“Há mesas onde não se senta para jantar, mas para ser avaliado.”
Elena Rossi
O salão estava cheio demais. Não de pessoas, mas de olhares.
Assim que cruzamos a entrada, senti como se uma lâmina invisível tivesse cortado o ar. Conversas diminuíram de volume. Risos se tornaram mais contidos. Taças de cristal se ergueram com um segundo de atraso. Tudo ali obedecia a um protocolo silencioso que não estava escrito em lugar nenhum.
Damian Cavallari havia chegado.
E eu… com ele.
As luzes douradas refletiam nos espelhos altos, nos metais polidos, nas joias estratégicas. Homens de ternos impecáveis, mulheres em vestidos desenhados para competir entre si. O ambiente exalava dinheiro, controle e aparências bem ensaiadas.
O braço dele roçou no meu ao avançarmos alguns passos. Esse mínimo toque foi suficiente para selar algo invisível:
Eu não era apenas a acompanhante, era a peça observada.
Senti as costas nuas arderem sob os olhares, não apenas de desejo, mas de avaliação. Como se calculassem preço, risco, status.
Damian manteve a postura reta, o rosto impassível, o olhar à frente. Ele não precisava escanear a sala. O ambiente é que se ajustava a ele.
Foi então que senti. A mão dele subiu lentamente pelas minhas costas nuas. O toque foi mínimo. Apenas a pressão dos dedos na linha da minha coluna, firme o bastante para ser posse, sutil o bastante para parecer condução social. Meu corpo reagiu de imediato. Um arrepio correu inteiro por mim, arrancando o ar dos meus pulmões por meio segundo.
O dele também reagiu, eu senti. Pela forma como a mão se retesou antes de se afastar.
E naquele instante, sem palavras, sem olhares, ficou claro: Aquilo não era proteção, e sim controle.
Foi então que Beatrice surgiu.
Ela veio sorrindo, confiante, leve demais para carregar segredos tão pesados. O vestido claro contrastava com o meu preto. Os olhos azuis brilhavam como se aquela fosse apenas mais uma noite comum.
— Elena… — disse, aproximando-se com os braços abertos num gesto quase afetivo. — Você está linda.
A palavra veio suave, mas havia algo oculto ali.
Sorri fraco.
— Obrigada.
Damian encarou a irmã com intensidade. Um olhar direto, duro, silencioso. Beatrice sustentou o olhar por meio segundo a mais do que o confortável. Depois sorriu ainda mais e se aproximou do irmão, cumprimentando-o.
— Oi, Damian. Está lindo como sempre.
Ele suspirou fundo e não disse mais nada.
Foi quando um homem se aproximou pelo lado oposto. Ele era o tipo de homem que chegava sorrindo antes mesmo de ser apresentado. Traje escuro, postura aberta, olhos atentos. Havia nele uma facilidade social que contrastava com a rigidez quase antissocial de Damian.
— Senhorita Rossi. — disse ele, depois de um segundo de hesitação quase imperceptível, estendendo a mão com cuidado. — Alessandro Venturi.
Minhas mãos estavam frias quando as coloquei na dele.
— Elena Rossi.
Ele sorriu.
— Prazer.
Então virou-se para Damian.
— Os japoneses já chegaram. Estão te esperando na ala reservada.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário