O carro preto deslizou para diante da entrada principal como se a própria cidade tivesse aprendido a recuar.
Nada naquele momento era apressado, nem casual. Damian Cavalari não chegava aos lugares, ele anunciava presença sem pedir licença.
O motorista desceu primeiro, rápido, preciso. A porta traseira se abriu com a mesma cerimônia silenciosa que antecede a chegada de algo inevitável. Damian saiu do veículo com a imponência de quem sabe que o mundo ajusta o passo para acompanhá-lo.
O paletó grafite desenhava sua silhueta com perfeição quase cruel. A camisa negra fechada até o colarinho não deixava espaço para concessões. Nenhuma gravata, nenhum adorno além do relógio no pulso, discreto apenas para quem não sabia quanto custava. O tecido acompanhava seus movimentos como uma sombra viva, como se fosse uma extensão dele.
Quando ele pisou no saguão da empresa, o ritmo do prédio mudou.
Conversas cessaram, teclas continuaram a bater, mas sem a mesma audácia. Os olhares se erguiam apenas o suficiente para reconhecê-lo, nunca o bastante para desafiá-lo. Todos sabiam o que acontecia com quem confundia Damian Cavalari com um homem comum.
Ele atravessou o hall como se o chão tivesse sido criado somente para obedecer seus passos. O elevador privativo já o aguardava aberto.
Assim que as portas se fecharam, o reflexo de seu próprio rosto retornou pelo espelho escuro do painel. Damian encarou a imagem sem curiosidade, apenas com aquela atenção fria de quem mede o mundo pela resistência que oferece.
O celular vibrou dentro do bolso interno do paletó.
Um único toque.
Ele puxou o aparelho com um movimento mínimo, mas os olhos mudaram ao ver a notificação.
Hospital San Michele di Firenze – UTI Pediátrica
Paciente Sofia Rossi extubada às 08:42. Quadro estável.
Por um segundo, apenas um, algo se moveu dentro dele, algo semelhante a satisfação.
O canto de sua boca se ergueu quase invisível e um sorriso discreto surgiu. O elevador continuava subindo. A cidade diminuía do lado de fora como um tabuleiro que ele já conhecia de cor.
Quando as portas se abriram, a cobertura se revelou ampla, brutalmente elegante, fria nos materiais e quente na sensação de domínio absoluto. Nenhum elemento supérfluo. Tudo estava ali para servir a ele.
Damian avançou saindo do elevador e caminhando em direção a sua sala. Na antessala, Joana, sua secretária, se levantou de imediato, com o tablet firme nas mãos e o corpo em postura impecável.
— Bom dia, senhor Cavalari.
Ele não respondeu com palavras. Apenas inclinou a cabeça de leve, já passando por ela.
— Quando o senhor Venturi chegar, peça para que venha imediatamente até a minha sala.
— Sim, senhor Cavalari.
Ele deu mais dois passos.
— Posso confirmar a reunião das dez?
— Sim, pode.
Damian já estava diante da porta quando parou e perguntou:
— E Joana…
Ela endireitou ainda mais a postura.
— Sim, senhor?


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