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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 60

A Dra. Patrícia Arquette não tirou os olhos de Sofia enquanto falava que elas precisavam conversar, mas, antes que qualquer coisa começasse, ela lançou um olhar rápido para mim.

Foi um olhar de médico, mas também de cúmplice.

— Elena, você pode ficar aqui. — disse, com gentileza. — Isso também é sobre você.

Meu corpo inteiro já estava em frangalhos, então apenas assenti. Eu não conseguiria dar um passo para fora daquela sala naquele momento, mesmo que quisessem me arrastar.

A Dra. Patrícia puxou a cadeira um pouco mais para perto da cama, apoiou os cotovelos nos joelhos e entrelaçou as mãos, como se estivesse conversando com alguém muito mais velho do que uma menina de nove anos usando uma toquinha de ursinho.

— Sofia… — começou, num tom leve, mas cheio de significado. — Lembra de tudo que conversamos de manhã? Os remédios, os exames, as máquinas, as picadinhas chatas?

Sofia fez uma careta memorável.

— Nunca vou esquecer as picadinhas. — disse. — Acho que já tenho mais furos que um queijo suíço.

Eu ri pelo nariz. Beatrice sorriu ao meu lado e a médica soltou um suspiro divertido.

— Pois é. — continuou. — Mas todas essas coisas chatas tinham um propósito. E é sobre isso que eu quero falar. Eu acabei de revisar seus exames. De novo. E…

Ela fez uma pequena pausa.

Naquela fração de segundo, meu coração parou. O mundo encolheu em volta da expressão dela, como se a sala inteira esperasse a próxima frase.

— Eles mostram algo muito importante. — completou. — O tratamento está respondendo melhor do que a gente esperava.

O ar saiu de mim como se alguém tivesse aberto uma válvula.

Melhor do que esperava.

Sofia piscou, confusa.

— Isso é… bom? — perguntou, como se quisesse ouvir a palavra certa, clara, sem código médico.

— Isso é muito bom. — respondeu a doutora, sorrindo de verdade agora. — Tão bom que, se tudo continuar assim nas próximas horas, daqui a dois dias você vai sair da UTI e ir para um quarto.

Eu não percebi que tinha levado a mão à boca até sentir o gosto salgado de uma lágrima.

Quarto. Não mais tubo, nem uma respiração emprestada.

Sofia arregalou os olhos, as bochechas ficando ainda mais rosadas sob a luz branca.

— Sair daqui? — ela repetiu, como se testasse o som da frase. — Eu… eu vou poder tirar algumas dessas coisas?

— Vamos tirar muitas delas aos poucos. — prometeu a médica. — E, se você continuar se comportando como a paciente campeã que é, vamos começar a falar de outra coisa muito importante.

— Voltar para casa? — Sofia arriscou, cheia de esperança.

A Dra. Patrícia sorriu com ternura.

— De vida normal. — corrigiu. — Escola, amigos, cabelo crescendo de novo, menos consultas, mais tardes de desenho animado e menos enfermeiras te acordando às seis da manhã.

Sofia soltou uma risada que quase fez meu corpo desmoronar.

Vida normal.

Essa frase era tão grande que mal cabia dentro da sala.

Respirei fundo, tentando me recompor, mesmo sabendo que recomposição não era uma opção válida naquele dia.

Precisava ser forte, respirar, caber de novo dentro do meu corpo para conseguir colocar um pé na frente do outro.

Sofia nos observava com os olhos muito abertos.

— Vocês duas vão chorar muito mais do que eu hoje? — ela provocou, com uma careta tímida.

Eu ri, finalmente.

— Provavelmente. — respondi, enxugando o rosto.

A Dra. Patrícia deslizou delicadamente a mão pelos fios de monitor, checou um dos aparelhos, fez algumas anotações mentais invisíveis para nós, e então se voltou novamente para minha irmã.

— Eu vou voltar daqui a pouco com alguns ajustes. — disse. — Mas, por enquanto, você tem duas missões, Sofia.

— Duas? — ela ergueu as sobrancelhas, interessada.

— A primeira é descansar. Seu corpo precisa se acostumar com essa nova fase. — explicou. — A segunda… é pensar no que você quer fazer primeiro quando estiver fora da UTI.

Sofia sorriu tão grande que quase apagou todo o resto da sala.

— Acho que consigo fazer isso. — respondeu, convencida.

A médica se despediu dela e de Beatrice com um aceno gentil, sorriu para mim uma última vez, aquele sorriso de quem sabe que mudou o destino de alguém e saiu.

E, naquele instante, eu tive certeza de que, pela primeira vez em muito tempo, o futuro não parecia mais uma ameaça, mas uma promessa.

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