“O corpo é sempre o primeiro a trair aquilo que a mente insiste em controlar.”
Damian Cavallari
O primeiro impacto não foi estético, foi físico.
Um golpe baixo, direto no centro do corpo, como se algo tivesse sido ativado sem minha permissão. O ar ficou mais pesado, o pulso, mais lento, o sangue fervendo.
Ela estava ali, de preto, ocupando com perigo um território onde antes eu ditava até a forma como a luz tocava tudo.
Meu olhar desceu antes da razão impedir e isso me enfureceu.
A frente do vestido era contida, quase clássica. O tipo de imagem que tranquilizaria qualquer mesa de negócios. Mas quando ela se moveu um pouco mais as costas se revelaram.
Nuas…
Meu maxilar se contraiu com força. O desejo veio junto da raiva. Não como impulso simples, mas como uma reação química maldita. Meu corpo reagiu onde a mente deveria mandar e isso me irritou.
Apertei o copo de uísque até o vidro gemer baixo sob a pressão dos meus dedos. A pergunta não veio como dúvida, veio como ameaça na minha mente:
Ela quer o quê com isso? Me testar? Me provocar? Ou me fazer perder o controle?
Elena parou diante de mim, aguardando minha reação, como todos sempre fazem. Mas não disse nada. Falar significaria ceder ao impulso, e eu jamais cedo.
Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu conseguia sentir o calor do corpo dela a distância. Ela me provocava e isso me deixava ainda mais furioso.
— Vamos. — disse, enfim, seco.
A palavra saiu dura demais.
Eu já estava furioso. Comigo e com o que ela despertava em mim.
Caminhei à frente. Sabia que ela me seguiria, mas naquela noite, eu sabia que ela me seguia por outro motivo.
O carro nos aguardava. O motorista abriu a porta traseira e ela entrou primeiro. O movimento simples fez o tecido do vestido se mover contra as pernas dela de um jeito lento demais para ser ignorado, e isso fez minhas mãos arderem.
Fechei os punhos antes de entrar também.
A porta se fechou e o espaço ficou pequeno. O cheiro dela atravessou meu controle como um sussurro quente. Nada de perfume excessivo, apenas o cheiro de sua pele e isso quase me fez perder o controle e odiei isso.
O carro arrancou e o silêncio entre nós era um campo minado.
Eu não a olhava, porque sabia exatamente o que encontraria se olhasse. Ela, por outro lado, me observava, podia sentir o olhar do seu peso sobre mim.
— Beatrice escolheu seu vestido? — perguntei de repente, sem olhar.
A resposta veio após um segundo de hesitação.
— Si-sim.
A confirmação fez algo se torcer no meu peito. Claro que tinha sido Beatrice. Minha irmã adorava observar incêndios desde que fosse o corpo dos outros queimando.
— Ela manda em você agora? — provoquei, frio.

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