“Nem todo silêncio é ausência. Alguns são escolhas.”
A porta se abriu por completo, e algo dentro de mim se desalinhou por completo, como se aquele lugar tivesse sido preparado para tocar diretamente minha alma.
Sobre a cama, em perfeita harmonia com a luz dourada que atravessava a janela, estava um vestido.
Não era um vestido qualquer. Era um azul-turquesa, um tom tão vivo que, por um instante, tive a impressão de que o tecido se movia com a própria luz, como se respirasse.
As alças delicadas estavam dispostas com precisão, como se mãos cuidadosas, grandes talvez, tivessem ajustado cada detalhe. A saia fluía para fora da caixa, como se quisesse escapar e existir no mundo antes de mim.
Meu coração disparou e então eu vi que havia um envelope repousando sobre o tecido, alinhado milimetricamente, com o meu nome escrito na caligrafia dele.
Elena.
A letra era precisa demais para ser casual. Havia nela uma combinação improvável de ternura e arrogância, traços firmes, seguros, bonitos demais para não denunciar quem os havia traçado. Era uma escrita inegavelmente masculina.
Meus dedos tremeram quando toquei o papel e antes mesmo de abrir, eu já sentia que algo dentro do meu peito havia começado a se desfazer.
Quando abri o envelope, a mensagem era curta, direta, calculada e, ainda assim, devastadora.
“Prepare-se. O meu motorista passará às 20:00 horas. D. Cavallari”
Senti um aperto no peito ao ler essa mensagem. Um turbilhão de sensações surgiu dentro de mim. Medo, ansiedade, desejo….
A pior parte da doença de Sofia, não foi a descoberta, nem ver o seu pequeno corpinho fragilizado lutando contra o câncer, foi estar completamente sozinha e não poder fazer nada. Como teria sido mais fácil, passar por tudo isso se eu tivesse um homem como Damian ao meu lado, alguém que enxugasse as minhas lágrimas, que me abraçasse e dissesse que tudo ia ficar bem.
Como seria se este presente tivesse a intenção de vestir uma mulher, não uma propriedade? Como seria a sensação de estar ao lado de alguém como ele sem que um contrato estivesse no meio?
Eu jamais teria imaginado que alguém capaz de adquirir pessoas também pudesse agir com tamanha delicadeza. Que tipo de dualidade era aquela, em que luz e escuridão conseguiam habitar a mesma pessoa?
O que ele queria dizer com prepare-se? Ele não explicou para quê, nem para onde, nem por quê.
Mas a ordem silenciosa por trás do gesto, o subtexto e o presente ali diante de mim gritavam uma verdade que eu não sabia como sustentar.
Ele tinha pensado em mim.
E isso me atingiu com mais força porque, enquanto eu estava no hospital com Giovanna, eu havia me convencido do contrário. Tinha acreditado que talvez ele não se importasse, ou pior, que tudo para ele não passasse de um jogo que homens ricos e poderosos gostavam de jogar.
Mas aquele gesto desmentia tudo. Meu nome estava em sua mente, ainda que meu corpo estivesse distante.

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