“Algumas decisões não são tomadas. Elas apenas começam.”
Deixei minha roupa ali mesmo e caminhei nua até o banheiro. Como se aquele vestido observasse as curvas do meu corpo como Damian faria , aliás como ele já havia feito, várias vezes. Mas não da forma que eu estava. A luz da janela agora já não iluminava apenas o vestido, iluminava também a mim com a expectativa desse encontro.
Entrei no box do banheiro, girei o registro e deixei a água quente do chuveiro cair sobre mim, levando embora o cheiro de hospital, a tensão do voo. Mas não levou a imagem de Sofia sorrindo. Nem a imagem dele.
Fechei os olhos e ele estava ali outra vez.
Deitado na cama, sem camisa, com o lençol baixo demais. O peitoral forte subindo e descendo com a respiração tranquila. A tatuagem discreta nas costelas, que eu jamais imaginei que ele tivesse.
O calor subiu pela minha pele sem pedir licença.
— Pare… — murmurei para mim mesma, apoiando as mãos na parede fria do banheiro.
Mas o corpo não esquecia.
Quando saí do banho, a ansiedade já tinha trocado de nome dentro de mim. Eu não estava nervosa, não necessariamente. Na verdade, eu não sabia descrever o que estava sentindo naquele momento. A única certeza que tinha é que não tinha medo.
Vesti a lingerie com cuidado. Escolhi uma simples, delicada, como se eu tentasse equilibrar dentro de mim a mulher que ainda precisava ser protegida e aquela que estava prestes a existir naquela noite. Depois, finalmente, levei o vestido até o corpo.
A seda deslizou pelas minhas pernas com uma facilidade quase indecente.
O tecido subiu, abraçando minha cintura, acomodando-se sobre mim como se tivesse sido feito exatamente para aquele momento. O decote era discreto, elegante o suficiente para não ser óbvio, mas profundo o bastante para sugerir. As alças finas repousaram sobre os ombros com delicadeza, quase invisíveis. Quando me virei de lado, o impacto das costas nuas, inteiramente expostas, transformavam o vestido de elegante em perigoso sem esforço algum.
O comprimento era longo, caindo até quase tocar o chão.
E então vi a fenda.
A fenda na perna esquerda subia o suficiente para acompanhar cada movimento, sugerindo mais do que revelando. Caminhei dois passos em direção ao espelho e vi a seda se abrir com naturalidade, como se tivesse sido feita para ser vista e desejada.
Demorei um segundo para recuperar o fôlego.
Prendi o cabelo em um coque alto, deixando a nuca exposta. Queria parecer contida por cima e completamente vulnerável por trás. Não sei em que momento passei a pensar dessa forma. Talvez esse desejo sempre tivesse existido e Damian apenas tenha sido quem o trouxe à superfície.
Voltei à caixa de veludo.
O colar de safiras tocou minha pele como um arrepio frio, logo seguido por um calor profundo. As pedras repousaram contra a clavícula com um peso delicado, quase simbólico. Os brincos em forma de gota desceram suavemente até junto do pescoço, refletindo a luz a cada mínimo movimento.
Eu já não era apenas Elena Rossi.
Eu era a mulher que ele havia imaginado ao passar os dedos por aquele tecido, dando forma a algo que ainda nem existia.
A maquiagem foi mínima. Um pouco de cor nos lábios, um traço leve nos olhos. Não queria nada extravagante. Por um momento, lembrei de minha mãe e de como ela dizia que amava o contraste dos meus olhos verdes com a cor de minha pele.
Quando me encarei no espelho pela última vez, senti algo dentro de mim estremecer. Porque a mulher que estava diante de mim ainda estava presa num acordo, mas também estava viva e pronta.
O relógio marcou 19h58.

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