Elena Rossi
— Não confunda isso com gentileza.
A voz de Damian veio baixa, fria e quase cirúrgica.
— É apenas a forma como organizo o que é meu.
A frase caiu sobre mim como um tapa invisível. Senti o corpo reagir antes de conseguir pensar. Um encolhimento involuntário, um reflexo antigo. E eu odiei que ele tenha percebido.
— Eu… só quis agradecer. — respondi, tentando alinhar a própria voz. — Você me tirou de uma situação desconfortável.
Desconfortável.
A palavra pareceu irritá-lo.
— Situações desconfortáveis serão frequentes na sua nova vida, Elena. — disse. — Sugiro que aprenda a lidar com elas sem transformar tudo em um teatro emocional.
Dei um passo para trás literalmente. Como se as palavras tivessem atravessado o espaço físico e empurrado meu corpo.
— Teatro…? — repeti, sem acreditar que ele estava me vendo daquela forma.
Os olhos dele não recuaram, muito pelo contrário, me analisaram e me desmontaram ao mesmo tempo.
— Olhos marejados. — enumerou com precisão cruel. — Respiração irregular. Voz trêmula.
Inclinou levemente a cabeça e continuou falando.
— Isso funciona muito bem em ambientes como este. Homens adoram mulheres que parecem frágeis. Vocês dão a eles a ilusão de poder.
A dor atravessou meu rosto sem pedir licença. Não houve tempo para esconder. Dessa vez, não havia confusão no olhar dele, era como se ele realmente fizesse questão de me humilhar.
— Eu não estava fingindo. — respondi, firme demais para alguém que estava se partindo. — Eu estava com medo.
— Claro que estava. — ele disse, com uma ironia limpa demais para ser casual. — O medo é um instrumento excelente quando se sabe usá-lo.
Minhas mãos começaram a tremer apesar de todo o esforço para mantê-las imóveis.
— Você realmente acha… — comecei devagar, sem saber como proteger o que ainda restava de mim — que eu calculo cada olhar? Cada silêncio? Cada respiração? Só para te manipular?
Ele me encarou sem suavidade.
— Eu sei que mulheres como você aprenderam a transformar aparência de pureza em uma arma.
Senti o sangue abandonar o rosto. Não foi metáfora. Foi real. Era isso que ele pensava sobre mim.

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