O sono me venceu sem pedir licença.
Não foi um descanso. Foi uma queda lenta, como se meu corpo estivesse sendo puxado para dentro de um lugar onde a lógica não tinha permissão para entrar.
Quando percebi, já não estava mais no quarto.
A noite ao meu redor parecia diferente. Mais pesada, como se o escuro tivesse peso e textura. O silêncio não era vazio, era cheio de expectativa, como o segundo que antecede um toque.
E então eu senti.
Damian.
Não o vi primeiro. Eu o senti. A presença dele vinha antes da imagem, antes da voz. Como na vida real. O ar ao meu redor mudou de densidade, como se tivesse sido aquecido apenas pela existência dele.
— Elena… — ele me chamou.
Meu nome atravessou o espaço sem precisar de som. Foi como se ele tivesse sido dito diretamente dentro do meu peito. Aquela forma exata de pronunciar, firme, contida, perigosa.
Virei-me devagar.
Ele estava a poucos passos de mim.
O cenário não fazia sentido. Não era o quarto, não era a mansão, não era o corredor. Era apenas sombra, luz escura e a sensação absurda de que aquele lugar só existia para que nós dois estivéssemos ali.
— Isso não é real… — murmurei, mais para mim do que para ele.
Mas mesmo no sonho eu sentia o calor do corpo dele.
Damian inclinou levemente a cabeça, como fazia quando queria me dominar apenas com presença.
— Mesmo aqui você tenta fugir — disse, numa calma que era ainda mais ameaçadora. — Você foge até de si.
Meu corpo reagiu antes de qualquer resposta.
O calor nasceu baixo, lento, e subiu como uma maré silenciosa sob a minha pele. Minhas pernas ficaram trêmulas. Meu coração acelerou, não de medo, mas de reconhecimento. Senti minha intimidade umedecer e um pulsar que pedia alívio.
Ele deu um passo, depois outro.
A cada segundo em que a distância diminuía, algo dentro de mim se desfazia com suavidade e violência ao mesmo tempo.
— Isso não pode acontecer… — tentei repetir.
Mas no sonho minha voz não tinha a força que eu desejava.
Damian ficou sobre mim, e se encaixou no meio das minhas pernas, suas mãos estavam apoiadas na lateral, ele baixou o rosto e parou tão perto que nossas respirações se tocaram.
O calor entre nós era real demais para ser apenas imaginação.
— Não pode… — ele concordou. — Mas acontece.
A mão dele subiu pelo meu braço devagar. E todo o meu corpo reagiu de imediato. Seus lábios tocaram meu ombro e fechei os olhos aproveitando aquele momento.
— Você sente — ele murmurou. — Sente o quanto eu te quero?
Minha respiração falhou.
— Eu tenho medo… — confessei sem perceber.
— Eu sei — ele respondeu.


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