Damian saiu da sala de reuniões como quem encerra um capítulo e já começa a escrever o próximo sem avisar ninguém.
O corredor da cobertura se ajustou ao passo dele. Alessandro o acompanhava meio passo atrás, acostumado a seguir aquele ritmo, mas não a decifrá-lo. Já tinha aprendido, depois de anos ao lado daquele homem, que Damian Cavalari não desperdiçava tempo com movimentos sem propósito.
Se estava andando, era porque havia um alvo.
O elevador privativo os aguardava. As portas se abriram imediatamente, como se até o sistema tivesse medo de fazê-lo esperar.
Entraram.
O silêncio dominou o pequeno espaço, quebrado apenas pelo ruído seco do andar sendo selecionado. Alessandro apenas o observava de canto de olho, acostumado àquela expressão enigmática, mas ainda assim intrigado.
— Você está estranhamente calado para alguém que acabou de massacrar um idiota em menos de uma hora. — comentou, com ironia leve.
Damian ajeitou a manga do paletó.
— A parte do idiota é rotina. — respondeu. — O resto do dia, nem tanto.
Alessandro arqueou a sobrancelha, curioso.
O elevador desceu como uma decisão final. Quando as portas se abriram, o saguão os recebeu com o mesmo respeito mudo de sempre. Funcionários fingiam estar ocupados demais para encarar, mas os olhares se desviavam na exata medida da prudência. Ninguém cruzava diretamente o caminho de Damian.
O motorista já aguardava do lado de fora, ao lado do carro preto, com o motor ligado.
Damian entrou no banco de trás sem dizer uma palavra. Alessandro o acompanhou, ainda sem ter recebido qualquer explicação adicional sobre aquele “compromisso”.
— Para o endereço que eu mandei. — Damian instruiu o motorista, seco.
Alessandro respirou fundo.
— Posso ao menos saber se vamos encontrar um inimigo, um investidor… ou uma bomba-relógio emocional? — provocou.
Os olhos azuis de Damian se voltaram lentamente para ele, sem humor.
— A primeira opção está em toda esquina. A segunda, na lista de espera. A terceira… você está prestes a descobrir.
O carro se lançou pelas ruas de Florença com a segurança de quem conhece o terreno. A cidade passava pelos vidros como um cenário que ele já tinha decorado de cor, bloco por bloco, prédio por prédio.
Quando, finalmente, o veículo desacelerou em frente à fachada de uma das lojas femininas mais caras e renomadas da cidade, Alessandro precisou fazer um esforço real para manter a expressão neutra.
Era uma loja que ele conhecia. Não por frequentar, mas porque Beatrice frequentava. Alta-costura, grifes exclusivas. Roupas que custavam o tipo de dinheiro que vinha acompanhado de taça de champanhe e atendimento personalizado.
Damian desceu do carro primeiro.
O vidro da vitrine refletiu a imagem dele como se preparasse o mundo lá dentro para o impacto. Alessandro parou ao lado, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso curioso se formando.
— Não sabia que você fazia compras desse gênero em horário comercial, cunhado. — comentou, em tom leve.
Damian não respondeu, apenas empurrou a porta de vidro. Um sininho discreto soou, e o universo dentro da loja pareceu prender a respiração.
O interior era tão luxuoso quanto se esperava: tapete espesso amortecendo os passos, ar-condicionado regulado na temperatura perfeita, manequins impecavelmente vestidos em peças que pareciam mais obras de arte do que roupas. Araras organizadas por cores, cortes, coleções; iluminação suave valorizando tecidos, caimentos, brilhos.
Mas não foi nada disso que chamou atenção primeiro.


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