Elena Rossi
Fechei a porta do quarto atrás de mim com cuidado, como se aquele simples gesto pudesse conter tudo o que ainda vibrava no meu corpo.
Meu coração ainda batia rápido demais para uma manhã comum. Rápido demais para alguém que só tinha levado um café e alguns biscoitos.
Encostei as costas na porta por um segundo e fechei os olhos.
Eu estava sorrindo. E isso, por algum motivo, me assustou e me deixou feliz ao mesmo tempo.
Levei a mão ao peito, respirando fundo, como se tentasse acalmar uma euforia que não combinava com a realidade complicada em que eu vivia. Mas era inútil. Algo dentro de mim tinha sido tocado e não tinha sido o desejo apenas. Tinha sido o sorriso dele. Aquele quase nada de sorriso, aquele pequeno gesto quase humano.
— Milão… — murmurei para mim mesma.
Minha irmã.
O pensamento veio como um presente inesperado.
Afastei-me da porta e fui direto para o armário. Abri as portas sem muita cerimônia, os cabides estavam alinhados demais para o turbilhão que eu sentia por dentro. Tirei o vestido claro que ainda usava e o deixei dobrado com cuidado sobre a cama.
Escolhi outra roupa com as mãos trêmulas de empolgação. Eu iria ver minha irmãzinha e apenas isso era o suficiente para trazer luz ao meu dia. Escolhi algo bonito, simples, mas que me fizesse sentir… eu.
Uma calça leve, de tecido macio, uma blusa de tom suave que iluminava a pele, e um casaco fino por cima. Prendi o cabelo outra vez, mas deixei mais solto do que antes. Eu não queria parecer perfeita. Queria parecer feliz.
Mas, quando parei diante do espelho, o que encontrei não foi só felicidade.
Foi… ele.
A imagem veio inteira, completa, nítida demais para ser lembrança de poucos minutos atrás.
Damian deitado sem camisa com o lençol descansando perigosamente baixo demais na cintura. Aquela linha do quadril que parecia traçada para destruir qualquer resquício de autocontrole. O peitoral forte, sólido, subindo e descendo devagar conforme ele respirava. Os músculos marcados por sombras na luz suave da manhã, como se o próprio sol tivesse decidido participar da provocação.
E a tatuagem.
Meu Deus… a tatuagem.
Discreta, escondida nas costelas, como um segredo que ele não pretendia revelar, mas que o sono tinha deixado exposto só para mim. O desenho acompanhava os ossos, a pele, o contorno de um corpo que parecia ter sido esculpido pelo pecado.
Eu senti o ar faltar só de lembrar.
As mãos que antes tremiam de alegria começaram a tremer por outro motivo. Um calor subiu pelo meu corpo como se eu ainda estivesse parada naquela porta, encarando um homem que não deveria ser encarado daquela forma.
— Elena, se controle. — murmurei para o meu reflexo, tentando parecer mais adulta do que realmente estava naquele instante.
Mas meus olhos não colaboraram. Havia uma luz diferente neles agora. Um brilho que eu não reconhecia e que, secretamente, estava adorando conhecer. As bochechas ainda carregavam o rubor do que tinha acabado de acontecer no quarto dele.
Do que eu fiz no quarto dele.
Deus, eu praticamente o devorei com os olhos.
— Que vergonha… — sussurrei, mas o sorriso teimoso no canto dos meus lábios denunciava outra coisa. Não era uma vergonha pura. Era algo mais perigoso, mais vivo. Mais meu.
Por mais que eu tentasse negar para mim mesma, eu o desejava. E principalmente depois daquele beijo… E isso era exatamente o que eu não podia me permitir dentro daquele acordo que nos prendia.
— Elena por favor…
Passei a mão no rosto, tentando apagar aquela lembrança e falhando miseravelmente. Porque ela voltava inteira.



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