Elena Rossi
— Gosta do que vê, senhorita Rossi?
O sangue subiu todo para o meu rosto de uma vez só.
Não foi um rubor elegante e discreto. Foi um calor violento, imediato, como se meu corpo tivesse decidido me denunciar sem nenhum pedido de permissão. Senti o fogo se espalhar pelas bochechas, escorrer pelo pescoço, subir pela nuca até a raiz do cabelo, como uma onda de vergonha e desejo misturados numa mesma corrente impossível de separar.
Era humilhante.
Humilhante perceber que bastava ele existir daquele jeito, meio desperto, meio perigoso, completamente indecente sob um lençol fino, distraído demais para se dar conta do efeito que causava, para que o meu corpo reagisse como se eu tivesse esquecido todas as regras básicas de sobrevivência social, todas as lições de autocontrole, toda a dignidade que eu tentava manter de pé desde que entrei naquela casa.
— E-eu… eu só vim… — gaguejei, sentindo a língua pesada, tropeçando nas próprias palavras, sem defesa alguma diante daquele olhar ainda carregado de sono e controle. — Fiz… fiz uns biscoitos pra você.
A frase soou patética assim que escapou. Eu percebi no mesmo segundo.
Damian arqueou a sobrancelha em um movimento mínimo, quase preguiçoso.
— Biscoitos?
Assenti rápido demais, como se estivesse sendo interrogada por algo muito mais grave do que realmente era.
— A-ahã… eu aprendi com a minha mãe.
Disse aquilo como se estivesse confessando algo de extremo valor. Como se, naquela casa marcada por contratos, poder e silêncios, cozinhar fosse quase um ato revolucionário. Como se falar de afeto simples fosse uma exposição perigosa demais.
Aproximei-me da cama com passos pequenos, cautelosos, medidos, como se o chão pudesse ceder sob meus pés a qualquer instante. Cada centímetro que eu avançava parecia um desafio ao equilíbrio do meu próprio corpo. Meu coração batia tão alto dentro do peito que eu tinha certeza absoluta de que ele ouviria.
Coloquei a bandeja sobre o lençol, tentando ignorar o fato óbvio, constrangedor, impossível de disfarçar: aquele mesmo lençol mal conseguia cumprir a função básica de esconder o corpo dele.
Damian se mexeu se sentando devagar. O movimento foi simples e absolutamente devastador.
O tronco se ergueu com naturalidade, os músculos do peito se contraíram como se obedecessem a um ritmo próprio, o abdômen se ajustou, e o lençol desceu mais um pouco pela cintura, traçando uma linha perigosamente baixa demais para a estabilidade mental de qualquer mulher naquele quarto.
Meu olhar não obedeceu, desceu sem pudor.
Primeiro pelo peitoral forte, pela pele ainda aquecida pelo sono, depois pela definição dos músculos que se moviam com uma facilidade perigosa, quase provocadora sem intenção. E então, pela primeira vez, vi algo novo: uma tatuagem discreta nas costelas, meio escondida, meio revelada conforme ele respirava, como um segredo parcialmente exposto só para mim.
E isso fez literalmente o ar me faltar.
Fiquei encarando descaradamente, como se meu corpo tivesse esquecido que aquilo não era permitido.
Damian pegou um dos biscoitos com calma, como se todo o clima daquele quarto fosse invisível para ele, e o levou à boca mordendo. Quando ergueu os olhos para mim, me encontrou parada, tensa, vermelha, e o devorando com os olhos sem qualquer pudor disfarçado.
Por um segundo, tive a nítida impressão de que ele quis rir, mas apenas pigarreou e em seguida fez uma leve careta ao mastigar.
— Sua mãe cozinhava tão mal quanto você?
Meu mundo quase caiu. Arregalei os olhos, completamente ofendida e desarmada ao mesmo tempo.
— N-não! — respondi rápido demais. — Q-quer dizer… ficou ruim? Eu pensei que…

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