cada detalhe.

O motorista já aguardava próximo à entrada lateral, mas ao nos ver, endireitou a postura, pronto para retomar o posto ao volante.

Damian levantou a mão, num gesto breve.

— Não será necessário. — disse. — Pode aguardar a próxima instrução.

O homem apenas assentiu, recuando.

Fiquei em silêncio.

Minutos depois, estávamos de volta ao carro. Eu, no banco do passageiro. Damian, ao volante. O hospital ficando para trás numa sucessão de vidros, concreto e promessas médicas.

Ninguém falou nada.

À medida que o carro se aproximava do heliponto, o céu parecia se abrir num azul tão claro que doía olhar. O helicóptero já nos esperava, a estrutura metálica imponente contra o horizonte.

Meu estômago se revirou de novo.

Na primeira vez, eu tinha estado ocupada demais tentando entender o que estava acontecendo com a minha vida para conseguir sentir medo de verdade. Agora, com a imagem de Sofia no leito da UTI ainda queimando na minha mente, tudo parecia mais nítido. Mais real. Mais ameaçador.

O carro parou e descemos.

O vento era mais forte ali em cima. Bagunçou meus cabelos, arrepiou a pele exposta nos braços. O som das hélices aquecendo voltou a preencher tudo, abafando o resto do mundo.

Damian caminhou à frente, e eu o acompanhei, tentando não pensar no fato de que eu estaria suspensa no ar, trancada com ele novamente, num espaço minúsculo, sem chão, sem saída, sem testemunhas.

Um técnico nos recebeu, repetiu os mesmos protocolos. Eu assenti, tentando prestar atenção, mas minhas mãos já tremiam.

Abri os olhos num sobressalto e ele me olhava. Não com irritação, nem com a frieza habitual. Era algo novo, que eu não sabia descrever.

Eu tentei me afastar, juro que tentei. Mas outra pequena oscilação atravessou a cabine, e meus dedos apertaram ainda mais o ponto onde estavam. Como se eu pudesse segurar naquele homem e, por alguma ironia do universo, encontrar estabilidade justamente nele.

A mandíbula de Damian se contraiu.

A mão que estava entrelaçada sobre o próprio colo se moveu devagar, como se o tempo tivesse desacelerado só para registrar aquele gesto.

Ele a pousou sobre a minha. Não para afastá-la, mas para cobri-la. A palma dele quente, firme, se encaixou sobre meus dedos trêmulos, mantendo-os ali, presos contra a própria coxa. Meu pulmão esqueceu como funcionava por um segundo inteiro.

— Respira, Elena. — ele disse, baixo, com a voz quase engolida pelo barulho das hélices. — Eu não vou deixar você cair.

A ironia daquela frase cortou mais fundo do que qualquer ameaça.

Porque, naquele momento, eu já não sabia o que era pior: a possibilidade de despencar do céu ou a certeza silenciosa de que, agarrada a ele daquele jeito, eu já não tinha mais chão nenhum para chamar de meu.

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