"Ele não comprou um vestido. Comprou a consciência de que já estava envolvido demais"
A vendedora retornou acompanhada de outra funcionária, ambas carregando cabides protegidos por capas de tecido. O cuidado com cada peça denunciava o que estava em jogo ali: exclusividade, luxo, expectativa.
— Trouxemos algumas opções da nova coleção, senhor. — disse a primeira, com um brilho quase orgulhoso.
Enquanto começava a abrir as capas, aproximou-se um pouco mais de Damian do que o necessário. O perfume dela se espalhou pelo espaço minúsculo entre os dois, claramente calculado.
— Tenho certeza de que qualquer uma delas ficaria perfeita na sua… namorada. — enfatizou, deixando a palavra deslizar pela língua com uma curiosidade nada inocente. — Mas, se o senhor quiser, posso ajudá-lo a escolher pessoalmente. — Ela inclinou levemente o corpo para a frente, o sorriso ficando mais interessado. — Ou até sugerir algo que combine com o gosto do senhor também.
Alessandro quase sorriu alto.
Damian, no entanto, não se moveu, nem um milímetro. Os olhos dele passaram por ela como quem observa um obstáculo de pouca relevância no caminho. Sem pausa. Sem interesse. Sem desviar da rota original.
— O vestido. — ele disse apenas. — É tudo o que eu quero.
A ousadia da mulher derreteu um pouco. Ela recuou um passo quase imperceptível.
— Claro, senhor. — murmurou, tentando recompor a neutralidade.
A segunda vendedora abriu completamente uma das capas, revelando um vestido azul-turquesa.
O tecido parecia líquido. Caía em linhas suaves, porém firmes, com um decote elegante, não vulgar, e uma saia que se movia com leveza, como se tivesse sido projetada para acompanhar passos decididos. As alças eram delicadas, mas estruturadas o suficiente para sugerir suporte, não fragilidade.
Damian deu um passo à frente e o mundo encolheu à medida que sua mão se estendeu e tocou o tecido. Os dedos deslizaram pela superfície macia, avaliando mais do que qualidade. Havia uma tensão estranha naquela análise, como se, pela primeira vez, ele estivesse comprando algo que não era apenas funcional.
Os olhos subiram pela linha do vestido, imaginando não o cabide, mas o corpo dela.
Elena naquele azul. A pele clara em contraste com a cor viva. Os ombros expostos. O pescoço alongado. A forma como o tecido abraçaria a cintura dela, acompanhado cada curva. O movimento da saia quando ela andasse. Os cabelos ruivos presos num coque alto.
Uma cena tomou forma na mente dele com uma nitidez irritante demais para ser acidental. Elena entrando em algum salão, com os olhos grandes um pouco assustados, as mãos talvez sem saber onde pousar, o vestido transformando a menina que fazia biscoitos numa mulher impossível de ignorar.
Os dedos dele apertaram de leve o tecido.

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