“Existem amores que não pedem nome. Apenas gestos.”
Sofia não olhou para nós de imediato. Primeiro, levantou o queixo com a lentidão de quem testa o mundo antes de encarar o impacto dele.
Quando finalmente me viu, abriu um sorriso tão grande que quase não cabia na boca.
— LENA VOCÊ VEIO!
Eu não tive tempo de dizer nada. Ela saltou da cama com os pés descalços e correu para mim com aquela velocidade teimosa que as crianças têm quando estão muito felizes para lembrar que quase morreram.
O impacto do abraço veio forte na cintura, como se ela quisesse ancorar os dois braços ao meu corpo para garantir que eu não fosse embora de novo.
Meu ar falhou no meio do caminho e não consegui conter as minhas lágrimas. Chorei com todas as letras, sem vergonha nenhuma.
Beatrice passou a mão pelo rosto disfarçando o pranto, e Alessandro ficou parado à porta, com as mãos nos bolsos, e um sorriso discreto no rosto.
Sofia recuou um passo para me olhar com aquela seriedade infantil capaz de desarmar qualquer executivo, CEO ou mafioso.
— Você chorou — ela constatou.
— Chorei — admiti. — Choros de alegria existem.
Ela ponderou a informação como se estivesse aprendendo uma regra nova sobre física.
— Eu também chorei. — disse. — Ontem. Quando a doutora falou que você ia vir dormir comigo.
Meu peito engasgou no meio de um solavanco e Beatrice pigarreou para quebrar o silêncio e, talvez, para impedir que eu desmoronasse de um jeito que Sofia não estava preparada para ver.
Minha irmã desviou os olhos para Beatrice e com um sorriso largo no rosto disse:
— Tia Bia, você veio!
— Claro que eu vim minha princesinha. Acha que iria perder esse momento especial?
— Não. — falou animada.
De repente seus olhos pequenos e curiosos desviaram para Alessandro. Ele franziu a testa confusa e perguntou:
— Quem é ele?
Desviei o rosto para Alessandro e naquele momento, o homem que sempre pareceu sério demais, sorriu para minha irmã e antes de responder alguma coisa, Beatrice disse:
— Meu namorado.
Sofia sorri e levanta a mãozinha tímida para cumprimenta-lo e é quando uma enfermeira se aproximou e disse:
— Então princesa Sofia, já que sua irmã chegou, está preparada para ir para o seu quarto?
Sofia ficou imóvel por um segundo. Depois começou a pular na minha frente com a naturalidade de quem nunca soube que a vida podia acabar de repente.
— Eu vou para um quarto! Eu vou para um quarto! Eu vou para um quarto!
Outra enfermeira entrou exatamente nesse momento, como uma divindade pragmática do hospital.
— Calma mocinha — disse, com um sorriso que traía qualquer tentativa de disciplina. — Se continuar pulando assim, vou ter que adiar sua saída.
Sofia congelou literalmente e fez um biquinho fofo que me fez sorrir.
— Já parei.
A enfermeira meneou a cabeça, satisfeita.
— Então vamos?
Beatrice e eu andamos de cada lado da cadeira enquanto Sofia era conduzida pelo corredor. Ela não parou de falar um segundo.
— Eu vou ter janela? — perguntou.
— Vai — respondeu a enfermeira.
— E vai ter luz amarela? Porque eu odeio luz branca. Parece luz de mosquito.
— Vai ter as duas — Beatrice garantiu, como se fosse ela quem tivesse decorado o quarto.
Eu segurei o riso.
Quando paramos diante da porta, a enfermeira abriu devagar, como se estivesse apresentando um palco. E foi exatamente isso que surgiu diante de nós.
O quarto estava todo decorado. Não com a decoração do hospital, mas como se tivesse sido preparado especialmente para recebê-la.
Havia mantas cor-de-rosa dobradas no sofá, uma fileira de brinquedos de madeira, pelúcias encostadas na parede, uma coroa de plástico sobre a mesa, desenhos colados no vidro, um tapete fofinho azul-claro e um castelo de princesa pequeno demais para ser funcional e grande demais para ser ignorado.

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