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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 43

“Há mesas onde não se senta para jantar, mas para ser avaliado.”

Elena Rossi

O salão estava cheio demais. Não de pessoas, mas de olhares.

Assim que cruzamos a entrada, senti como se uma lâmina invisível tivesse cortado o ar. Conversas diminuíram de volume. Risos se tornaram mais contidos. Taças de cristal se ergueram com um segundo de atraso. Tudo ali obedecia a um protocolo silencioso que não estava escrito em lugar nenhum.

Damian Cavallari havia chegado.

E eu… com ele.

As luzes douradas refletiam nos espelhos altos, nos metais polidos, nas joias estratégicas. Homens de ternos impecáveis, mulheres em vestidos desenhados para competir entre si. O ambiente exalava dinheiro, controle e aparências bem ensaiadas.

O braço dele roçou no meu ao avançarmos alguns passos. Esse mínimo toque foi suficiente para selar algo invisível:

Eu não era apenas a acompanhante, era a peça observada.

Senti as costas nuas arderem sob os olhares, não apenas de desejo, mas de avaliação. Como se calculassem preço, risco, status.

Damian manteve a postura reta, o rosto impassível, o olhar à frente. Ele não precisava escanear a sala. O ambiente é que se ajustava a ele.

Foi então que senti. A mão dele subiu lentamente pelas minhas costas nuas. O toque foi mínimo. Apenas a pressão dos dedos na linha da minha coluna, firme o bastante para ser posse, sutil o bastante para parecer condução social. Meu corpo reagiu de imediato. Um arrepio correu inteiro por mim, arrancando o ar dos meus pulmões por meio segundo.

O dele também reagiu, eu senti. Pela forma como a mão se retesou antes de se afastar.

E naquele instante, sem palavras, sem olhares, ficou claro: Aquilo não era proteção, e sim controle.

Foi então que Beatrice surgiu.

Ela veio sorrindo, confiante, leve demais para carregar segredos tão pesados. O vestido claro contrastava com o meu preto. Os olhos azuis brilhavam como se aquela fosse apenas mais uma noite comum.

— Elena… — disse, aproximando-se com os braços abertos num gesto quase afetivo. — Você está linda.

A palavra veio suave, mas havia algo oculto ali.

Sorri fraco.

— Obrigada.

Damian encarou a irmã com intensidade. Um olhar direto, duro, silencioso. Beatrice sustentou o olhar por meio segundo a mais do que o confortável. Depois sorriu ainda mais e se aproximou do irmão, cumprimentando-o.

— Oi, Damian. Está lindo como sempre.

Ele suspirou fundo e não disse mais nada.

Foi quando um homem se aproximou pelo lado oposto. Ele era o tipo de homem que chegava sorrindo antes mesmo de ser apresentado. Traje escuro, postura aberta, olhos atentos. Havia nele uma facilidade social que contrastava com a rigidez quase antissocial de Damian.

— Senhorita Rossi. — disse ele, depois de um segundo de hesitação quase imperceptível, estendendo a mão com cuidado. — Alessandro Venturi.

Minhas mãos estavam frias quando as coloquei na dele.

— Elena Rossi.

Ele sorriu.

— Prazer.

Então virou-se para Damian.

— Os japoneses já chegaram. Estão te esperando na ala reservada.

Capítulo 43 - O Valor à Mesa 1

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