“Desejar é simples. Ceder é outra coisa.”
Damian Cavalari
Voltei para casa com o cansaço típico de quem passou horas discutindo poder com pessoas que confundem influência com inteligência.
Cruzei o hall e senti o peso do paletó sobre os ombros aumentar antes de finalmente tirá-lo, como se o gesto fosse suficiente para aliviar metade da carga do dia. Joguei a peça sobre a poltrona mais próxima e soltei o ar devagar, com o maxilar contraído, sentindo a tensão acumulada ao longo da tarde se instalar no pescoço e nas costas como um lembrete desagradável de que o corpo cobra o que a mente insiste em ignorar.
Tereza surgiu poucos segundos depois, com a postura impecável e o mesmo respeito silencioso de sempre. Ela não fazia perguntas antes da hora, nunca o fizera, e esse era um dos motivos pelos quais era uma das poucas pessoas que eu permitia ocupar aquele espaço. Esperou que eu olhasse na direção dela antes de abrir a boca.
— Boa noite, senhor Cavallari.
Assenti apenas com o queixo, um gesto curto, automático, quase preguiçoso, mas suficiente para que ela entendesse que eu estava no limite da minha capacidade de comunicação civilizada.
— Deseja jantar? — ela perguntou, e a voz vinha neutra, mas carregava um cuidado discreto, quase maternal, que ela sempre demonstrou.
Desapertei o nó da gravata enquanto respondia:
— Já jantei.
O tom saiu seco, mas não rude. Tereza sabia diferenciar as duas coisas. Fez menção de se retirar, e foi quando hesitou por um instante. O suficiente para eu levantar os olhos e responder.
— Pode se recolher. — acrescentei.
Ela inclinou a cabeça e diferente do que esperei, não foi embora.
— E a senhorita Rossi, senhor? Não vai dormir em casa hoje?

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