“O maior erro de um homem que controla tudo é acreditar que sabe exatamente o que não o afeta.”
Damian Cavallari
O toque veio antes que eu tivesse tempo de prever.
Não foi delicado, nem calculado, foi instintivo.
Os dedos dela se fecharam contra a minha coxa com força suficiente para afundar no tecido do terno, como se naquele gesto estivesse concentrada toda a fragilidade que ela jamais admitiria em voz alta. A vibração do helicóptero sacudiu a cabine, mas foi aquele toque que me atingiu de verdade.
Meu corpo reagiu antes da minha razão.
Um erro. Um maldito erro.
Por um segundo, apenas um, eu deixei que a surpresa rompesse meu controle. Senti o calor da mão dela atravessar o tecido, pressionei involuntariamente a musculatura e percebi, com irritação imediata, a resposta física que subiu como um reflexo traiçoeiro.
Medo… Desejo.
Duas coisas que nunca deveriam se confundir.
Ela tentou soltar eu percebi, mas a próxima oscilação fez com que seus dedos se contraíssem ainda mais, como se eu fosse o único eixo possível naquele céu instável, e então eu vi.
O olhar… o verdadeiro. Não o da barganha. Não o da estratégia. Não o da mulher que sabe exatamente o que está fazendo.
Ela estava assustada e aquilo me irritou profundamente. Porque mulheres como Elena sempre sabem o que fazem. Sempre sabem quando tocar, quando parecer frágeis e inocentes. Todas usam a vulnerabilidade como arma.
Todas.
Minha mão se moveu antes que eu pensasse cobrindo a dela. A palma quente, firme, prendendo seus dedos contra mim como se eu pudesse, naquele gesto mínimo, recuperar o território que havia vacilado por um segundo.
— Respira, Elena. — Minha voz saiu baixa, estável, treinada para mascarar qualquer rachadura. — Eu não vou deixar você cair.
A frase era verdadeira. E ainda assim, perigosa. Porque eu nunca prometo o que não posso garantir e naquele instante, não era do helicóptero que eu falava.
Ela respirou fundo. Eu senti o corpo dela relaxar parcialmente, mas os dedos permaneceram ali, presos entre minha coxa e minha mão. E aquilo criou um tipo de tensão que não tinha nada a ver com altura, vento ou gravidade.
Era outra coisa. Uma força silenciosa, tracionando num ponto que eu não permito que ninguém alcance.
Desviei o olhar primeiro.
Eu não precisava ver o rosto dela para saber exatamente o que encontraria. Mulheres costumam confundir proteção com posse. Confundem poder com abrigo. Confundem silêncio com promessa e depois cobram.
Sempre cobram.
A minha mão permaneceu sobre a dela por mais três segundos do que deveria. Eu contei, porque sempre conto. Afinal, controle também é matemática. Quando finalmente a soltei, fiz como se soltasse um objeto perigoso.
Ela recolheu a mão devagar e o espaço entre nós voltou a existir.



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