“O desejo não desaparece quando é interrompido. Ele aprende a esperar.”
Elena Rossi
Meu coração disparou, não pelo que ele fazia, mas pelo que eu sabia que estava prestes a acontecer.
Havia algo no silêncio entre nós que não admitia retorno.
Olhei para a mão dele, depois para o rosto e para aqueles olhos que pareciam sempre saber mais do que diziam. Eu sabia que, se tocasse nele, algo deixaria de ser apenas desejo.
Sem conseguir conter o instinto, coloquei minha mão sobre a dele.
Quando me levantei, o vestido deslizou com facilidade pelo corpo, e a fenda se abriu conforme dei o primeiro passo. A seda acompanhou cada movimento de forma natural, reagindo ao meu andar.
Damian me conduziu até o centro do salão vazio com calma, sem pressa ou exibição. Era apenas proximidade, construída passo a passo.
Uma das mãos ancorava a minha alma enquanto sustentava os meus dedos, mas a outra, firme em minha cintura, avisava que não era só uma dança, era rendição e domínio dançando sem distância, se misturando um ao outro até que não houvesse mais diferença entre a força dele e a minha entrega.
— Se entrega para mim. — murmurou. — Eu conduzo.
E conduziu.
Cada passo era lento, preciso. Meu corpo começou a seguir o ritmo sem pensar, guiado pelo dele. O piano preenchia o espaço entre nós, mas era a respiração dele que eu sentia mais próxima.
Levantei o olhar.
Damian estava me observando com uma atenção que me fez perder o compasso por um instante.
— Você está linda. — disse, baixo. E aquele comentário me fez corar.
A música continuava lenta e envolvente, como se o piano acompanhasse o ritmo da nossa respiração.
— Damian…
A mão dele se firmou por um segundo a mais do que antes, como se testasse o próprio limite. A respiração dele mudou, não muito, mas o suficiente para denunciar que o controle exigia esforço.
— Elena… — murmurou, com a voz mais grave, contida demais para ser calma. — Se continuar assim…
Ele não terminou a frase.
Abri os olhos devagar e encontrei o olhar de alguém acostumado a comandar sem hesitação, mas que naquele instante se mantinha tenso, contido, lutando visivelmente contra o próprio impulso.
A música parecia distante agora. O salão, inexistente.
Só havia nós dois.

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