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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 42

“O corpo é sempre o primeiro a trair aquilo que a mente insiste em controlar.”

Damian Cavallari

O primeiro impacto não foi estético, foi físico.

Um golpe baixo, direto no centro do corpo, como se algo tivesse sido ativado sem minha permissão. O ar ficou mais pesado, o pulso, mais lento, o sangue fervendo.

Ela estava ali, de preto, ocupando com perigo um território onde antes eu ditava até a forma como a luz tocava tudo.

Meu olhar desceu antes da razão impedir e isso me enfureceu.

A frente do vestido era contida, quase clássica. O tipo de imagem que tranquilizaria qualquer mesa de negócios. Mas quando ela se moveu um pouco mais as costas se revelaram.

Nuas…

Meu maxilar se contraiu com força. O desejo veio junto da raiva. Não como impulso simples, mas como uma reação química maldita. Meu corpo reagiu onde a mente deveria mandar e isso me irritou.

Apertei o copo de uísque até o vidro gemer baixo sob a pressão dos meus dedos. A pergunta não veio como dúvida, veio como ameaça na minha mente:

Ela quer o quê com isso? Me testar? Me provocar? Ou me fazer perder o controle?

Elena parou diante de mim, aguardando minha reação, como todos sempre fazem. Mas não disse nada. Falar significaria ceder ao impulso, e eu jamais cedo.

Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu conseguia sentir o calor do corpo dela a distância. Ela me provocava e isso me deixava ainda mais furioso.

— Vamos. — disse, enfim, seco.

A palavra saiu dura demais.

Eu já estava furioso. Comigo e com o que ela despertava em mim.

Caminhei à frente. Sabia que ela me seguiria, mas naquela noite, eu sabia que ela me seguia por outro motivo.

O carro nos aguardava. O motorista abriu a porta traseira e ela entrou primeiro. O movimento simples fez o tecido do vestido se mover contra as pernas dela de um jeito lento demais para ser ignorado, e isso fez minhas mãos arderem.

Fechei os punhos antes de entrar também.

A porta se fechou e o espaço ficou pequeno. O cheiro dela atravessou meu controle como um sussurro quente. Nada de perfume excessivo, apenas o cheiro de sua pele e isso quase me fez perder o controle e odiei isso.

O carro arrancou e o silêncio entre nós era um campo minado.

Eu não a olhava, porque sabia exatamente o que encontraria se olhasse. Ela, por outro lado, me observava, podia sentir o olhar do seu peso sobre mim.

— Beatrice escolheu seu vestido? — perguntei de repente, sem olhar.

A resposta veio após um segundo de hesitação.

— Si-sim.

A confirmação fez algo se torcer no meu peito. Claro que tinha sido Beatrice. Minha irmã adorava observar incêndios desde que fosse o corpo dos outros queimando.

— Ela manda em você agora? — provoquei, frio.

O evento já se anunciava à frente, as luzes cortando a noite, seguranças posicionados, carros de luxo alinhados como peças num tabuleiro de ostentação. O mundo onde tudo tinha preço. Onde eu sempre fui rei.

O carro desacelerou e o motorista abriu a porta. Desci primeiro e ela veio logo atrás.

O salão já vibrava com sons de vozes, música baixa, taças e cumprimentos falsamente calorosos. Assim que cruzamos a entrada, os olhares se moveram como se alguém tivesse dado um comando invisível.

Senti o peso imediato da exposição sobre as costas nuas dela. A energia dos olhares mudou, era um misto de avaliação, desejo e curiosidade. O tipo de interesse que eu desprezo a menos que seja eu decidindo sobre ele.

Antes que nos separássemos para entrar no salão principal, minha mão subiu tocando suas costas nuas. O contato foi mínimo, apenas a pressão suficiente para lembrar quem a conduzia, mas o efeito foi imediato. Senti o corpo dela reagir sob a minha mão, um arrepio claro, incontrolável, atravessando a linha da coluna e a respiração dela falhou por meio segundo e o pior… a minha também.

E por pouco, muito pouco eu não perdi o controle.

Inclinei-me então até o ouvido dela, mantendo a mão exatamente ali, deixando claro para todos ao redor, de quem ela era.

— Melhor saber se portar, Elena… — murmurei, com a voz baixa, lenta. — Aqui dentro… um erro pode custar mais do que a sua dignidade.

Os dedos dela se moveram levemente ao lado do corpo, como se quisessem fugir do contato e não conseguir.

Afastei a mão devagar. Como quem solta algo perigoso demais para permanecer na própria posse por muito tempo. E seguimos para dentro do salão.

Ela, magoada… mas com a postura firme.

Eu, furioso e ainda ardendo onde não devia.

E naquele instante ficou claro: A guerra entre nós não era mais apenas psicológica, era física e inevitável.

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